O “Rei do Pop”, como era conhecido, planejava seu retorno aos palcos para uma série de 50 shows em Londres, a partir do dia 13 de julho.
Conforme notíciado, nem mesmo o esforço dos paramédicos foi suficiente para salvar a vida do astro. Michael Jackson recebeu uma massagem cardiopulmonar e durante uma hora passou por tentativas de reanimação, sem sucesso. Assim que a notícia do óbito começou a rodar o planeta, a comoção foi geral, unindo fãs, simpatizantes ou simples amantes de música em geral.
O músico, casado duas vezes e pai de três filhos, ficou mundialmente conhecido ao começar sua carreira ao lado dos quatro irmãos mais velhos no grupo Jacksons Five, em plena década de 60. Em carreira solo, Jackson conseguiu fazer história no mercado fonográfico com discos como “Bad” (1987) e “Thriller” (1982), esse último reconhecidamente o disco mais vendido da história da música. O Pop Star também ainda ficou marcado por ser o primeiro negro a aparecer na tela da MTV e por influenciar gerações de jovens com suas danças, entre elas o tradicional ‘moonwalk’.
A vida do astro também fez com que o mundo pudesse encarar a dura realidade problemática de Michael Jackson, acusado em 1993 de molestar um menor de idade. Diz a lenda que o cantor “resolveu” tudo com uma salgada indenização no valor de 20 milhões de dólares paga à família da criança. A sua constante ligação envolvendo casos com crianças levaria o astro mais uma vez ao tribunal, sendo inocentado de dez acusações por abuso sexual contra menores. Nunca é demais lembrar que em 1988, o cantor adquiriu uma propriedade batizada de Neverland, (alusão à “Terra do Nunca”, de Peter Pan, em que, na fábula as crianças nunca cresciam). A propriedade, localizada na Califórnia, possui um parque e um zoológico próprio e futuramente seria vendida para pagamento de dívidas contraídas pelo cantor.
Michael Jackson e Slash (ex- Guns n’ Roses)
Voltando a década de 90, o norte-americano descobriu que sofria de vitiligo, uma doença responsável pela perda da pigmentação natural da pele. Sem contar a inesquecível “brincadeira” de mau gosto feita pelo astro, quando em 2002, pendurou e balançou seu filho mais novo, Prince Michael II, do quinto andar da janela de um hotel em Berlim. Na ocasião, o astro receberia o prêmio “Bambi” e acabou pedindo desculpas pelo ato.
O Brasil já recebeu a visita do astro, que pisou em terras tupiniquins por três vezes. A primeira, na década de 70, ainda com o Jacksons Five. A turnê de 1974 contou com apresentações em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte e Porto Alegre.
Na segunda oportunidade, o astro levou mais de 100 mil pessoas em duas apresentações no estádio do Morumbi, em São Paulo. Em sua última visita, Jackson gravou o vídeo clipe da canção
‘They Don't Care About Us’, que contou com a participação da banda Olodum no Pelourinho, em Salvador, e cenas na favela Dona Marta, no Rio de Janeiro. Para não ser diferente, a gravação do clipe gerou muita polêmica na ocasião, já que existem rumores de que a produção do músico teria negociado o acesso à favela diretamente com traficantes.
O interessante dessa história é que o governo do Rio de Janeiro anunciou recentemente que vai erguer uma estátua do cantor em homenagem ao clipe da canção: “Vamos homenagear Michael Jackson, um ídolo da minha geração, com um espaço na favela. Vamos fazer ali uma escultura bonita para marcar sua passagem pelo Rio”, afirmou o governador Sérgio Cabral.
De 2000 para cá, Michael Jackson ainda ganharia prêmios que abrilhantaram sua polêmica carreira. Em 2002, o “Rei do Pop” foi considerado o artista do século pela American Music Awards, uma das maiores premiações da música norte-americana, e em 2008 relançou o mega clássico ‘Thriller’, que contou com a participação de outros grandes artistas. Em 2009, houve rumores que o cantor estaria com câncer de pele, conforme notíciado pelo tablóide britânico sensacionalista “The Sun”. A notícia foi desmentida pelo seu porta-voz que anunciou que Jackson estava em perfeito estado de saúde. Apenas algumas informações dentre milhares que rondaram a carreira de Michael.
A morte desse mito, que já vendeu 750 milhões de discos, movimentou a classe artística que admirava o astro. Pipocam na Internet declarações de outras estrelas. A cantora Madonna foi uma das sensibilizadas. “Não consigo parar de chorar. O mundo perdeu um grande artista, mas sua música vai permanecer para sempre”, afirma a cantora.
O vocalista Glenn Hughes foi mais um, dentre as centenas de artistas que se manifestaram após o falecimento de Michael Jackson. “Ele sempre será, um verdadeiro ícone. ‘Thriller’ foi uma das maiores obras primas de todos os tempos. Um dia triste para o nosso mundo. Descanse em paz”. Até o guitarrista Slash (Velvet Revolver, ex-Guns n’ Roses) deixou um recado na internet sobre Michael. “Realmente são notícias tristes sobre Michael. Ele foi um grande talento”.
Já anda sendo noticiado que o falecimento do astro aumentou consideravelmente a venda de seus discos. O mais procurado até então foi edição comemorativa de 25 anos de lançamento do clássico “Thriller”. As homenagens dos fãs pelo mundo não param. Em Los Angeles, fãs fazem vigília e montam murais com fotos do astro. No Canadá, já existe uma calçada feita em homenagem ao cantor. Nos Estados Unidos, fãs prestaram homenagem em frente ao museu da gravadora Motown, em Detroit, onde Michael deu seus primeiros grandes passos como artista.
O retorno aos palcos renderia mais de 50 milhões de dólares ao cantor, conforme a revista Billboard. Os ingressos de todos os shows já estavam esgotados e a turnê iria até 2010.
Um mito que se vai, um astro que, independente de estilos musicais, independente de preferências sempre será aclamado como um dos maiores artistas que o mundo já viu. Michael Jackson influenciou e continuará influenciando músicos em várias vertentes, inclusive no Heavy Metal, e movimentou milhões na indústria fonográfica com clássicos memoráveis. Deixemos imediatamente de lado qualquer restrição quanto a esse ou aquele estilo de música, afinal, quando falamos de uma lenda artística como Michael tudo deve ser deixado de lado. Vamos reverenciar o lado artístico fenomenal de um ícone que movimentou o mundo. Reverenciar aquele que uniu artistas brancos e negros em um ato pela fome na África, no megahit “We Are The World” – à época, acumulando 200 milhões de dólares; que foi o porta-voz de muitos junto a presidentes, reis e rainhas de nações; reverenciar sua música e sua arte.
Uma carreira que ficou marcada por sucessos e comportamentos estranhos, um astro que entrará na lista de inesquecíveis para o planeta, como John Lennon e Elvis Presley. Fica aqui nossa homenagem. Descanse em paz, Michael!
Colaboração: Guilherme Mitre