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O Heavy Metal diante do conceito popular Imprimir E-mail
Avaliação do Leitor: / 21
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Por Reynaldo Trombini   
21 de junho de 2009
O Heavy Metal é de longe um dos estilos musicais mais polêmicos do planeta. Para alguns, o estilo é recheado de mensagens satânicas, músicas barulhentas, visual carregado e muitos outros fatores pejorativos que tomaram conta do imaginário de boa parte da população, que rotula, erroneamente, o estilo como uma fonte inimaginável de pontos negativos.
 
De fato, alguns acontecimentos "bizarros" ou apenas simples ações cotidianas de astros da música pesada contribuem para essa visão e podem levar as pessoas a criarem algumas conclusões precipitadas sobre o perfil daqueles que são apaixonados por Rock e Heavy Metal. Um exemplo clássico disso é o episódio nada convencional entre Ozzy Osbourne e o morcego. Num show da turnê do disco “Diary Of A Madman” nos Estados Unidos, em 1982, o cantor apanhou um morcego de verdade atirado no palco pela platéia e, “pensando ser de mentira”, tascou uma dentada na cabeça do animal, arrancando-a totalmente. Ozzy inclusive foi submetido a um pesado tratamento anti-rábico para prevenção de raiva ou eventuais infecções. Tratamento esse que fez o Madman cancelar alguns shows daquela turnê.
 
Outro fato insano envolve a lenda de que Marilyn Manson retirou costela(s) para fazer sexo oral em si mesmo. Na verdade, a lenda, cultivada até hoje talvez pelo choque causado ou pelo marketing, já foi desmentida pelo próprio cantor, que disse na ocasião que até acharia interessante – declaração que provavelmente manterá a dúvida por ainda muito tempo. Isso sem contar o visual totalmente estranho e toda a parafernália estética adotada pelo Kiss, com maquiagens e vestimentas pra lá de diferentes, o mascote Eddie, do Iron Maiden, bem como a letra de “The Number Of The Beast” e muito mais.

Mas a idéia de que metaleiro adora fazer "baderna" e que é "rebelde", foi criada também por outros fatores. Um deles é a mídia, que pouco apóia o estilo, e quando se arrisca a soltar alguma manchete sobre acontecimentos ligados ao gênero, abusa de desconhecimento e apela para comentários que não condizem com a realidade. Muitos já devem ter visto matérias do tipo: "Estudos mostram que Heavy Metal incentiva motorista a dirigir em alta velocidade", ou então, "Jovens que ouvem Heavy Metal tem tendências suicidas e são agitados".

Os responsáveis por esses conteúdos, involuntariamente ou não, se esquecem de que os estudos se baseiam num gênero polêmico por si só e, logo, passível de um estudo gerador de ainda mais polêmica, porém, absurdamente preconceituoso. Se a intenção é fazer estudos em cima de qualquer tendência estética, comportamental, psicológica ou filosófica, é plenamente possível que se analise – ou até que se julgue – que existem motoristas embriagados amantes do Metal, do Forró, do Funk, do Axé, do pagode, das infindáveis tendências eletrônicas. O mesmo vale para jovens deprimidos ou com tendências suicidas.

Para tentar explicar e entender um pouco mais sobre qual é o real conceito do povo sobre o Rock e Heavy em geral, a equipe do Metal Clube foi às ruas de Belo Horizonte, ouvir algumas pessoas sem a mínima ligação com o estilo e de diversas faixas etárias, sem levar em conta classes sociais ou qualquer outra característica. O jovem Jorge Gabriel Simões, 17 anos, é apaixonado por Jazz e Blues e considera o Heavy Metal um estilo com muita história em sua bagagem e que possui um enorme legado de fãs no mundo todo, mas que deve ser visto apenas como um estilo musical e não como uma adoração. Ele afirma: “Essa adoração chega a tal ponto que o que era pra ser apenas música, acaba virando um produto alienador”.

Ainda falando sobre o perfil do público que acompanha o Heavy Metal, o jovem vai mais além. “Lembrando também da falta de respeito que a maioria tem por outros estilos musicais, que muitas vezes eles até mesmo desconhecem e começam a tratar os simpatizantes ou mesmo fãs de modo inferior e irônico. Só porque os outros curtem outro estilo, são considerados inferiores ou que tem pouca personalidade. Está na hora de mudarem o modo de pensar e agir e começarem a aceitar que não é só o Heavy Metal que tem uma história e um legado de fãs”.

Em contrapartida, Carla Andrade, 35 anos, entende a forma como os “bangers” se comportam. Para ela, trata-se de um público normal como qualquer outro, “que tem a sua forma de expressar e às vezes é mal interpretado”. Carla, fã de MPB e música clássica, acha que o baixo apoio da mídia ao Heavy Metal se deve a opiniões ainda nebulosas por parte das pessoas: “Essa falta de apoio se deve a uma visão onde ligamos o Heavy Metal a rebeldia e algo vindo do “ocultismo”.

“O Metal não é tão comercial quanto os outros estilos, que se adaptam ao longo do tempo. Metal é Metal e ponto final. A mídia gosta de moldar. É difícil fazer isso sem mexer na essência do que o Metal representa para os fãs e para o mundo!”, argumenta Rafaella Andrade, 20 anos, estudante.

Rafaella não possui um estilo de música favorito, mas preza por canções com boa letra e melodia. Sendo assim, não poderíamos deixar de perguntar a estudante o que ela acha mais interessante nas músicas de Heavy Metal: “Não há melhor ligação entre a guitarra e a bateria do que no Metal. É algo surpreendentemente mágico!”

Existem aqueles que eram fãs de Heavy Metal, e atualmente largaram o estilo por alguns fatores negativos. “Dentro do Heavy Metal existem músicos excepcionais e alguns muitos bem preparados academicamente. Em grande parte são músicas de extrema qualidade. Disso eu gosto muito, mas não me atrai as letras que falam de adoração à morte, violência, caos. Já fui fã por muitos anos e estes fatores, dentre outros, me fizeram afastar”, diz Marco Malfatti, 23 anos, que não acha interessante encarar o Heavy Metal como estilo de vida.

Sobre isso, ele afirma: “Não tenho preconceito, mas por ter estado nos dois lados, acredito que o preconceito maior parte do público do Heavy Metal para com os demais. Encarar o estilo de música como um estilo de vida para mim é um exagero ou algo desnecessário. Com relação ao apoio mínimo da mídia ao Metal, acho que o comportamento de alguns fãs mais fervorosos em não aceitar se misturar aos demais acaba bloqueando eventuais apoios. Querer ter algo exclusivo em um meio ainda preconceituoso não é o melhor caminho.”

Uma coisa é fato: o Heavy Metal é um dos estilos mais polêmicos do planeta, que está vivo há décadas, sendo seguido por uma legião imensurável de adeptos, proporcionando acima de qualquer ponto negativo, alegria e diversão; algo que poucas pessoas conseguem descrever com palavras! Já dizia um camarada bastante conhecido, de nome Ronnie James Dio: “Long Live Rock n’ Roll!”.
 
Contribuição: Marcos Paulo Fernandes e Guilherme Mitre

 
Comentarios (17) >>

Fessor puto com aluno said: _

  com nóis não
outubro 22, 2009

Quero Bolsa said: _

  Os metaleiros são legais...
Ele bebe com nóis!
outubro 22, 2009

Dona Neusa said: _

  Eu sou o lion!!!
outubro 22, 2009

BRITS said: _

  Voces tem know how?
outubro 22, 2009

Primo emo do Metalison said: _

  Euuuu? Podri é vc qui dá a bunda affe
outubro 22, 2009

Honey said: _

  Ce é podre menino
outubro 22, 2009

Primo emo do Metalison said: _

  Affeee! Metaleirooxxx saum todoxxx viadusss Pau no -- delis! Simple Plan 4ever
outubro 22, 2009

Gordinha sensual said: _

  IAEEE GENTEE
outubro 22, 2009

Metalison said: _

  Metal é o que há, já é? Esse Allan tá de brincadeira...apostu que não pega ngm...Eu virei do metal, pq us doido do metal pega muié demais, já é?Metal is the law! GZN comanda!
outubro 22, 2009

Allan Siao said: _

  ISSO É COISA DO CAPETAA, QUEIMA SENHOR
outubro 22, 2009

THIAGO said: _

  Também sou fã incondicional do Heavy Metal. Mesmo assim, não sou sugestionado a agir da forma que prega parte considerável das letras e atitudes de muitos neste nicho e nem deixo de ouvir outros estilos que me agradam lírica e musicalmente. O que realmente deve ser considerado é que, como em qualquer expressão artística humana, existem extremos. Deve-se ponderar e usar de bom senso pra captar a essência da música, que é o que importa nisso tudo. Os entevistados não condizem com aquilo que foi enunciado na matéria: pessoas alheias ao estilo. Contudo, vale comentar algumas coisas. A alienção e o preconceito, citados por um entrevistado, são problemas sociais não-exclusivos do Heavy Metal; vide como sertanejos e pagodeiros adotam as mesmas atitudes supracitadas.
agosto 09, 2009

rubens said: _

  muito boa a materia. gosto do som, mas eu vivo em um mundo que e impossivel me fechar hermeticamente sem alienar das coisas do mundo. Existe um universo de coisas diferentes. Redefinir velhos conceitos e sempre importante para nao se tornar obsoleto> " I will redefine anywhere I roam" "Speak my mind anywhere".
julho 13, 2009

Márcio Cunha said: _

  Li a reportagem guiado pela proposta de consultar o que pensam pessoas "sem a mínima ligação com o estilo e de diversas faixas etárias, sem levar em conta classes sociais ou qualquer outra característica", citando o próprio texto. Se pessoas com esse perfil descrito acima foram realmente entrevistadas, o depoimento delas não está ai. Os entrevistados tem entre 17 e 35 anos, e todos demonstram ter um conhecimento sobre o heavy metal, já tendo ouvido antes e de forma não superficial. Eu mesmo tenho 39 e sou um total adepto do heavy metal. Achei que ia ler depoimento de pessoas mais novas e mais velhas, e que são alheias ao estilo.
junho 26, 2009

luciano campos said: _

  ja estava demorando pra aparecer esse tipo de "pesquisa" popular,parece que os "headbangers" ou qualquer outro nome pejorativo, querem ,ou precisan saber de uma certa aceitaçao, ou do tipo, eu sou roqueiro mas posso ser aceito nos outros meios sociaisouolha como eu sou legal olha como eu sou radical musicalmente falando , sou diferente mas tambem gosto de namorar patricinhas e afins,saibam de uma coisa e ponto final, o metal existe para nossa e unicamente para nossa diversao!
junho 25, 2009

Gabriel Canoro said: _

  Ótima iniciativa, matéria muito legal! Porém, não concordo quando disseram que o maior preconceito vem por parte do público do Heavy Metal, por alguns motivos:
-O povo em geral critica o públlico Heavy Metal por ser cabeça muito fechada. Duvido que exista algum fã de Heavy Metal que nunca tenha ouvido a seguinte frase: 'Você tem que abrir a sua cabeça, ouvir outros estilos, coisas diferentes.' Acho isso engraçado, pois eu nunca vi alguém falar isso para um fã de Sertanejo, Pop ou Samba, sendo que geralmente é esse mesmo público de música em geral que faz cara feia para o Heavy Metal quando perguntado se gostaría de conhecê-lo.
-O preconceito parte de todos os lados e ninguém está a salvo disso. Existe público para todo o tipo de música. O que falta é mais conhecimento e respeito mútuo, sem um ficar apontando o dedo na cara dos outros impondo o que é bom ou não é, seja Rock, Samba, Jazz, o que for.
Obrigado, e parabéns pela matéria novamente!
junho 23, 2009

RIVA said: _

  Assunto polêmico porém necessário, sou amante do Rock e Heavy Metal, mas nem por isso tenho cabelos compridos, não uso brincos ou piercing, nem tatuagem, não tenho nada contra aos adébitos, e gostaria que não houvesse preconceito de modo algum, e que a única coisa que deveria importar era a música, como forma de diversão. Acho também que as drogas e muitas coisa que os ídolos falam tem contribuído de forma negativa para a pouca divulgação na mídia
junho 23, 2009

Paulin said: _

  Excelente assunto Reynaldo! Matéria muito boa! Só acho que deveriam ter colhido depoimentos de gente mais povão também. Esqueceram de mencionar que as drogas e bebidas estão entre as coisas que mais pesam contra o Metal. Muitas vezes ouço: "Metaleiro é drogado e bêbado." Sem generalizações, mas há uma verdade embasando isso. Quantos ídolos nossos abusaram de drogas pesadas e beberam muito? Ex: Metallica, Guns, Ozzy etc. Alguns ainda continuam com seus vícios até hoje. Muitos metaleiros também fazem apologia à bebida. Apesar disso existe droga e bebidas em qualquer lugar da sociedade. Mas o preconceito ficou. Até um coisa boba dos tempos do Sepultura, de que o metaleiro não toma banho, existe. hahahhhah
junho 22, 2009
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