Caro leitor, o Metal Clube se reserva o direito de retirar mensagens ofensivas, abusivas, publicitárias ou fora dos temas publicados. O Metal Clube não se responsabiliza pelo conteúdo das mensagens enviadas pelos visitantes, sendo que o limite por comentário é de 1000 letras. Alguns comentários poderão não ser publicados imediatamente por algum motivo incomum ou por haver palavras censuradas, Caso ache necessário entre em contato com nossa equipe pelo e-mail Este endereço de e-mail está sendo protegido de spam, você precisa de Javascript habilitado para vê-lo


O cenário Heavy Metal e seus pontos negativos - 2ª parte Imprimir E-mail
Avaliação do Leitor: / 10
PiorMelhor 
Por Ariane eFerreira   
13 de junho de 2009
Trazendo uma sequência à série de artigos sobre os lados negativos do cenário Heavy Metal, vamos falar de uma parte delicada em todo este processo: os fãs. Eles são quem ditam todas as regras do mercado fonográfico, agenda de shows, estilos e ritmos do momento, temas abordados em editorias específicos, como este, e tudo mais que o cenário Heavy Metal pode ter.

O problema é que a maioria dos fãs desconhece ou faz mau uso deste poder. 

Antigamente amava-se o Metal cegamente e os ídolos, como na maioria dos estilos musicais, estavam acima de qualquer suspeita e o que literalmente interessava era a música. Não havia o advento da internet, o contato era mais distante, o ser fã era relativamente mais caro.

A informação sobre o que vinha de fora e o que estava aqui dentro eram obtidas através das poucas revistas especializadas. Sem contar os poucos pontos de encontro e o preconceito enfrentado por todos. Não que hoje em dia não exista preconceito para com o Metal, mas ele é bem inferior ao vivido duas décadas atrás.

O fã de Metal tinha o estereótipo bem definido: era aspirante a musicista, alfabetizado, de classe média, normalmente falava outro idioma e não estava nem aí, ou fingia não ligar, para os rótulos que conquistava. O “metaleiro” corria atrás, frequentava shows em lugares pequenos, muitas vezes escondidos, gastava uma boa grana com revistas e fanzines, a troca de informação e conhecimento da música vinha, muitas vezes, por meio de gravações em fita K7 e a busca pelo disco era um martírio, mas nada impossível de ser superado.
Não, não estamos afirmando que muitas destas coisas não aconteçam hoje em dia, o que mudou mesmo foi o comportamento dos “headbangers”, “metalheads”, “metaleiros” ou como preferirem.

O aspirante a musicista hoje é um grande entendedor de técnicas musicais, ele critica, muitas vezes deprecia o trabalho de profissionais, na maioria das vezes, muito capacitados de maneira infundada e sem argumentação, talvez pelo simples prazer de dizer que “fulano” ou “beltrano” é incompetente, ou não é tão bom quanto o “sicrano”. Não estamos afirmando que não se pode fazer críticas, nós fazemos isso aqui no Metal Clube o tempo todo, o problema é a forma como estas críticas são feitas.

Na quarta década de vida do Metal, todo mundo entende de tudo, a guitarra deixou de ser um instrumento estudado pela maioria e tocado, verdadeiramente, por poucos para ter muitos estudantes cheios de técnicas, feeling, velocidade, etc, eles são os tais “conhecedores mestres”. O ser guitarrista tornou-se chacota, pois ‘o cara sempre é bom, mas pior que “fulano”, pelos motivos X e Y’, nenhum pouco relevantes.  

O baixo deixou de ser parte da cozinha da música para ser a parte dispensada, não ouvida, sem técnica, peso ou velocidade. O baixista deixou de ser tímido e ‘esquisitão’, agora é um guitarrista que não deu certo.  

A bateria agora só importa pelo tamanho, quanto mais peças melhor, não importa se serão usadas - alguns fãs nem conseguem distinguir suas sonoridades - mas sua imponência é necessária. O ser baterista agora é batuqueiro que só é bom se for ‘no bumbo duplo’, porque é mais difícil tocar assim.  

E o vocalista? Ah, o pobre vocalista! Hoje ele é um cara que só usa a voz mal impostada, canta desafinadamente todo o tempo e se não alcança determinados agudos não é bom mesmo. Virou lenda o período em que além da guitarra, uma voz harmoniosa era a identidade das bandas, hoje todos têm que cantar em um determinado padrão “sustenido”, há uma busca incessante por uma perfeição humanamente/biologicamente impossível e tudo fora deste padrão é péssimo, inaudível.

Pareceu radical, mas é assim que os músicos são cobrados hoje em dia. Na verdade essa é uma parte da cobrança atual. Como bem disse Rafael Bittencourt (Angra) em entrevista ao Metal Clube ano passado, a outra parte da cobrança vem do período no qual vivemos, onde “o fã está mais interessado em saber o que o artista faz, o que ele come, a que horas faz isto, aquilo e com quem do que em ouvir música”. Isso mesmo o Metal virou muitas coisas, dentre elas uma grande roda de fofocas.

Tomando o próprio Angra como exemplo, quem tem algum tempo de vivência no cenário vai conseguir refletir e se lembrar que há alguns anos a banda era sinônimo de competência e talentos somados em uma música para orgulhar todos os brasileiros. Hoje, fazendo o mesmo trabalho, a banda é tida como competente, mas têm que viver sob a sombra de seus, também talentosos, ex-membros, nunca estando tão boa quanto na época do “Holy Land”. Não dá pra discutir a qualidade deste trabalho, mas quantos são os fãs que viveram esta época, a “áurea”, acompanhando o Angra e fazem esta afirmação, sem considerar pormenores plausíveis, como os trabalhos Rebirth e Temple of Shadows? – Só considerando o que for posterior.

Cobranças, principalmente em bandas de ‘nome’ e com troca de formações são comuns, mas o que acontece atualmente passa o limite da razão musical, os fãs permanecem fãs para depreciar novos membros. Vale lembrar que esta depreciação é igualmente levada às novas bandas de membros desertores e para os projetos paralelos. É como disse o baterista do Karma e Bittencourt Project, Marcell Cardoso, em entrevista ao Metal Clube em março deste ano: “o cara “metaleiro” tem que tirar esse troço de que o artista só pode tocar em uma banda”, naquela banda. O talento devia ser entendido, assim como o apoio.

Seguindo este pensamento, ainda existe aquele fã que não gosta de bandas locais. Vamos explicar melhor utilizando um exemplo dado pelo vocalista do Revolution Renaissance, Gus Monsanto, “a galera abre um exemplar da Rockhard, por exemplo, e se existe uma foto de uma banda com o visual meio escroto falam: ‘deve ser francesa essa banda’”. O exemplo dado por Gus é bem comum na França, cenário que ele conhece bem, mas o cantor acredita que está é uma realidade muito peculiar aos povos de cultura latina, como a do Brasil, França, Espanha, Itália, etc.  

Este tipo de reação é muito mais comum do que você pensa, é um estereotipo já absorvido pelo público. Exemplos de que este pensamento está bem vivo são turnês, com um público bem pequeno, “Metal Cristimas” das bandas Andre Matos e Hangar, o Via Funchal longe de sua lotação na turnê que une “Sepultura e Angra” e o fracasso de público em festivais, como o já extinto BMU (Brasil Metal Union). Não há alguém que assuma, mas o pensamento que paira no ar é: “é mediano ou ruim, é nosso”. Será mesmo? Toda essa “desconfiança” gera uma enorme falta de apoio aos artistas, principalmente aos que iniciam carreira neste meio.  

A venda de discos caiu drasticamente no país e a culpa não é somente do MP3 e das cópias, como já afirmamos aqui, antigamente se copiava discos em fitas K7. A diferença está na falta de consumidores, são poucas as pessoas que perdem horas e horas nas lojas de disco procurando algo com uma capa legal ou um nome diferente. Poucos são os que adquirem os discos que conhecem e gostam.

Com o advento da internet ficou fácil conhecer novos trabalhos, o MySpace é mesmo uma maravilha, mas o que isso trouxe ao cenário metálico é a praticidade com a qual pode-se descartar um produto. Antigamente ouvia-se um disco inteiro para conhecer a banda, hoje uma música basta. Entretanto, todos nós sabemos que todos os artistas, mesmo os nossos favoritos, produzem músicas que não nos agradam ou até discos inteiros. Nesta levada, muitos perdem a oportunidade de conhecer um novo talento e a maioria dos artistas passa a se preocupar com o visual, pois ele atrai público e é o primeiro meio de contato da internet, deixando de lado a música, que também fica de lado para boa parte dos fãs.

Sem a venda de discos espaços como a Galeria do Rock em São Paulo ficam menores, com poucas lojas do ramo, a frequência piora e claro diminui o número de pontos de encontro. Com poucos discos à venda, as gravadoras e selos independentes perdem força, pode não transparecer, mas muitas turnês, parcerias e grandes shows só se tornaram realidade com o apoio delas ou parcerias entre gravadoras e produtoras. Sem este lucro, por vezes gritante, para as gravadoras falta dinheiro para investir nos novos trabalhos de artistas consagrados, e acaba a oportunidade de financiamento para novos trabalhos, isso inclui sua banda de garagem ou a do seu amigo.  
Ainda sem a estatística de vendas dos álbuns, mesmo em versão MP3, fica difícil para as produtoras acertarem o passo e contratar o artista, principalmente estrangeiros que você quer ver na sua cidade. Isso faz decai a qualidade dos shows e as vezes faz com que as produtoras enumerem de uma única vez todos os shows que você quer ver, fazendo com que o fã em um país como o nosso, tenha que optar entre X e Y.  

Em contraponto ao passado, o “metaleiro” hoje liga e muito para o título que vai conquistar junto aos amigos, colegas, inimigos e a sociedade no geral. Ele precisar ser do “Metal Melódico”, do “Gótico” ou do “Thrash”, nunca de dois ou três estilos ao mesmo tempo, ele é uma coisa só e não pode ter contato com outras. Por isto, o Angra e o Sepultura não deviam tocar juntos.

Bom, pensamentos pequenos como estes e muitos outros corriqueiros ao nosso dia-a-dia estão matando o estilo musical que tanto gostamos. É dada a hora de o público brasileiro unir forças em prol do próprio cenário para que ele fique forte e atraia os grandes nomes do exterior, para que cada dia mais bandas surjam do tipo exportação. Mas como o cantor e produtor Thiago Bianchi (Shaman e Karma) disse em entrevista ao Metal Clube ano passado, é necessário que haja uma união de verdade e ela começa por você, com você mesmo.

Boa sorte ao Metal Brasileiro! O Metal Clube segue aqui tentando fazer sua parte! 
 
Comentarios (12) >>

Pedro said: _

  gente nao se esqueçam... somos terra de bandas influentes lá fora! sarcofago , sepultura, angra , torture squad, krisiun, etc eetc...
o que mata nos "metaleiros" atuais é que nao se vive com a paixao do "headbanguer" dos anos 80. alem de muitos serem " posers" pq ser metal é ser do mal...pow nada a ver...tenho amigos de todos os estilos... bem a materia ai em cima é mto certa!
janeiro 07, 2010

rachel said: _

  A musica em primeiro lugar,se a musica é boa naun interessa se "thrash","melodico"ou "gótico"!
novembro 13, 2009

naum interessa said: _

  OdeiiiiiiooooooooooooooooooO havy metal... e tenhu uam amiga ki é metaleraaa e eu odeio ouviir essa choradeiras e berros ki vcs chamam de musica...v~~ao ouvir Chris brown (isso ki é msk di vdd)
setembro 16, 2009

ereswaldo said: _

  o metal brasileiro ta precisando de uma banda legal que faça renascer o verdadeiro metal de metallica, iron maiden, megadeth, slayer.
agosto 29, 2009

Jeff Endemya said: _

  O angra uma banda que mostra que nos brasileiros somos bons no Heavy metal TB...
agosto 27, 2009

Bruna-Endemya said: _

  maravilhosa materia!
so queria saber oq vc acha sobre o metal com letras em portugues?!
agosto 26, 2009

Henrique_Bass said: _

  muito interessante essa materia. Infelizmente essa eh exatamente a realidade. o duro eh ter q ler algums comentarios... Eis a realidade do cenario metal, que temos que enfrentar. Mas como disse o Thiago Bianchi, a mudança tem q partir de nós mesmos.
julho 15, 2009

So Metal said: _

  PQP. Falar que Angra não é metal é a mesma coisa que dizer que a Terra e quadrada.
junho 30, 2009

Viegas said: _

  Angra é metal sim... e esse otário é a prova do que o artigo disse...vai ouvir nx0
junho 17, 2009

Von Baco said: _

  E desde quando Angra é metal?
junho 16, 2009

poliana lady dark said: _

  eu amei sua materia!!
parabens eh exatamente assim q eu penso
junho 16, 2009

Paulin said: _

  "Com o advento da internet ficou fácil conhecer novos trabalhos, o MySpace é mesmo uma maravilha, mas o que isso trouxe ao cenário metálico é a praticidade com a qual pode-se descartar um produto." Não só o Myspace, mas o download ilegal também. Baixa-se o álbum inteiro de uma banda nova, ouve-se 1 ou 2 músicas e não gostando, então é apenas deletar aquele álbum e dizer que a banda é ruim. E vamos ao próximo link...
junho 14, 2009
Escreva seu Comentario


Escreva os caracteres mostrados


busy
 
27 visitantes online