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O Hazamat veio diretamente de João Pessoa para alçar voos altos no Rock nacional. Sua sonoridade autêntica, que mistura Pop, Rock, MPB, dentre outros estilos, tem chamado a atenção desde a divulgação de seu primeiro trabalho, o disco homônimo.

O Metal Clube conversou com Diogo Egypto (baixo e vocal), que falou sobre o processo de composição de "Hazamat", primeiro disco da banda! Não perca.

Metal Clube - A banda foi criada em 2010 após a extinção da banda Molestrike. Fale um pouco sobre o surgimento do Hazamat e quais eram as propostas naquela ocasião.

Diogo - Nós costumamos dizer que o Hazamat é a nova fase de uma velha ideia: o Molestrike. Os músicos são os mesmos, as referências praticamente às mesmas. Creio que o grande salto tenha se dado na construção de uma identidade para a banda.

A nossa proposta está mais consistente e bem definida hoje. Vários elementos que estavam presentes no Molestrike continuam presentes agora no Hazamat – os riffs e solos constantes, as 'terças' de guitarra, as harmonizações vocais etc. -, só que de forma mais organizada e lapidada.

Nesse movimento de "aparo das arestas" e reestruturação da identidade do grupo, surgiram também outras necessidades, como a definição de um vocalista principal. No fim das contas, a escolha de um novo nome serviu principalmente para assinalar essas mudanças e demarcar o início de uma nova trajetória.

Metal Clube - "Hazamat" é uma obra musicalmente enriquecida, pois reúne em um só trabalho diversos estilos musicais, tais como o Rock, Pop, MPB, dentre outros. Essa mistura e originalidade são consideradas pelos membros como o ponto forte da banda? Qual o grande destaque do primeiro disco?

Diogo - Não saberia dizer se é o ponto forte da banda, mas possivelmente é a característica que mais salta aos olhos (ou aos ouvidos!) daqueles que escutam o nosso som com atenção. Desde o início havia entre nós uma preocupação muito forte em fugir do convencional e não se prender às amarras de gêneros ou estilos musicais. Queríamos produzir uma música multifacetada, caleidoscópica, a qual pudesse refletir de alguma maneira as múltiplas influências e referências – musicais ou não - que cada integrante possui.

O Hazamat reúne MPB, Pop e Rock em um só trabalho 

Nesse sentido o nosso amigo e produtor Edy Gonzaga foi muito importante na medida em que nos ajudou a conciliar liberdade no processo de criação com um resultado sonoro coeso, consistente e bem direcionado em sua proposta. O fato de contar com canções tão distintas como "Miríades" e "Mazorca" em um mesmo disco é motivo de orgulho e uma das nossas maiores satisfações com esse trabalho.

Metal Clube - Hoje o cenário do Rock nacional, assim como no Heavy Metal, tem apresentado poucas inovações. O que falta, na visão de vocês, para a maioria das bandas que estão surgindo conseguirem atrair maior atenção?

Diogo - Acredito ser muito difícil, quase impossível, nos dias atuais, produzir algo completamente original em qualquer esfera da produção artística. O que fazemos hoje, a meu ver, é recombinar elementos e características de movimentos, escolas e tradições diversas. Talvez o segredo para produzir algo inovador (se não inovador, pelo menos refrescante) esteja justamente em descobrir como promover encontros instigantes a partir dessa imensidão de referências que temos à nossa disposição. Penso que qualquer criação artística deveria pautar-se por três objetivos principais: ser criativa, ousada e original.

Há outras preocupações, mas essas deveriam ser as maiores. Uma obra de arte que consegue apresentar boas doses de criatividade e ousadia acaba sendo, de alguma forma, original. Talvez não seja 100% original, totalmente inovadora, mas poderá abrir algum caminho, encontrar ou até criar um novo "lugar musical" ainda não ocupado. Não é tarefa fácil, mas qual seria a graça se o fosse (risos)?

Metal Clube - A banda carrega várias influências, desde o Pop até o MPB, tendo como ponto forte o Rock. Qual a grande preocupação da banda em estúdio para que o som não fique preso em suas influências e soe sempre original e autêntico?

Diogo - O trabalho em estúdio é sempre um processo delicado. Além da tensão e expectativa naturais com relação à gravação, muitas vezes rola aquele lance de buscar a medida perfeita – o take de voz perfeito, o timbre de guitarra ideal etc. Outra armadilha perigosa é o deslumbramento com as tecnologias e possibilidades múltiplas oferecidas pelos estúdios de gravação – o cara começa corrigindo uma coisa ali, depois corrige outra lá, põe um efeito exagerado em tal faixa, depois enche de sintetizadores a outra.

Daqui a pouco, a música vira uma colcha de retalhos, um "monstro" artificial, incapaz tanto de ser reproduzido fielmente ao vivo quanto de transmitir algo sincero e real às pessoas. Os recursos estão aí, são muitos e são ótimos, mas é preciso utilizá-los com inteligência e cautela.

Edy também nos auxiliou muito bem nesse quesito. Embora algumas faixas do disco até possuam instrumentos adicionais (violões, teclados, kaos pad), mantivemos a preocupação de não soar muito distante do que somos em um show. Ouvindo o disco, creio que conseguimos cumprir razoavelmente bem com esse objetivo.

Metal Clube - A banda disponibilizou "Hazamat" para download gratuito em seu site oficial. Tendo em vista que o som do grupo mostra vários estilos musicais, qual o público alvo da banda para conseguir maior reconhecimento por aqui?

Diogo - Produzindo uma música tão multifacetada, torna-se difícil fazer qualquer projeção com relação ao público que ela pode atingir. Temos adultos, pessoas na faixa dos 30, 40 anos elogiando e se identificando com o nosso trabalho, bem como jovens e até pré-adolescentes. Conseguimos atingir gente que curte um som mais extremo, gente que curte algo mais puxado para o pop.

 Hazamat: uma mistura de estilos que rendeu um bom trabalho de estúdio

Não é uma música que se destina apenas a um determinado tipo de público. Como estamos conectados ao Circuito Fora do Eixo é evidente que buscamos chegar aos ouvidos e despertar o interesse do público que curte outras boas bandas do Circuito, tais como Macaco Bong, Madame Saatan, etc. Creio que a melhor opção seja deixar o nosso som livre para circular por aí, construindo os seus próprios caminhos, sem rótulos ou preconceitos embutidos nele.

Metal Clube - Após dois anos da criação do grupo e bons comentários para seu primeiro disco, qual o balanço que vocês fazem dessa trajetória? A banda faria algo de diferente em seu segundo disco, por exemplo?

Diogo - A coisa tem caminhado muito bem até o momento. Nem parece que já se foram quase dois anos. Tudo tem acontecido de forma muito dinâmica e intensa para nós. Tomamos o cuidado de dar um passo de cada vez, não pular etapas, ir aprendendo e amadurecendo ao longo de cada uma delas.

Acredito que o crescimento de uma banda está intimamente ligado a esse processo, o qual leva gradualmente a um maior autoconhecimento - uma tomada de consciência mesmo a respeito do que você faz. Após tanto tempo construindo essa história juntos, gravando discos, fazendo shows e circulando por aí, temos uma boa noção do que somos, do que esse trabalho representa para nós e de onde queremos chegar com ele.

Temos trabalhado com afinco, especialmente desde o lançamento do disco, e é com muita satisfação que temos colhidos os primeiros frutos de todo esse empenho. De qualquer forma, ainda estamos só engatinhando. Espero que ainda venha muito mais por aí. Queremos explorar novos territórios no próximo trabalho, porém sem deixar de lado muitos dos caminhos que foram abertos neste primeiro disco. Já andamos discutindo também a incorporação de novos instrumentos, não só durante o processo de composição, mas também nas gravações e apresentações ao vivo – os teclados, por exemplo, se encaixam muito bem nessa ideia de ampliação dos nossos horizontes musicais.

A meta central é essa: crescer, experimentar, não se acomodar, não se repetir. Sendo assim, acho que dá para dizer que o próximo disco terá algo de diferente – o quê, exatamente, eu não saberia dizer, rs!

Metal Clube - Deixe um recado aos nossos leitores. O espaço é de vocês!

Diogo - Gostaria de agradecer imensamente ao Metal Clube pelo excelente espaço dedicado ao Hazamat – afinal, não é todo dia que um site bem conceituado e respeitado no meio nos brinda com uma maravilhosa resenha e uma entrevista inteligente como esta. Esperamos pintar por aqui mais vezes, sempre com boas surpresas. Quanto a você, que ainda não conhece o nosso trabalho, não fique marcando bobeira! Acesse o nosso site oficial www.hazamat.com e faça o download gratuito do disco.

O mesmo está licenciado sob Creative Commons, com o máximo de liberdade para a obra. Baixe, ouça, compartilhe! No site há também letras e cifras das músicas, links para as nossas redes sociais, vídeos e muito mais. Venha trazer mais significado ao Hazamat! Grande abraço, até a próxima!

 

Faça o download gratuito do disco "Hazamat", acesse o site da banda:

http://hazamat.com

Assista a faixa 'Última Noite' - ao vivo em João Pessoa, clique aqui.

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