Entrevistas
Rodrigo e Lucas - Avoid the Pain | Rodrigo e Lucas - Avoid the Pain |
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| Por Reynaldo Trombini | |
| 12 de junho de 2009 | |
Minas Gerais é reconhecida por revelar eternas e imortais lendas do
Metal Extremo nacional. Foi da capital mineira que surgiram nomes como
Overdose, Sarcófago e o Sepultura. Em pleno 2009, o celeiro de bandas
mineiras continua revelando gratas opções.
Uma dos destaques belorizontinos é a banda Avoid the Pain, que trabalha arduamente na produção final do primeiro disco oficial. Para contar os principais detalhes do momento vivido pelo grupo, o Metal Clube conversou com o guitarrista e vocalista Rodrigo Arruda e o guitarrista Lucas de Oliveira.
Metal Clube – Olá pessoal! Após muito tempo, é a primeira vez que conversamos com o Avoid the Pain. Toda nossa equipe agradece a oportunidade e disponibilidade. Rodrigo – Saudações galera do Metal Clube! Nós é que agradecemos a possibilidade de conversar com vocês e dar aos freqüentadores do Metal Clube a oportunidade de conhecer melhor o trabalho do Avoid the Pain. Lucas – Opa. Valeu pessoal do Metal Clube pela oportunidade e aproveitar para agradecer às pessoas que estão lendo esa entrevista. Metal Clube – A banda é formada em 2006, e após dois anos disponibilizou sua primeira demo, batizada de “...About Blades and Graves (2008)”. Após um bom tempo de divulgação, qual o resultado que a banda consegue tirar do seu primeiro registro, que contém apenas três faixas? Rodrigo – A formação da banda se estabilizou de fato em 2007. Entre essa época e o lançamento da demo, foram apenas 2 shows. Depois do lançamento, foram 15 shows em 10 meses, tocando em BH, interior de minas, e em São Paulo. Além disso, as reviews foram tão positivas que colhemos os frutos até hoje. Mesmo antes de lançarmos o debut já temos algumas datas fechadas, justamente em função dessa boa repercussão. Lucas – Na verdade para termos um bom registro precisamos de fatores além de algo bem gravado, é necessário um trabalho de divulgação e busca por shows que possam divulgá-lo. Quando gravamos e fizemos as cópias do EP não esperávamos que em mais ou menos cinco ou seis shows elas acabariam rapidamente. Foi algo muito positivo para nós e que também abriu os olhos de bons contatos, tanto que quando começamos a conversar com a Free Mind Press (hoje Metal Media Manegement) eles não só nos conheciam, como possuíam uma cópia do nosso EP. Então, em suma, o que nós tiramos do Ep foi uma boa divulgação, uma quantidade boa de shows, o EP totalmente vendido e um contrato com uma assessoria de imprensa de excelente qualidade.
Rodrigo – Estamos, de fato, trabalhando na pré-produção. Rearranjando algumas coisas, testando novos timbres e deixando tudo redondinho para gravar. Pelo fato de eu estar morando fora de BH, temos nos encontrado com menos frequência, mas as datas para a gravação já estão fechadas para julho. De qualquer forma, só de pensar em entrar de novo em estúdio e poder divulgar essas novas pedradas já deixa a banda animada. Lucas – Tem sido um processo bem difícil, estávamos com um pequeno problema de direcionamento do CD, tanto para definir quais musicas iriam entrar no álbum e quais iriam ficar de fora por questão de fazer uma produção excelente dentro dos limites de orçamento que a banda possui. É meio difícil quando se tem um numero bacana de composições e querer que todas entrem no CD, mas agora creio que no final de Julho e início de Agosto esteja tudo pronto. Metal Clube – Podemos dizer que o próximo disco será uma continuação do EP “...About Blades and Graves”, ou a banda pretende mostrar novos direcionamentos na sonoridade? Como vocês têm sentido o impacto das novas faixas? Rodrigo – Não digo que será uma continuação, mas as músicas não enveredam para algum outro estilo. Veja bem, os temas da banda são de certa forma unidos por alguns conceitos, como conflitos mentais, solidão, sofrimento, que, em muitos casos, levam à loucura ou à morte. Com relação aos arranjos, o debut promete ser bem mais agressivo que o EP. Lucas - O “...About Blades and Graves” possui composições que existem antes mesmo do Avoid The Pain existir, na antiga banda do Rodrigo e Pedro, então elas foram compostas antes de 2006. No nosso novo CD, possuímos composições de 2007 para frente, então certamente há uma pequena diferença de sonoridade. Mas não será novidade para os que já viram o show do Avoid The Pain, pois as musicas estão constantemente em nosso set list. Metal Clube – Minas Gerais é reconhecida por revelar eternas estrelas da música extrema do país, entre elas Sarcógafo, Overdose e o Sepultura. Porém, em outros estilos a capital não consegue atingir com o mesmo impacto do Metal Extremo. Conseguem enxergar algum motivo para isso ou não existe uma real explicação? Rodrigo – Certa vez eu vi um vídeo em que o tema era “como o ambiente afeta as composições de alguém ou um grupo”. Muitas das bandas mais agressivas vêm de onde existe algum tipo de fator social degradante ou fatores naturais extremos e ambos provocam rebeldia ou promovem algum impulso mais agressivo. Exemplificando, é muito mais lógico um metaleiro que rala todo dia e tem dificuldades se identificar com um som que tenha um tema mais palpável, é agressivo, possibilita a liberação da raiva do dia-dia do que cantarolar sobre espadas e dragões, algo que foge um pouco do contexto da vida do cara. Na Escandinávia os índices sociais são ótimos, mas ficar 6 meses na penumbra afeta a mente de uma pessoa. Por isso também temos muitas bandas do estilo oriundas daqueles países. Concluindo, a respeito do Brasil, acho que o país como um todo exporta, proporcionalmente, mais bandas de metal extremo do que de outros estilos. Vide, entre outras, Krisiun, Torture Squad, Eminence que, constantemente, fazem turnês no exterior. Lucas – A resposta está na pergunta. Principalmente com o sucesso do Sepultura, Minas Gerais é visto como terra do metal extremo. Não sei se acontece com todas as bandas daqui, mas quando fomos a SP tocar, cada paulistano que nos conheciam faziam questão de frisar isso. Existem bandas de outros estilos com qualidade? Existem, mas para ter um impacto no mesmo nível elas necessitariam de alguma banda ícone para que isto possa ocorrer. Metal Clube – Ainda falando sobre bons nomes de BH, podemos citar o Hammurabi como o mais recente e relembrar alguns tradicionais como Witchhammer, Eminence, Chakal, dentre outros. Como é para o Avoid the Pain seguir uma escola poderosa como essa? É muito importante que a banda mantenha um alto nível de qualidade para que não fique um passo atrás dos demais. Isso preocupa vocês ou a preocupação com a qualidade surge naturalmente? Rodrigo – Não nos preocupamos em seguir uma ou outra tendência ou ‘copiar’ o que foi feito pelos grandes nomes. Compomos coisas que gostaríamos de ouvir em algum show e fazemos de tudo para deixar o arranjo e os timbres caprichados, bem como escrever temas que sejam fortes e possam ter algum tipo de contextualização com as experiências de vida de quem escuta as músicas. Muitas pessoas já nos pararam para dizer que o que tocamos é autêntico, apesar de, obviamente, você encontrar uma ou outra referência às bandas que nos influenciaram. Lucas – Essas bandas fazem um bom metal extremo e de qualidade, sem precisar destacar a importância da historia de Witchhammer, Eminence e Chakal na historia do metal em BH. Mas não é pelo fato de existirem esses nomes que nós somos obrigados em manter nossa qualidade em excelente estado, é a própria maneira de nós do Avoid The Pain de ser, de querer construir e alcançar os mais altos lugares para a banda que nos fazem correr atrás e melhorar muito a cada dia. Nosso objetivo é mais que ter uma banda com um excelente nome, é querer poder chegar a um momento em que não precisaremos fazer mais nada além de tocar e querer viver de tocar, pois é o que gostamos de fazer. Metal Clube – A banda participou da edição de 2009 do Wacken Batlle, seletiva que garante uma vaga brazuca no Wacken Open Air, um dos maiores festivais da Europa. Conte-nos como foi para a banda receber esse convite e o que ele pode representar daqui para frente na carreira do Avoid the Pain. Rodrigo – Independentemente do resultado, foi uma ótima experiência. O Dinnamarque tem mais tempo de estrada e fez um excelente show. Sinceramente, não mudou muita coisa em termos de divulgação, pelo menos por enquanto. Mas foi um bom show, com o Matriz bem cheio e o público “mandando ver”. Lucas – Bom, o Avoid The Pain já tinha a intenção de tentar concorrer ao Wacken Metal Battle desde 2007. Nosso Ep estava sendo planejado para tentarmos alcançar uma vaga no ano passado, mas após uma conversa entre os integrantes vimos que iria ficar muito apertado e talvez as gravações pudessem sair uma porcaria, então resolvemos fazer o EP com mais calma e esperar um ano para tentar. Então nos esforçamos bastante para que a banda crescesse em um nível em que pudéssemos subir ao palco nesse Wacken e fazermos o nosso som. Creio que foi algo ótimo para a banda, pois com certeza esse ano estamos em outro nível tanto técnico, como de qualidade. Metal Clube – A banda não foi classificada para a seletiva final. Chegaram a pensar em quais motivos fizeram com que o Avoid the Pain ficasse pelo meio do caminho? Rodrigo – Talvez a falta de experiência mesmo. Acho que temos boas composições, mas alguns aspectos de produção devem melhorar. Estamos bolando um backdrop, alguns outros elementos de palco. Acho que ainda falta mais contato com o público, mas também é reflexo do contador regressivo que rola nesses festivais. Às vezes você tem que abrir mão de ficar falando para o público e dar preferência para tocar uma música a mais. Lucas – O que decide o vencedor de seletiva não são as bandas e sim um corpo de jurados mais o publico. Publico em BH nós temos pouco, menos até, por exemplo, que em SP e Divinópolis, e Jurado não podemos julgá-los por não nos ter escolhido, pois eles são como o publico, a alguns agradamos e a outros não. Metal Clube – A banda Dinammarque foi a vencedora do Wacken Batlle regional e representou a capital mineira na seletiva final, vencida pelo Silence Means Death. Em conversa com o Metal Clube o vocalista Rafael Dinammarque elogiou a participação de todas as bandas mineiras. Então, queremos saber qual a opinião geral de vocês sobre o Wacken Batlle em MG? Cite-nos os pontos fortes e fracos de toda a disputa incluindo estrutura, organização. Rodrigo – O cenário underground mineiro é sempre elogiável. Temos muitos talentos, mas pouca gente para investir. Sem dúvida, os pontos fortes são o público que, mesmo num domingo, compareceu em um bom número e a qualidade técnica das bandas. Os pontos fracos foram o dia e horário, domingo à tarde, e a infraestrutura do Matriz. Não julgo o local em si, que sempre oferece a possibilidade de qualquer tipo de banda se apresentar em BH. Mas os equipamentos não condizem com a qualidade das bandas. Talvez se tivéssemos em um local um pouco maior, com um bom equipamento de som em uma noite de sábado, o festival tivesse sido ainda melhor. Lucas – O único ponto fraco é que não só no Wacken como em outros eventos que rolam no Matriz é difícil se conseguir um som com a equalização da primeira banda, nisso conseqüentemente a primeira música sempre é de acerto do som na mesa, que acarreta uma perda em um show de uma banda que esta tocando para novos públicos. E quando a mesa não consegue acertar na primeira, pode prejudicar até as outras musicas, em minha opinião deveria haver um consenso para que algo seja feito visto que o Wacken é um evento de muita importância. Mas isso não é motivo para dizer que o Dinnamarque levou vantagem por ter sido a primeira banda, ganhou por que mereceu e não por “panelinha” como dizem até mesmo as discussões nas notícias aqui no Metal Clube. E é aí que está morando o problema do público metal, qual não consegue assimilar que nem sempre a banda do estilo que ela gosta vai ganhar sempre. Sobre a Silence Means Death não tenho o que comentar, pois ouvi a banda somente pelo Myspace. O Wacken Metal Battle BH desse ano teve uma ótima organização e gostaria de parabenizar o pessoal da Open The Gates pela realização do evento e a Roadie Crew pela oportunidade. Sem esquecer de parabenizar também das bandas qual não havíamos tocado antes, que é o caso de Dinnamarque, Mercuryo e Rosa Ígnea como também aos brothers do Silvercrow qual já tocamos algumas vezes nos mesmos eventos no ano passado.
Rodrigo – Valeu galera do Metal Clube e você aí, que está terminando de ler a matéria! Estamos agendando os shows da tour que começa no segundo semestre, após o lançamento do álbum. Ainda sem nome definido, o álbum trará 5 faixas inéditas e o “...About Blades and Graves” de bônus, além de uma faixa multimídia. A partir de julho vamos soltar no myspace.com/avoidthepain alguns vídeos contendo trechos da produção do álbum. Fiquem ligados! Lucas – Estejam preparados para desligarem seus respectivos autocontroles fellas, pois a partir de Agosto o Avoid the Pain entra renovado para destruir o que vier pela frente. Após o lançamento do nosso CD, iremos partir para nossa Tour de Agosto a Dezembro visitando lugares que ainda não fomos e preparando coisas novas para nossas apresentações. Abraços! |