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Jairo Guedz Imprimir E-mail
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Por Reynaldo Trombini   
30 de maio de 2009
Ele foi o primeiro guitarrista do Sepultura, já tocou ainda em bandas conhecidas como Eminence, The Mist e Overdose. Estamos falando de Jairo Guedz, uma das figuras mais conhecidas e com grande representatividade no Heavy Metal da década de oitenta.
O Metal Clube conversou com o músico, que falou bastante sobre a atualidade do Heavy Metal no país e relembrou sua época com o Sepultura.

Metal Clube – Você deixou o Sepultura em 1988, sendo substituído por Andreas Kisser. Pode informar a geração mais nova de fãs e nos relembrar os motivos que levaram você a deixar o grupo naquela ocasião?

Jairo - Eu deixei o Sepultura em 88. Ainda fizemos o “Schizophrenia” todo deixando apenas uma ou duas faixas para o final (o Andreas entrou nesta fase). Na verdade foram vários os motivos que me levaram a largar o Sepultura, mas prefiro sempre dizer que foi uma escolha minha. Não teve nenhuma relação com qualquer problema entre eu e os caras da banda (fomos sempre muito amigos!), eu deixei o grupo em um momento da minha vida em que sabia que não poderia acompanhar a trajetória banda tão intensamente como os outros caras e nem honrar os compromissos que apareceriam a partir daquele momento.

Metal Clube – Você é conhecido também por ter tocado com o Eminence, o The Mist e o Overdose, bandas com grande reconhecimento. Qual momento você tem em mente como sendo o melhor de sua carreira?

Jairo - Cada momento é único – e NINGUÉM É SUBSTITUÍVEL. Eu procurei ser sempre muito amigo de todos os membros dessas bandas e quase sempre consegui isso. Ainda sou muito amigo de todos do THE MIST, SEPULTURA e OVERDOSE, mas nunca fiz questão de manter contato com o EMINENCE e seus membros. De todas as bandas, incluindo o SEPULTURA, que participei em minha carreira de 25 anos como músico eu tenho orgulho de todas, mas tenho um carinho muito especial pelo THE MIST.
Divulgação

Metal Clube  - Ainda relembrando o passado, qual teria sido para você o show mais marcante com o Sepultura?

Jairo - Acho que todos foram marcantes, mas posso destacar a turnê que fizemos pelo interior de São Paulo quando tocamos com Dorsal Atlêntica, Vulcano, etc. Passamos por Americana, Santa Izabel, Araraquara. Essa tour foi a que certamente consolidou a amizade e a confiança existentes entre nós quatro na época e também que ampliou muito o nome da banda pelo país.

Metal Clube - Desde a saída dos irmãos Cavallera o Sepultura ainda vem lutando contra as comparações entre o line-up com Igor e Max e o atual, com Derick e Jean Dolabella. O que você tem dizer sobre essa reformulação na banda e quais os pontos positivos e negativos dessas alterações?

Jairo - Como disse anteriormente NINGUÉM É SUBSTITUÍVEL. Se você sai de uma banda ou entra em outra, com certeza vai mudar os rumos destas bandas. Eu acho que o Sepultura perdeu muito com a minha saída, assim como ganhou muito também – o Andreas sempre foi um músico dedicado, auto didata, responsável e de bom gosto. Eu não gosto de falar sobre mim, mas sei que tenho valores diferentes dos demais também e valores insubstituíveis.

Assim mesmo é como a banda hoje – o Max sempre foi um excelente frontman, o Derrick tem outro estilo, mas não deixa de ser ótimo também, e por aí vai. Se você pegar a maioria das bandas que ainda conservam o mesmo line-up do inicio, verá que grande parte delas acabou no ostracismo ou piorou com o tempo. Nada pode ser descartado ou generalizado desta forma. O Sepultura é um grande grupo de metal, não por sua história apenas, mas pelo que fazem hoje também.

Metal Clube - Como você avalia a atual fase da banda? Consegue nos citar, em termos de musicalidade, alguma diferença entre os álbuns da sua época com os atuais?

Jairo - Musicalmente os álbuns de hoje são infinitamente melhores e mais “trampados”. Na minha época de guitarrista do Sepultura nós mal sabíamos a diferença de MI para LÁ e etc. Tanto é verdade que o “Bestial Devastation” foi gravado completamente desafinado (risos), mas foi  o álbum que iniciou a carreira da banda e a transformou no que “ela” é hoje, ou no que ela foi um dia. (Risos)

Metal Clube - Você participou como convidado especial em alguns shows do Sepultura com a formação mais recente. Como é para você tocar novamente com a banda e relembrar o início da carreira?Como é o seu atual relacionamento com os membros da formação atual?

Jairo - Eu me sinto muito honrado por ser convidado dos caras e me sinto muito melhor por ter a chance de encontrá-los sempre que possível. Claro que também sei o quanto minha participação é importante para o grupo, o quanto isto agrada os fãs mais radicais e antigos da banda.

Acho que no final todos ganham um pouco com isso! Quanto à minha relação extra-banda com os caras, eu só posso dizer que sempre foi de muito respeito da minha parte. eu sempre me dei muito bem com todos eles, incluindo os membros mais novos do grupo.

Metal Clube – Muitas bandas hoje são influenciadas pelos discos antigos do Sepultura. Você tem acompanhado o surgimento dessas bandas? Se sim, cite-nos quais seriam os grandes destaques do cenário underground nacional.

Jairo - Infelizmente não muito. A única banda que ouvi ultimamente e que agradou muito foi o Attack Force de São Paulo. Eu gravei os baixos no novo álbum deles e achei incrível a coragem deles de fazer metal agressivo cantado em português e sem perder nada em qualidade e identidade. Mas eu sei que temos boas bandas surgindo no país a cada ano e confesso que eu deveria estar mais “plugado” nesse mercado. Acho que como estive muito tempo fora e sempre concentrado em meus trabalhos na música eu deixei de lado a “pesquisa” de uns anos para cá.
Divulgação
Metal Clube - A cada dia a tecnologia vem entrando também no ramo musical. Podemos citar como exemplo o recente modelo de guitarra Gibson Robot, aonde o instrumento é afinado automaticamente. Para muitos essas inovações em termos de tecnologia pode prejudicar a qualidade da nova safra de músicos que venham a surgir. O que você pensa a respeito?

Jairo - Eu sou oldschool em algumas coisas e muito moderno em outras. Musicalmente vale tudo, afinadores inteligentes, pró tools, auto-tunners, efeitos de qualquer natureza, samplers, etc. Qualquer coisa! A música não tem limites, a criação não tem limites, e quem disser o contrário vai ser um eterno frustrado. Agora, o mais importante de tudo isso é ter identidade, é não sair simplesmente copiando os outros e não achar que sua banda ou você mesmo é um Deus do Metal.

A humildade é muito importante, a simplicidade é muito importante, a honestidade dentro do meio musical é muito importante. No mais, o resto é resto, não passamos de um bando de macacos que dirigem carros importados e acreditam em pecado, Deuses, Santos, apóstolos e bispos, senadores, presidentes, vereadores e padres, governantes, chefes de estado, ministros e pastores. Só isso! Um bando de macacos que gastam muito dinheiro e ainda precisam de um monte de gente para nos dizer o que é certo e o que não é.

Metal Clube – A modernização também afeta diretamente a produção final de um disco, na maioria das vezes positivamente. Aconteceu com ‘Southern Storm’, o último disco do Krisiun, por exemplo. Até mesmo as bandas com menos tempo de estrada podem incrementar seus discos com técnicas de mixagem e produção. Considera que essa evolução tecnológica tire um pouco da essência individual do músico em uma banda?

Jairo - Não, acho que esse tipo de evolução, principalmente a que está sendo usado dentro dos estúdios profissionais, vieram prá nos ajudar e ajudar no resultado do produto final. A primeira coisa que temos que aceitar é que a “arte” nunca foi tão pensada de forma mercadológica como é agora. É muito bonito falar de música, metal from hell, Black, Grind Core, Metal, mas no fim todo mundo quer mesmo é vender álbuns e correr o mundo fazendo shows em festivais lotados.

Para que isso tudo seja possível, felizmente ou infelizmente, todos vão precisar cada vez mais dessa tecnologia. Eu não compro CDs piratas, mas também não compro um cd original de péssima qualidade mesmo que seja da minha banda favorita. Qualidade é o mesmo que respeito ao seu consumidor final. Portanto acho que a “garagem” hoje, não passa de uma designação de espaço físico onde as bandas começam seus ensaios e tomam suas cervejas com os amigos e namoradas. Em pouco tempo a qualidade e a força sonora de uma banda dessas vai depender muito da tecnologia dentro de um estúdio de verdade.

Metal Clube - Muitos grupos atuais fazem questão de mostrar seu trabalho fora do país. Consegue nos explicar quais seriam as reais vantagens de levar um trabalho para fora do país? Até que ponto esse anseio é prejudicial para o Heavy Metal nacional?

Jairo - Acho que a regra para qualquer tipo de negócio (e a música é um negócio como qualquer outro) é qualidade e competitividade. O que as bandas estão buscando é o mesmo que os nossos jogadores de futebol, ou seja, ser bem pagos pelo trabalho que executam e ter acesso às inovações e tecnologias desse mercado.

As duas coisas que mais me surpreenderam durante o tempo que passei fazendo turnês pela Europa foram: o respeito pela banda e a estrutura do mercado de Metal por lá. No Brasil nós nunca chegamos nem perto de ter a estrutura que eles têm e que está disponível para qualquer banda de qualquer país e de qualquer dimensão. Você consegue sair daqui sem nenhum instrumento, sem back-line, sem carros, e lá simplesmente chegar a uma tour agency e alugar uma van, uma carretinha para ser puxada pela van, um motorista para essa van, um back line completo (bateria, caixas, etc) e ainda uma equipe se quiser.

Tudo pago, é claro, e bem pago. Mas tudo estruturado para bandas, pequenas, grandes e médias. Fora isso o fato de os produtores de shows, por várias vezes, virem correndo atrás de mim por que ainda não havia recebido meu cachê. (Risos) Parece piada, mas é mesma essa “piada” que vai tirar do nosso país os melhores jogadores, as melhores modelos, os melhores jornalistas e as melhores bandas também. Culpa de quem? Nossa, é claro!

Metal Clube - Atualmente uma nova banda tem muita facilidade para divulgar o seu trabalho, através da internet, com Myspace, Orkut, etc, conseguindo rapidamente espalhar as canções por todo o mundo. Tal facilidade não era vista, por exemplo, na década de 80, época na qual o Heavy Metal teve grande evidencia no país. Quais eram principais dificuldades daquela época em termos de divulgação?

Jairo - Acho que, como não havia nem uma pista de que algo poderia melhorar ou mudar um dia, tudo era difícil. Por sua vez, tudo era muito prazeroso para nós do Sepultura. Me lembro de mandar cartas para os Estados Unidos com fitas K7 demo dentro das cartas e receber respostas (negativas, positivas e até imorais) três ou quatro meses depois. Algumas delas eu e o Max já tínhamos esquecido do que se tratava (Risos).

Penso que esta era a maior dificuldade de divulgação da banda na época, e fora é claro, o repúdio que sofríamos de quaisquer meios de comunicação como TVs e rádios. Fora isso, o resto foi mais tranqüilo, os fãs brasileiros são os verdadeiros responsáveis pelo sucesso do grupo, e incluo a isto principalmente o fã-clube oficial do Sepultura em São Paulo.

Metal Clube - O Metal Clube lançou recentemente um artigo sobre alguns pseudo-produtores que tem se infiltrado no Heavy Metal, ocasionando no cancelamento de eventos e workshops por falta de organização. Você que vivenciou a década de oitenta como músico, pode nos contar como era essa questão naquela época e fazer um comparativo com a atualidade?


Jairo - Eu tenho muito pouca experiência de shows no Brasil atualmente, mas sei que muito pouca coisa mudou por aqui. Nos anos 80 não havia produtores de metal, havia fãs que nos ligavam em casa e pediam que fossemos para São Paulo, para Araraquara, para o Mato Grosso. Nós simplesmente íamos, sem dinheiro, sem lugar para ficar, sem segurança de nada, sem comida muitas vezes. Mas posso dizer que muito dessa culpa de ainda estarmos atrasados em relação à produção de shows pequenos e médios e em sermos ainda “vitimas” de pseudo-produtores que só querem levar o deles e dane-se o resto, é nossa mesmo.

Essa culpa também é de todos nós, músicos. Culpados por não exigir nossos direitos, culpados por não ficarmos atentos a um ou outro detalhe de contrato, culpados por excesso de preguiça em aprender um mínimo que seja das regras do direito autoral, etc É muito fácil colocar a culpa no ladrão que rouba sua casa, mas você mesmo nunca parou para trancar a sua porta direito e soltar os cachorros.

Metal Clube – Falando agora da atualidade, quais suas atividades ligadas a música atualmente?

Jairo - Eu estou com dois projetos, mas apenas um será divulgado em breve. No momento quero me dedicar à minha nova banda (ainda sem nome)!

Metal Clube – Jairo, foi ótimo mostrar um pouco de sua visão sobre a atualidade do Heavy Metal e relembrar algumas questões do passado! Nós do Metal Clube nos sentimos orgulhosos pela atenção que nos foi dada. Deixe um recado para quem é fã de seu trabalho!

Jairo - Meus fãs queridos, minhas ovelhas desgarradas, filhos de Cronos e servos fiéis de Onã, toda vez que escutarem ‘Troops of Doom’, seja ao vivo ou seja em suas casas, depositem um dólar em minha conta no canto. Só assim o grande Tormentor poderá no futuro deixar para vocês seguidores um legado de fúria, angústia e pancadaria. Obrigado!

Comentarios (13) >>

Evoker said: _

  O Jairo é um grande músico,com sinceridade,honestidade e humor. É um dos caras mais engraçados que conheci na minha vida. Em sua homenagem vou ouvir o Morbid visions no talo!!!!! Valeu Tormentor!!!!
outubro 15, 2009

mutilator said: _

  Jairo, just return to Sepultura!
julho 13, 2009

Fred Metal said: _

  Fez bem o Jairo ter saido do eminence, imagina! os caras estão querendo tocar Faustão...heeeeh..coisa mais nada haver...banda vendida!...dá vergonha da banda hj.
junho 05, 2009

ANDRÉ said: _

  Dá prá ver que o Jairo não é apenas grande músico, mas que ele também carrega consigo o espírito do companherismo e respeito com as bandas que ele tocou - basta a gente ver o quanto o pessoal do Sepultura gosta dele e ainda chamam o cara prá tocar com eles até hoje...quanto à última banda dele, sei lá, alguma coisa rolou muito sério prá ele não ter mais contato com os caras. Vai saber...boa sorte maluco.
junho 04, 2009

Claudia chaves said: _

  Sei la, o eminence é uma banda esquizita demais na minha opinião, nunca vi trocar tanto de formação, tem alguma coisa muito errada ai a ponto do Jairo nem querer saber do seu passado com a banda...sou mais ele sempre, faz muito bem Jairo...sucesso pra você.
junho 03, 2009

Carlos Lopes da Silva Jr. said: _

  Os anos dourados do Sepultura com o Jairo Tormentor foram maravilhosos, mas agora fazem parte do passado! Está na hora de se viver o presente e trabalhar um novo recomeço em sua brilhante carreira, pois talento para isso Sr. Jairo, você tem de sobra, abraço!
junho 02, 2009

Adriano Metal - SP said: _

  Infelizmente discorodo do Jairo. Os responsáveis pelo grande sucesso do Sepultura foram os fãs estrangeiros que deram valor nessa banda antes do publico brasileiro. E o principal responsável foi a gravadora européia que fez prensagens piratas dos primeiros discos do Sepultura e vendeu na Europa sem dar nenhum centavo para os integrantes, garantindo porém a grande divulgação do som da banda por lá, fazendo com que na primeira turnê na Europa ao lado do Sodom, vários Headbangers de lá já conhecessem os clássicos do Beneath the Remains, Schizo e Morbid. Saudações!
junho 02, 2009

wagner said: _

  ele e verdadeiro comsigo!!!
junho 02, 2009

LordMetal said: _

  Jairo é um grande músico...ele deve se orgulhar muito de ter feito parte da maior banda de metal de todos os tempos! http://www.devastatingmetal.co.cc
junho 01, 2009

Luciano Vandalo said: _

  Principalmente nos trampos com o THE MIST esse cara mostrar ser um excelente musico, vamos aguardar a nova banda dele !!!
junho 01, 2009

Fernando said: _

  Eu não sei o que rolou com o Jairo e o Eminence, pra ele falar que não quer contato com ninguém, to ligando que tem uns ai da banda que se acham e não dá mesmo pra se relacionar, tanto que na banda não para ninguem na formação, eu ate gostava da banda da epoca que ele entrou e conheço também gente desta epoca que é muito bacana...que inclusive fala muito bem dele, porque esta magoa toda!..no mais sou fan dele e o considero uma boa pessoa e um grande músico.
junho 01, 2009

Eric said: _

  Acho correto o que ele disse, acho que está na hora das bandas se unirem para exigirem seus direitos, pois tocar de graça, mesmo que seja em sua própria cidade está se tornando algo inviável.
junho 01, 2009

Filipe Duarte said: _

  Excelentes palavras de sabedoria, vindas de quem a possui. "A humildade é muito importante, a simplicidade é muito importante, a honestidade dentro do meio musical é muito importante. No mais, o resto é resto (...)" Um exemplo que deveria ser seguido por muitos aí que fazem três shows aqui e acolá e já se acham os Reis do Metal. O caminho é árduo, e a estrada é sinuosa. Temos um grande privilégio de ter você, Jairo, ainda fazendo música de qualidade. Mal posso esperar para ouvir. A gente se vê por aí. Stay true!
maio 31, 2009
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