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Escrito por: Rafael Oliveira
Considerada por muitos como o pólo da cultura do rock em Minas Gerais,o terceiro andar da Galeria da Praça Sete também é conhecido comoGaleria do Rock de Belo Horizonte.

Dentre as diversas lojas, encontram-se vários artigos destinados à temática rock n’roll em todas as suas vertentes (punk, gótico, metal, hard rock etc) tais como roupas, acessórios, piercings, tatuagens e especialmente CDs e vinis, sendo que uma boa parcela destes pode ser caracterizada pela sua raridade.  

Mais do que um aglomerado de lojas especializadas, a Galeria tornou-se, com o passar dos anos, um ponto de encontro para a reunião de amigos, divulgação de shows e bandas, além de ser reconhecida pelo bom relacionamento entre clientes e lojistas e pela presença constante de personagens que já se tornaram clássicas pela cidade e principalmente nos eventos de rock.  

Galeria do Rock: Belo HorizonteNão se sabe (ou não existe) ao certo, uma data específica que marcou o surgimento da Galeria como espaço destinado ao rock. Em pesquisa realizada por alunos de administração pública da Fundação João Pinheiro durante o ano de 2005 (*) , Cláudio, proprietário da loja Killers Records e que trabalha na Galeria há mais de 15 anos, contou um pouco sobre a origem do local. Ele afirmou que há mais de 40 anos atrás, instalaram-se ali dois comerciantes que, observando a ascensão do Rock e a inexistência de um mercado que atendesse esse estilo, acreditaram em tal investimento apenas com o intuito de promover uma relação comercial. Porém, essa relação, com o tempo, ultrapassou as barreiras, passando a gerar um contato maior entre vendedor e cliente. Bandas eram trazidas pelos lojistas, ampliando ainda mais o número de freqüentadores. Destaca-se também o respeito e a preocupação daqueles comerciantes em atender as diversas classes sociais visto que, como antigamente vendiam-se apenas os caros discos de vinil, eles copiavam as músicas em fitas K7 e revendiam mais barato para as pessoas de menor poder aquisitivo. Dessa forma aumentava cada vez mais o foco de atuação e a importância da Galeria da Praça Sete como reduto cultural de Belo Horizonte.  

Com o passar dos anos, mais lojistas dessa mesma natureza foram aparecendo e o reconhecimento do espaço atingiu a ala dos famosos. Cláudio afirmou que diversas bandas, dentre elas nacionais e internacionais, prestigiaram a Galeria visitando-a e cumprimentando os freqüentadores e vendedores durante sua história. Skank, Sepultura, Legião Urbana, 14 Bis e o cantor Michael Patton (ex-vocalista do Faith no More) constituem parte dos ilustres visitantes.

Apesar da diversidade de classes sociais e estilos presentes entre os freqüentadores da Galeria, conforme expresso por Cláudio ao dizer que “...dentre os meus clientes encontram-se desde marginais, estudantes, passando por médicos, advogados e, até, juízes de direito”, a pesquisa anteriormente citada tentou traçar um perfil geral dos visitantes, chegando a resultados que nos auxiliam a visualizar as principais características do público.

Concluiu-se que a maioria dos freqüentadores é do sexo masculino (68%), com idade até 23 anos (81%), ensino médio incompleto (45,2%) e moradores da própria Belo Horizonte (75,3%). Grande parte dos entrevistados freqüentam a Galeria em busca de cds e acessórios (72%), tanto para a compra ou apenas para pesquisa de preços.  

Em relação aos pontos positivos da Galeria ressaltados pelos entrevistados, destacam-se os artigos raros, a concentração de lojas de rock num mesmo espaço (facilitando pesquisas de materiais), além de ser um ponto de encontro entre pessoas e bom atendimento dos lojistas. Os negativos foram traçados como a pequena estrutura física do local, preços, e por ser um espaço dividido por um andar destinado ao hip-hop. Os entrevistados também afirmaram que a Galeria pode ser considerada como um espaço importante para a sociedade, principalmente por divulgar a cena do rock em BH.

Um ponto polêmico foi levantado pela pesquisa em relação à discriminação da sociedade com os freqüentadores da Galeria, e dos freqüentadores em relação a outros estilos musicais. No primeiro caso, 83,95% acreditam que a discriminação existe e se dá através de preconceito ou repulsa (evitar o contato com os freqüentadores), enquanto que no segundo caso, 63% acreditam que há discriminação dos freqüentadores, principalmente com o funk, hip-hop/rap, pagode e também de roqueiros com outras vertentes do rock (ex: black metal contra punk, punk contra metal melódico etc).

E então, você conhece a Galeria do Rock de BH?

“Nunca julgue uma pessoa que você não conheça. Pare para conversar comigo e, então, verá quem realmente sou.” (Cláudio – Killers Records)

* Pesquisa de cunho acadêmico, sem comprovação científica. Além do autor do artigo, participaram da pesquisa Lucas Haueisen, Philipe Maciel, Ramon Alves e Welson Kleiton.
Escrito por: Rafael Oliveira