| Dani Nolden - Shadowside | ||
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O Metal Clube conversou com a vocalista Dani Nolden, que falou sobre a repercussão do novo trabalho e relembrou momentos importantes da carreira da Shadowside, como shows na Europa e EUA, dentre outros. Acompanhe! Metal Clube - Após alguns dias do lançamento oficial de "Inner Monster Out" como você avalia a repercussão do novo trabalho? Em sua visão, qual é o grande ponto forte do material? Dani - Além da maturidade que a banda alcançou após as longas turnês no exterior, eu acredito que a união das caracterÃsticas dos nossos materiais antigos com as novidades que vieram naturalmente com a nossa completa ausência de medo de arriscar. Nós fizemos tudo que deu vontade, tudo que agradou a todos os membros, é um material que foi composto com prazer e sem um objetivo em mente, exceto fazer algo que todos nós na banda escutássemos e ficássemos orgulhosos do resultado. Por tudo isso, é ainda mais especial que o álbum esteja sendo tão bem recebido. Eu acredito que ele foi um choque, uma surpresa, tanto para os nossos fãs antigos quanto para o público que está chegando agora e isso é algo muito importante. Se você sempre faz algo que todo mundo espera, você acaba caindo na mesmice, sem evolução, sem impacto. Nós gostamos de manter a intensidade sempre em alta e provocar reações. Para mim, Heavy Metal sem sentimento e sem energia não é Heavy Metal! Precisa causar alguma coisa, de preferência explosiva! Metal Clube - A sonoridade da Shadowside em "Inner Monster Out" é pesada e mais moderna. Fale-nos um pouco sobre todo o processo de gravação do disco, que contou com a produção de Fredrik Nordström, e quais eram as grandes preocupações da banda antes do resultado final.
Banda Shadowside tem ganhado elogios com "Inner Monster Out" Dani - A preocupação era apenas sair de lá com o melhor material que fizemos até hoje e com um trabalho que pudesse "competir" internacionalmente. Estávamos completamente focados no álbum. A gravação foi fácil, divertida, sem qualquer tipo de estresse, tanto por estarmos todos com o mesmo objetivo quanto por termos um produtor de confiança. Fredrik nunca tirou o controle criativo da banda e soube arrancar a melhor performance que cada um de nós poderia oferecer naquele momento. Mais ou menos não é aceitável para ele! Tudo tem que estar perfeito! Então, quando ele dizia que estava bom, eu sabia que podia acreditar e não ficar buscando um resultado que nem eu mesma sabia o que era. Quando você está gravando por tantas horas, é fácil perder o rumo e não conseguir mais identificar o momento de parar ou quando algo não está bom o suficiente. Ele foi como o quinto membro da banda, porém com a visão mais objetiva e menos emocional, afinal ele não estava ligado à s músicas como compositor. Além disso, nós ficamos praticamente trancados no estúdio durante 3 semanas, foi literalmente a nossa casa durante a gravação. O frio e a localização em uma área industrial fizeram com que tivéssemos vontade de ficar dentro do estúdio o tempo todo, então era comum passar as madrugadas experimentando arranjos, melodias diferentes. No dia seguinte, estávamos cheios de idéias para colocar em prática junto com Fredrik. Foi a gravação mais produtiva que já fiz na minha carreira. Metal Clube - O disco conta com participações especiais de grandes nomes do Metal. Conte-nos um pouco sobre cada uma delas. Qual a intenção da banda ao recrutar estes músicos para "Inner Monster Out"? Dani - Nós sempre fomos completamente contra usar participações especiais para promover a banda, por isso nunca tivemos convidados especiais antes. Eu não tenho coisa alguma contra as bandas que fazem isso, acho uma estratégia válida para alcançar novos públicos, mas nós sempre achamos que isso não funcionaria para nós. Nós somos uma banda "estranha". Minha voz é completamente diferente das outras mulheres, nossa identidade está no meio dos subgêneros, não somos Power Metal, nem Metal tradicional, nem Metal moderno, nem Hard Rock, somos apenas Metal, com nuances de muitas coisas. Então nós sempre sentimos que precisávamos mostrar ao público quem somos primeiro, estabilizarmos nossa carreira para contar com convidados, isso se a música pedisse. Nós não querÃamos confundir o público. Se tivéssemos uma participação no primeiro álbum, serÃamos rotulados com base naquele convidado e nós querÃamos manter o caminho livre para nós mesmos descobrimos nossa identidade. Apenas agora, no terceiro álbum, sentimos a necessidade de chamar outros músicos. A letra de 'Inner Monster Out' é uma história meio Dexter/Hannibal Lecter, com o investigador lutando para não se tornar igual ao assassino e passa a escutar vozes, ir contra seus instintos, tentando se convencer de que está fazendo a coisa certa. Portanto, ficou evidente que precisarÃamos de convidados ou terÃamos que mudar a história. Conforme a música foi se desenvolvendo, pensamos em vários cantores e cantores que poderiam funcionar bem com o nosso som e tanto Björn "Speed" Strid, do Soilwork, quanto Niklas Isfeldt, do Dream Evil, foram unanimidades entre nós. As melodias foram feitas para esses tipos de voz, então pedimos a participação deles. Mikael Stanne não estava nos planos apenas porque eu não tinha como contatá-lo, afinal, ele é um dos meus vocalistas favoritos. Ele foi nos visitar no dia da gravação do Björn e acho que acabou se empolgando (risos). Ele gostou e disse que queria cantar também, o que deixou a música ainda mais especial. Eu acho que essas vozes tão diferentes juntas deixam ainda mais evidente como estamos criando algo nosso, fora de rótulos. Temos um vocalista de Death Metal, um de Death Metal melódico e um de Power Metal na mesma música, além de mim mesma, e todos combinam, nenhuma está fora de lugar. Eles deram algo interessante para a Shadowside, sem sair do que nós somos. Metal Clube - O que a banda pretende atingir com "Inner Monster Out" que não atingiu com o antecessor "Dare to Dream"? Dani - Nós não tÃnhamos algo especÃfico em mente, querÃamos apenas algo melhor. Uma gravação melhor, performance melhor, músicas melhores, assim como vai ser no próximo. O objetivo sempre é crescer, amadurecer, evoluir. Tudo que nós não considerávamos que era melhor que do "Dare to Dream" e "Theater of Shadows", nós descartamos. O que pensávamos ser do mesmo nÃvel nós procuramos melhorar. E mantivemos imediatamente o que todos na banda adoravam. A mudança de um disco para outro é que todos se envolveram em tudo no "Inner Monster Out". Estávamos caminhando para isso no "Dare to Dream", porém naquela época ainda prevalecia a democracia: se 3 gostassem, nós usávamos. Às vezes até se 2 gostassem. Dessa vez, nós recusamos isso. Se os 4 não gostam, não entra. Metal Clube - Existe a possibilidade de shows pelo Brasil? Falando nisso, o que a banda carrega de positivo das várias oportunidades de shows no exterior que surgiram ao longo da carreira? Dani - Sim, nós adoramos tocar aqui no Brasil! Existem possibilidades de shows em Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, no interior e na capital. Em qualquer lugar que tivermos convites, nós vamos tocar. Queremos muito tocar no Nordeste pela primeira vez e voltar ao Sul, visitar BrasÃlia, Goiás. Por mim, tocamos em cada canto do paÃs. Nós fizemos muito mais shows no exterior que aqui e enfrentamos todas as situações que uma banda poderia enfrentar, tanto no palco quanto fora dele.
Shadowside comemora o lançamento de seu novo clipe: "Traice of Trait" A Shadowside precisa do palco, nós somos uma banda feita para tocar ao vivo, é o que mais gostamos de fazer. A experiência de tocar para tantos povos diferentes é simplesmente inesquecÃvel. Você cresce muito como banda ao estar em um paÃs diferente a cada dia, praticamente sem pausas entre os shows, você passa a pensar apenas naquilo e a performance passa a ser cada vez mais natural, com confiança. Metal Clube - A versão nacional de "Inner Monster Out" possui o cover de "Inútil", faixa conhecida do grupo Ultraje a Rigor. Qual o motivo dessa escolha? Quais bandas do Rock brasileiro tornaram-se influência para a carreira da Shadowside? Dani - O Ultraje a Rigor é uma influência, não diretamente, mas não tem como não falar deles quando se fala de Rock no Brasil. Eu adoro a banda, acho as letras sensacionais e a idéia do cover partiu da nossa vontade de fazer uma música em português. Eu decidi não arriscar compor uma letra em português por precisar compor todo o resto do álbum e nunca fiz uma música na nossa lÃngua. Não é tão simples fazer algo legal em português, especialmente se você nunca fez antes, então vou "brincar" com isso com calma, com tempo. Talvez algum dia eu chegarei no resultado que quero. Portanto, a solução imediata foi um cover e o Raphael tocou um show especial com uma banda em Santos e eles fecharam com Inútil. Naquele momento, ficou óbvio que deverÃamos fazer uma versão bem pesada para a música. Quando mostramos para o Roger ele gostou e o convidamos para participar. Ele gravou em São Paulo e foi uma honra para mim. Ele é um Ãdolo, não apenas meu, mas do Brasil inteiro. Metal Clube - A Shadowside vem conseguindo grande crescimento no cenário nacional e com freqüência é rotulada entre os grandes nomes do paÃs. Há que vocês creditam essa rápida ascensão? Dani - A internet é uma das principais responsáveis. Com ela, nós pudemos espalhar a música rapidamente, além de manter a porta de comunicação aberta com os nossos fãs. Conseguimos mostrar o trabalho para o mundo inteiro, sempre com muita paciência. Nunca tivemos pressa para fazer um show como atração principal. Tocamos duas vezes no Rio de Janeiro, uma vez abrindo para o Helloween e recentemente para o Iron Maiden. Agora sim, estamos prontos para tocar no Rio como banda principal. Nós estamos sempre preparados e quando as oportunidades aparecem, fazemos nosso melhor. Esse é o segredo do sucesso de uma banda. Ela precisa estar sempre pronta. Se não estivéssemos prontos terÃamos sido forçados a recusar o primeiro show no exterior, no Indianapolis Metal Fest, a turnê com o W.A.S.P., o show com o Iron Maiden. Esses convites sempre apareceram em cima da hora e poderÃamos ter perdido essas chances se não estivéssemos constantemente ativos e motivados. Metal Clube - Você é uma das poucas mulheres que tem ganhado grande destaque no Metal nacional. Como você avalia a participação feminina na música pesada brasileira nos últimos anos? Dani - Acho que vou irritar as mulheres nessa resposta (risos). Eu sinceramente acho que precisamos de mais personalidade. A maioria das meninas quer ser a Tarja, a Angela ou a Amy. Eu tenho certeza que ganhei esse destaque todo quando comecei porque era diferente. No meu primeiro trabalho eu ainda era uma adolescente com muito para evoluir, mas tinha personalidade... Eu só queria ser eu mesma, fosse isso bom ou ruim. Tem muitas excelentes cantoras e instrumentistas aqui no Brasil e elas vão se destacar quando encontrarem seus próprios sons e quando todos os membros da banda que ela estiver forem especiais. Uma banda funciona como um grupo e todos os membros precisam ser bons e únicos de certa forma, do contrário uma cantora excelente é apenas uma cantora excelente em uma banda ruim. Creio que o motivo de não termos tantas mulheres em destaque é porque ainda existem muito mais homens interessados em ter uma banda de Rock ou Metal que mulheres, então, é natural que encontrar talento entre os rapazes seja algo mais freqüente. Metal Clube - Agradecemos a oportunidade! Deixe um recado para nossos leitores! Dani - Vocês podem esperar uma bela dor no pescoço, dor de garganta e vizinhos mandando você abaixarem o som (risos)! O álbum está bem nervoso, pesado e eu estou sinceramente orgulhosa dele. Este trabalho é o ponto alto na carreira da Shadowside na opinião de todos os integrantes da banda. Espero que vocês o curtam tanto quanto nós! Obrigada ao Metal Clube pelo espaço e até logo! Site oficial Shadowside: www.shadowside.ws Assista o clipe de "Traice of Trait", clique aqui. Â
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