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Camila e Dewindson - Ravenland
Escrito por Ariane Ferreira    Ter, 21 de Abril de 2009 07:11    E-mail
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O Ravenland faz parte da competente e obstinada nova safra do Metal Nacional. Resurgida de suas próprias cinzas, a banda teve um hiato no qual suas atividades se encerraram por completo, para trazer ao público tudo o que não foi possível anteriormente.

 

Com uma mistura bem comum, voz masculina, feminina e letras estruturadas no Doom e Gothic Metal, a banda sabe muito bem a que veio e ao que propõe seu trabalho, o que precisa agora é mostrar, falar, “cantar” e encantar com seu comum nem tão comum assim.

Por isto, o Metal Clube conversou com os líderes e vocalistas da banda, Camilla Raven e Dewindson Wolfheart, sobre o novo álbum da banda, que tem lançamento previsto ainda para o primeiro semestre deste ano, sobre as histórias da banda, a batalha que as novas bandas enfrentam, o cenário nacional e muito mais.

DivulgaçãoMetal Clube - Primeiramente gostaríamos de agradecer a disponibilidade da banda em atender o Metal Clube e seus leitores.

Camilla – Nós é que agradecemos.

Dewindson – É sempre um prazer responder entrevistas, podermos dividir um pouco da nossa história com o público e mídia, por tanto, muito obrigado.

Metal Clube - Vamos começar falando do inicio de tudo. A biografia da banda diz que através do poema “O Corvo” de Edgar Alan Poe e do filme homônimo de James O’Bar, surgiu a idéia de montar o Metal com uma atmosfera gótica. Como foi esse processo?

Dewindson – Na verdade a idéia de montar uma banda já estava lá há muito tempo, só não sabia qual direção tomaria dentro do metal, tanto que, quando montei a Ravenland, nos três primeiros meses tocávamos Slayer, Megadeth, Judas Priest, Black Sabbath. Eu já tinha as letras e era muito fã do estilo de escrever do King Diamond, daí as minhas letras já tinham um direcionamento meio sombrio. Quando conheci em 1995/1996 bandas como Moonspell, Type O Negative, Tiamat e o grande “Draconian Times” do Paradise Lost fiquei encantado como o estilo Doom Metal havia se mesclado com o gótico, melancolia e peso juntos, daí redescobri a minha veia gótica, e ela era muito forte, pois lembrei que nunca havia esquecido de filmes como O Corvo e do poema de Edgar Alan Poe – O Corvo, daí conheci uma banda sueca chamada Lake of  Tears que tinha uma música chamada “Ravenland”, a letra dela era bela e a atmosfera unia bem a melancolia do Doom, com a sombriedade do gótico e o peso do metal, então decidi pelo nome Raveland e a fusão destes estilos, o metal, o gótico e o Doom.

Metal Clube – Dewindson, houve por sua parte uma preocupação de não ir pelo caminho das demais bandas que faziam o mesmo estilo?


Dewindson – Bem, pra ser sincero, este caminho na época (1996 a 2001) ainda não estava tão proliferado por bandas desta mesma linha, mas mesmo que elas pertencessem à mesma linha, ainda tinham uma particularidade no som e não soavam cópias umas das outras, cada uma tinha a sua forma de soar diferente, de ser própria, e acho que por mais que tivéssemos bebido dessa fonte My Dying Bride, Katatonia, Anathema, Moonspell, Paradise Lost, Crematory, terminamos soando como Raveland, não soávamos como cópia deles, mas todos que escutam percebem de onde vem a nossa sonoridade, tipo, você escutar Candlemass e dizer, “lembra o Black Sabbath, mas eles tem uma sonoridade própria, produzem a mesma perdição sonora, mas cada um na sua singularidade.”

O que nós procuramos acrescentar desde o início foi elementos como vocais femininos sem serem líricos, vocais rasgados ou guturais só onde necessário e mais o vocal grave e limpo, além do violino, existem outros elementos que ainda iremos adicionar num trabalho futuro da Raveland para ter mais característica própria.

A primeira Demo-tape - “October of 1998” foi bastante elogiada, chegavam a falar tipo, “o vocal é na linha Type O Negative, Moonspell, mas eles fazem um som único, que nenhuma outra banda está fazendo.” Isto foi ótimo para nós, pois realmente era o que buscávamos estar no mesmo direcionamento musical, mas soando algo próprio e não cópia.

Metal Clube - Ainda falando do começo de tudo, como foi ter o entusiasmo de assinar com um selo, o Moonshadow, para o lançamento de seu debut, “After the suns hides” (2001), e ter a noticia de que o selo fecharia por motivos religiosos e não lançariam seu trabalho?

Dewindson – Após o lançamento da primeira demo-tape houve uma ótima repercussão, que resultou em vários shows, e nos aproveitando disto, em 1999 lançamos uma demo gravada ao vivo “Live at Kalimar” e foi justamente em um destes shows, um ano depois do lançamento da primeira demo que nos apareceu primeiramente um convite tímido  da gravadora Moonshadow para participarmos de uma coletânea em CD, a “de profundis...” mas após o Ricardo (proprietário da gravadora Mooshadow) nos ver ao vivo, nos convidou para gravar logo o CD, e isso foi uma alegria incrível para todos na banda.

Sabe... Eu não fiquei com nenhum ressentimento dele depois, nem nunca, pois imagine naquela época a minha banda tinha pouco mais de um ano e já havia conseguido um contrato com um selo, ou seja, alguém que iria investir na sua banda para lançar um trabalho seu e distribuí-lo em mais de 25 países e com um contrato honesto, melhor que muitas propostas que apareceram depois.

Daí em 2001, após concluirmos as gravações faltava mixar e masterizar o disco “After the Sun Hides” que continha 10 faixas, daí o “Xandão” nos deixou para entrar no Andralls e em seguida tivemos um problema no estúdio que nos fez perder todos os teclados do disco.

Após estes acontecimentos, que atrasaram a finalização do disco, o Ricardo mudou de religião e desistiu de investir no selo, pois o direcionamento musical das bandas não condizia com a atual religião dele naquela época.

Não o culpo por nada, só tenho a agradecer a ele por ter acreditado na banda, infelizmente não tínhamos outra opção melhor e diante de tudo que vinha dificultando o lançamento do álbum resolvi acabar com a banda.

Creio em uma coisa, tudo tem seu tempo certo, e a hora da Raveland é agora.

DivulgaçãoMetal Clube - Como foi o convite para gravarem a grandiosa “Among two storms” do Rotting Christ em uma coletânea-tributo, “An evil existence for...”(2003), à banda?

Dewindson – Como o disco não havia saído, e o nosso nome foi bem divulgado, chegamos a receber um convite do selo Astrozumbi Records para participar de um CD com outros grandes nomes do metal nacional em tributo a banda grega Rotting Christ. Eu sou muito fã da banda, não hesitei em aceitar o convite, topamos e ainda pudemos escolher a música que queríamos e que mais combinava com a sonoridade da Raveland, por isso escolhi a “Among Two Storms” que faz parte de um dos discos do Rotting Christ que eles mais experimentaram as melodias e elementos da música gótica, o “Dead Poem”. Fiquei muito feliz, embora o resultado da qualidade sonora da nossa versão não tenha me agradado 100%. Essa nossa versão chegou a tocar em vários programas de Rádio-rock e ficou por diversos meses entre as mais pedidas. Foi legal! No final, o selo Astrozumbie Records não chegou a lançar, mas vendeu a idéia para outro selo o Records, que lançou e ainda contou com o apoio da banda Rotting Christ e da Century Media Records para distribuí-lo.

Metal Clube - A banda esteve parada por três anos, entre 2003 e 2005. Neste meio tempo o baterista original do grupo, Alexandre Brito, deixou o grupo para compor o Andralls. Como foi este tempo? Deu pra colocar as idéias em ordem? Por que tanto tempo?

Dewindson – Assim que o Xandão saiu, nós seguimos com outro amigo meu, Rodrigo Abelardo como baterista, ele segurou as baquetas na Raveland ainda por quase dois anos acredito, mas aí depois suas responsabilidades familiares pesaram mais que a Raveland e ele nos deixou logo quando tínhamos alguns shows marcados com o Krisiun no Nordeste.

Na verdade isso aí foi a gota d´áqua para que eu desistisse de tudo, por isso resolvi acabar com a banda.

Era muito difícil encontrar pessoas com o mesmo objetivo profissional. Pessoas que tocassem bem e ainda assim quisessem realmente se dedicar a banda, e quando encontrei pessoas que tinham os dois requisitos, faltava o outro, o principal, a humildade.

Metal Clube - Depois desta parada, o Dewindson decidiu voltar com o grupo. Camilla, como ele te convenceu? Qual parte deste projeto te encanta?

Camilla – Na verdade, eu o convenci! (risos) Eu conhecia o trabalho da Ravenland e sempre me identifiquei muito com ele. Eu e Dewindson iríamos montar um projeto para continuarmos na música, isso faz parte da nossa essência, corre nas veias, impossível deixar a música. E percebi que o que queríamos não fugiria muito da proposta do que era a Ravenland. Claro que colocamos uma roupagem nova, modificamos algumas coisas, mas a essência é a mesma. Então, eu o convenci a reativar a Ravenland e dar continuidade ao trabalho que era a vida dele e que agora é a minha vida também.

Metal Clube - O renascimento do Ravenland veio com o lançamento do “Black EP” (2006), como foi começar do zero novamente?

Dewindson – Olha, encontrar a Camilla como parceira musical ajudou bastante e facilitou muito, pois ela tinha e tem o objetivo igual ao meu, de acreditar no sonho da banda e isso ajudou muito, lutamos pelo mesmo sonho.

Além do mais, ela é uma ótima compositora e esteve em ótimos dias de inspiração quando reativou a Raveland comigo, pois ela sabia exatamente o direcionamento que a banda teria que tomar e já trouxe quatro ótimas composições prontas onde o restante da banda contribuiu com os arranjos finais, uma delas foi a “Velvet Dreams” e era a que mais dizia tudo sobre o nosso direcionamento mesclando o doom com o rock gótico, por isso lançamos logo um CD Single com ela e de Bônus a “Among Two Storms” do tributo ao Rotting Christ.

Metal Clube - As faixas “Velvet Dreams” e “Soulmoon” alavancaram o nome da banda aos holofotes da Europa, Japão e restante da América do Sul. Isso contribuiu diretamente para o sucesso do trabalho no Brasil?
Camilla – Sim, despertou o interesse em conhecer as músicas. A “Velvet” foi a primeira música que eu compus para a volta da Ravenland. “Soulmoon” foi logo depois e eu não esperava que fosse ter uma ótima resposta do público tão rápido. Sou muito perfeccionista, sempre cobro muito de mim e estou sempre procurando o que precisa melhorar, talvez seja por isso que eu não esperava que fosse surtir um efeito tão positivo em pouco tempo, pois o EP que lançamos “Back”, não foi oficial, foi independente e mesmo assim o resultado foi fantástico, alcançou e agradou muitas pessoas. 

Dewindson – A “Soulmoon” é a faixa de trabalho do disco, com o EP “Back” logo alcançamos várias rádios querendo tocá-la, rádios do exterior como a do Japão que até chegou a enviar-nos um contrato para liberação dela em uma coletânea da Rádio de lá e foi incluída na programação diária do programa Transarock (rádio japonesa).

Sem falar que a “Soulmoon” toca ainda em rádios e web-rádios de Portugal, França, Espanha, Alemanha, Polônia, Estados Unidos e México, e vários outros países, tudo isso sem pagarmos “Jabá”. Há também os elogios deixados em nosso MySpace por fãs do mundo inteiro. 

Metal Clube – É o MySpace abriu portas para vocês, afinal “Soulmoon” foi um grande sucesso graças a esta ferramenta. Como vocês encaram essas ferramentas de comunicação na internet? Existe alguma chance do novo material ficar na rede mundial de computadores?

Camilla – Essas ferramentas são muito importantes para a divulgação. É a maneira mais fácil, se não pudéssemos contar com isso, não só a Ravenland, mas para qualquer artista ficaria muito mais difícil mostrar o trabalho para o mundo. Precisaria de alto investimento e tudo mais que fosse necessário. O novo material estará na internet para mostrar o nosso trabalho, não sei se colocaremos para download, mas sabemos que mesmo que não disponibilizemos, outra pessoa irá disponibilizar, isso será inevitável. Mas lembrando que é a venda de cd’s, shows e merchandise em geral que faz a banda continuar na ativa, esse apoio dos fãs ajuda a banda a continuar com o trabalho.

Dewindson – Acredito que após o lançamento do CD “... and a crow brings me back” possamos ver com a nossa gravadora atual Freemind Records e o MySpace Brasil algum tipo de acordo para disponibilizar o álbum inteiro somente para audição durante alguns dias.

DivulgaçãoMetal Clube - Falando deste assunto, o que vocês acham da MP3? Tem sempre o lado bom e o ruim, mas como vocês encaram este material?

Camilla – É como eu falei do download anteriormente. MP3 é importante sim para a divulgação, apesar de que muitos deixam de comprar o álbum por ter acesso a esse material na internet.

Mas sabemos que quem é fã mesmo, adquire o CD, sabem que a qualidade de som é bem superior que a do MP3, além de possuir  toda a arte do encarte que tanto nos preocupamos em deixar algo de qualidade, “que encha os olhos” e que transmita a nossa sonoridade.

Dewindson – Eu vejo isso como as fitas k7 dos anos 1980/90 que gravávamos para conhecer o disco e divulgar para os amigos, depois se gostássemos mesmo do álbum, vínhamos a comprá-lo, pois nada supera você ter o original com a capa, encarte e um áudio de qualidade. Hoje faço assim, uso o MP3 só para conhecer o disco, depois sempre termino adquirindo em formato original.

Metal Clube – O EP “Back” obteve enorme sucesso entre crítica e público. O que o novo álbum do grupo tem de semelhante ao sucesso “Back”?

Camilla – Nos sentimos livres nas composições, tudo foi fluindo naturalmente e deixamos do jeito que nos agradava. O “Back” exprime uma parte do que tentaremos transmitir com o novo álbum, mas acho que o álbum por completo será como uma novidade, pois o que percebemos nos nossos shows é que agradamos a vários tipos de público. No álbum, que contêm 14 faixas mais um bônus, você encontrará novas composições da última formação e músicas que eram para terem sido lançadas no “After the Sun Hides”, só que reformuladas. 

Metal Clube - Falando do novo álbum, “...and a crow brings me back”, como foi trabalhar com o Ricardo Confessori? (Nota: o líder do Shaman e e baterista do Angra, produziu o álbum e gravou a bateria do disco da Ravenland).

Dewindson – Olha, confesso que em 1996 fui a um show do Angra na tour do Holly Land, que inclusive é um álbum que é um clássico  do metal nacional e sou muito fã destes dois primeiros discos deles.
Daí, anos depois eu vi o interesse do Ricardo Confessori em trabalhar conosco e logo em seguida após o problema de saúde na perna do Rick (baterista da volta do grupo em 2006) o Ricardo Confessori se ofereceu para gravar a bateria do disco inteiro sem cobrar nada por isso, pois pra ele seria um prazer ajudar-nos. Foi muito legal, só me arrependo de não tê-lo deixado muito a vontade para criar mais arranjos em cima das músicas, pois tinha medo de não encontrar facilmente um baterista que pudesse reproduzir ao vivo o que ele havia gravado. Grande amigo e muito gente fina.

Metal Clube - Outra coisa curiosa deste trabalho é o processo final de produção, que conta com o Waldemar Sorychta - famoso produtor de Metal Gótico, que tem no currículo trabalhos do Lacuna Coil, Moonspell, Tiamat, Samael, Therion, etc. Ele é tido como um produtor durão e exigente, além de ser sinônimo de sucesso. Tudo isso é verdade? Como têm sido o trabalho com ele?

Camilla – Simplesmente excelente, ele é um ótimo profissional e muito exigente. E esperávamos realmente que fosse assim, estávamos buscando uma produção gringa, apesar de não termos tantos recursos. Sabíamos que ele era a pessoa certa para o estilo, para o que buscamos em nossa sonoridade. Acompanhamos o trabalho dele, sempre aparecia a hipótese de trabalhar com ele e agora tivemos a oportunidade. Está sendo maravilhoso.

Dewindson – O Waldemar já havia elogiado o nosso trabalho no MySpace e isso facilitou o convite para ele para finalizar o nosso trabalho. Para mim foi um grande prazer ter o nosso CD finalizado por ele, pois sei que os melhores trabalhos do Moonspell foram produzidos por ele, assim como o “Vovin” do Therion, “Wildhoney” do Tiamat, “Frozen” do Sentenced, todos do Flowing Tears... Enfim, sou muito fã do trabalho do Waldemar como produtor.

Metal Clube - Como foi a idéia de convidar o guitarrista Tommy Lindal (ex-Theatre of Tragedy) pra tocar no novo trabalho? A idéia de ele escolher as músicas que tocaria partiu de quem? Vocês sabem quais critérios ele usou na escolha?

Dewindson – O Tommy é bem humorado e de grande talento, ele já havia gostado do nosso som que foi apresentado a ele pelo meu afilhado Cláudio Lago, que é grande amigo dele. Eu sempre gostei do Theatre of Tragedy, principalmente dos três primeiros discos, e assim que fiquei sabendo há alguns anos atrás que o Tommy estava morando no Brasil, pensei em chamá-lo para tocar na Ravenland, na época estávamos sem guitarrista, infelizmente na época não obtive contato com ele.

Depois, ficamos sabendo que o Tommy havia gostado da nossa música “Velvet Dreams” e começamos a manter contato com ele.

Camilla – Depois disso, eu sugeri o convite para o Tommy participar. Ele gostou da nossa música, estávamos cada vez mais próximos dele, que é uma excelente pessoa.   

Dewindson – Ele foi muito simpático e topou na hora em participar do disco, após conversarmos muito e eu perceber a sua ótima personalidade, eu ainda fiz o convite, se houvesse uma tour européia, se ele toparia tocar conosco, ele disse que dependendo da data ele nos acompanharia com o maior prazer.

Metal Clube - O Tommy não é um guitarrista do estilo virtuose, o que ele preparou? Dá pra revelar?

Camilla – O que ele compõe transmite toda a essência que já conhecemos no “A Rose for the Dead” e “Velvet Darkness They Fear”. Tanto que se você comparar os trabalhos posteriores do Theatre of Tragedy, percebe claramente a mudança com a saída do Tommy. Eu amo a época do Tommy no Theatre of Tragedy, apesar de também gostar muito do Aegis, que é o trabalho que vem logo após a saída dele. Ele consegue tocar a todos com sua melodia tão marcante. Nem precisamos dizer em quais partes está o que ele gravou, quem conhece, quando ouvir, logo irá perceber e era isso que queríamos, sentir a presença dele ali na nossa música, um toque de Theatre of Tragedy da época do Tommy. 

Metal Clube - Aproveite e nos conte onde foram feitas essas gravações, já que o Tommy é norueguês, e como foi o trabalho dele em estúdio?

Camilla – O Tommy está morando atualmente em Natal/RN, estamos sempre em contato com ele. Ele gravou lá mesmo onde está morando em um dos melhores estúdios de gravação local e foi tudo de forma bem tranqüila, pois ele mesmo escolheu e compôs tudo. Ele ficou a vontade para deixar a marca dele no nosso álbum, não queríamos limitá-lo e como imaginávamos tudo nos agradou muito.

Dewindson - As gravações foram feitas ao seu tempo, pois nós queríamos que ele colocasse nas músicas um pouco da sua alma e ele ainda nos disse que podíamos descartar algo que viéssemos a não gostar, mas sabíamos que o que ele viesse a desenvolver iria nos agradar. Então, o deixamos à vontade para escolher as músicas, no fim ele ficou muito em dúvida em quatro músicas que havia gostado, trabalhou em três e gravou duas (risos).

Metal Clube - O encarte do novo trabalho, terá versos escritos sobre a banda – baseados em seu nome, Ravenland, e no título do álbum. Vocês conseguem explicar como esse conceito de versos está ligado às composições, já que são autores diferentes?

Dewindson – Isto é que é legal, pois o título do álbum “... and a crow brings me back” e o nome da banda Ravenland, nos inspirou como banda e gostaríamos de ter a visão de uma outra pessoa, um expectador, mas ao mesmo tempo um artista também, mais especificamente agora um escritor, uma pessoa de fora que pudesse ler as letras, ver o título do álbum e o nome do disco e que isso inspirasse em descrever o mundo da Ravenland, melhor, a dimensão de “...and a crow brings me back”, a forma como visualiza o nosso universo e isso de algum modo teria uma ligação.

Metal Clube - Esses versos são de autoria do escritor português José Luís Peixoto, que ficou conhecido no meio Heavy por ter escrito o livro “Antidote” que foi lançado com o álbum de mesmo nome do Moonspell. Como vocês chegaram até ele?

Camilla Raven – O Peixoto nos contatou através do myspace e elogiou o nosso trabalho, ficamos muito contentes em saber que a nossa música o agradou, ele viria ao Brasil para divulgar o seu recente livro e nos sugeriu um encontro aqui em São Paulo. Marcamos, então, para conhecê-lo, fomos assistir a leitura que ele fez em uma livraria divulgando o seu trabalho. Surgiu um forte laço de amizade, ele se identificou com a banda, nós com ele, por isso essa parceria. Ele é um excelente romancista, considerado um dos maiores da atualidade. Seu trabalho mais recente é o livro intitulado “Cemitério de Pianos” que recomendo! 

Metal Clube - Quando e como será o lançamento do “... and a Crow brings me back”? Como a banda pretende trabalhar essa divulgação?

Dewindson – Houve um pequeno atraso devido ao Waldemar ter viajado durante um mês e meio, mas já está finalizado e acredito que no momento em que estiverem lendo esta entrevista nossa gravadora já estará com o disco na fábrica.

Além da divulgação feita por nossa gravadora, eu e a Camilla estamos divulgando ao máximo o trabalho através da net, acredito que a mídia também tem nos apoiado bastante na divulgação, tanto a mídia impressa quanto a televisiva e radiofônica assim como no Brasil e exterior.

Estamos recebendo contatos para viabilizar uma tour nacional divulgando o disco, lhes garanto que o show será de encher os olhos, pois estamos preparando uma bela produção de palco, claro que musicalmente também estamos ensaiando bastante para reproduzir tudo com perfeição ao vivo.

Metal Clube - Mudando radicalmente de assunto, o que vocês têm ouvido ultimamente? Principalmente fora do mundo do Metal Gótico.

Camilla – Hum... The Gathering, que não canso nunca de escutar, o novo do Moonspell, que está fantástico, Sentenced, sempre, Katatonia, Danzig, Behemoth, Black Sabbath, Cyndi Lauper e Emilie Autumn que também tem muita influência da Cyndi. E no momento, muitos musicais estão no meu playlist como a trilha sonora de “Sweeney Todd”, “Fantasma da Ópera”, entre outros que também estou estudando.

Dewindson – Bem, ultimamente tenho escutado muito meus discos antigos do Danzig, o Phantasmagoria do The Mist e o Into the strange do Mutilator, adoro estes discos desde os meus 13 anos de idade, o novo do My Dying Bride que está muito bom, voltaram a usar violinos, a coleção inteira do Sentenced devido ao recente falecimento do guitarrista Mika Tenkula, e como estamos no outono escuto com mais freqüência o Katatonia, o Diary of Dreams e o Depeche Mode.

Metal Clube – Sugestões de bandas e/ou trabalhos que os fãs do Ravenland devem ouvir.

Dewindson– Bom, para os fãs da Ravenland, eu recomendo a banda Beseech da Suécia, o Flowing Tears da Alemanha, acho que não precisa nem falar, mas o Moonspell de Portugal, The 69 Eyes, Lacrimas Profundere, Charon...

Camilla - São os que mais chegam próximo da nossa sonoridade, apesar da personalidade própria que fazemos questão de impor em nossa música.

Metal Clube - Nós do Metal Clube agradecemos, mais uma vez, pelo bate-papo e deixamos esse final aqui pra vocês falarem com nossos leitores e seus fãs.

Camilla – Agradecemos a todos que estão nos apoiando durante a nossa caminhada, mídia em geral, amigos, fãs e patrocinadores. Espero que o nosso álbum faça parte da vida de vocês e que vocês encontrem um pouco de si em cada letra, em cada música.

Dewindson – Gostaria de agradecer primeiramente ao Metal Clube pelo espaço cedido e o apoio que tem dado ao metal nacional, assim como a nossa patrocinadora Lady Snake, em especial a todos os fãs que têm comparecido aos nossos shows e elogiado o nosso trabalho através do nosso guestbook do site, nosso MySpace e Orkut.

Para entrar conhecer melhor o Raveland, para conhecer seu trabalho ou contato para show, acesse:

Site oficial: www.Ravenland.net

MP3 do EP “Back”: www.myspace.com/ravenland

Comunidade oficial da Raveland no orkut:
http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=7885931
 
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