Entrevistas
Léo Mancini - Shaman | Léo Mancini - Shaman |
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| Por Reynaldo Trombini | |||||||||||||||
| 19 de março de 2009 | |||||||||||||||
Desde que ingressou para a nova formação do Shaman em meados de 2006, o
guitarrista Léo Mancini colhe frutos de seu bom trabalho à frente do
álbum “Immortal”, além de anunciar recentemente que está de volta para
a banda que o consagrou: o Tempestt.
Em conversa com o Metal Clube, o músico conta as principais novidades de sua carreira como guitarrista, fala sobre Shaman e Tempestt e resume planos para a temporada 2009. Confira!
Metal Clube – Olá Léo! É um grande prazer para nós conduzirmos esse bate-papo. Léo – O prazer é meu. Obrigado pelo convite. Metal Clube – Você ingressou no Shaman devido a uma brusca reformulação no line-up do grupo, que contou com o baterista Ricardo Confessori como o único remanescente da formação anterior. Após alguns anos como guitarrista do Shaman, o que você pode nos dizer daquele momento de transição ocorrido anos atrás? Conte-nos com detalhes de como foi sua entrada no grupo e qual era sua expectativa na ocasião. Léo – Fui pego meio de surpresa! Estava começando a trabalhar o “Bring ‘em on”, trabalho do Tempestt e recebi uma ligação do Thiago Bianchi pedindo para fazer um teste no Shaman. Disse que meu estilo de tocar talvez não fosse o mais indicado pra banda e como estava à quase um mês sem estudar, devido a um princípio de dor nos dois antebraços, falei que poderia fazer um som com a banda em uns 15 dias. Ele disse que eu tinha cinco dias pra fazer a audição e falou que eu estava enganado sobre meu estilo e que tinha certeza absoluta que eu faria um ótimo trabalho. Eu conheço o Thiago há muitos anos, quando ele era bem moleque. Fiz alguns trabalhos com ele ao longo dos anos. Então aceitei o desafio e comecei a ralar técnica até o dia da audição. As músicas escolhidas foram: ‘Carry on’, ‘Nothing to say’, ‘For Tomorrow’ e ‘Time will Come’. A técnica realmente voltou com as sessões de sete horas diárias, mas a dor nos antebraços me preocupava. Entrei no estúdio e fui apresentado para o Ricardo e para os demais que estavam no estúdio pelo Thiago. Começamos com a “For Tomorrow” e eu tive um branco na parte instrumental, fiquei meio tenso e acabei esquecendo as coisas. Pulamos para “Carry On”, tudo certo. Mas pelo fato de ter errado a primeira música do teste eu estava muito tenso. O Ricardo disse pra eu relaxar, pois todo mundo tem uns brancos de vez em quando. Então tocamos a “Time Will Come” e no momento do solo, que eu praticamente esqueci , comecei a improvisar um solo do tipo “já que me estrepei pelo menos vou me divertir um pouco”. Ao final da música o Confessori levantou da batera e disse “Cara, você fez esse solo em casa?”. Eu disse que era improviso. Acho que ele não acreditou muito, pois quis tocar a música novamente. Fiz um outro improviso e quando acabou a música ele disse “quando a gente tocar ao vivo você tem que fazer esse solo! Foi melhor que o outro”. Achei que ele estava falando só pra me animar um pouco. Saímos para conversar, fiquei no canto da sala esperando para ir embora, pois estava 'puto' comigo mesmo. O Confessori perguntou para os outros caras qual a disponibilidade de horário para ensaiar e eu no canto pensando em sumir de lá. O Ricardo chegou à minha frente e disse que curtiu meu estilo de tocar e perguntou se eu poderia ensaiar com eles. Confirmei o ensaio e sai do estúdio meio 'puto', meio aliviado. Começamos a trabalhar e durante algumas semanas ainda não tinha a confirmação de estar ou não na banda. Mas estava curtindo o esquema de trabalho e composição então simplesmente deixei rolar, pois não atrapalhava meus outros projetos. Foi assim que tudo começou. Metal Clube – Ainda falando dessa mudança no line-up, na época criou-se um grande “alarde” sobre quais rumos tomariam a sonoridade do Shaman. Tendo em vista a nova formação e a natural “desconfiança” dos fãs, o álbum “Immortal” teve boa repercussão na mídia e com os fãs. Houve algum tipo de preocupação especial na hora de compor as faixas do disco? A banda se mostrou de alguma forma preocupada em não desviar muito o estilo antigo do Shaman para não ‘contrariar’ os fãs? Léo – Houve certa preocupação no começo. Com o tempo, as qualidades individuais de cada integrante da banda foram tomando uma forma única sem perder as características originas da banda. O Fernando (baixo) tem muita facilidade em compor músicas. Algumas delas em parceria com o Thiago. O Ricardo também colaborou com duas músicas. Eu ficava com a parte instrumental das músicas e no final da fase de composição eu escrevi a 'Inside Chains' e apresentei para a banda. Trabalhamos em todas as músicas adicionando idéias de todos para a satisfação geral. Então nessa nova fase da banda a gente tinha em mim, no Thiago e no Fernando uma novidade em relação à criação das músicas e no Confessori tínhamos a essência do Shaman. Todos tiveram liberdade em optar nas partes dos outros. Foi um trabalho super democrático e eficiente. Uma grande parte da sonoridade do “Immortal” é, sem dúvida, a presença do Fabrízio Di Sarno nos arranjos de cordas e teclados. Todos da banda somos produtores e não precisamos de auxílio externo para a concretização do Immortal. Metal Clube – Seja musicalmente ou de uma forma geral, consegue nos citar a principal característica que diferencie o álbum “Immortal”, dos antecessores “Ritual” e “Reason”? Léo – Com certeza a diferença é a influência de cada novo membro. Metal Clube – E em relação ao público, como você avaliou a recepção dos fãs ao último trabalho da banda? Esse era um ponto importante na visão de vocês? Léo – Acredito que atingimos nossa meta em relação aos fãs. Tivemos a aceitação de um grande número de pessoas e foi muito gratificante ver o nosso trabalho reconhecido pelos antigos fãs da banda. Metal Clube - Em 1997, você investiu seu tempo em aprender sobre gravação, produção e arranjo musical. Inclusive compôs jingles e trilhas para várias rádios e empresas como a Directv e a Nextel. Também gravou e produziu trabalhos de diversas bandas. Conte-nos detalhes sobre essa parte de sua carreira? Como eram esses jingles? Léo – Eu comecei a me interessar por gravação, pois queria gravar minhas idéias instrumentais. Eu não procurei esses trabalhos, eles vieram até mim. Um cara falava para o outro e, quando me dei conta, estava gravando várias bandas. Um dia um cara me enviou um pedido de trilha para os canais interativos da Directv. Fiz todas as seis trilhas que eram músicas instrumentais para o menu de cada canal interativo. Todas foram aprovadas. Então comecei a ser procurado para compor e gravar trilhas e jingles para alguns programas de TV e rádio. Alguns trabalhos eu recebia um texto, especificação do tipo de voz requerido (homem com voz grossa, voz de urso, mulher com voz sexy, etc.) e o roteiro do trabalho. Esse é o Jingle. Fazia isso para pagar as contas e nunca consegui gravar o CD Guitarrístico que tanto queria. Gravei algumas músicas minhas sem compromisso, só para guardar idéias. Espero poder retomar esse projeto em breve. Metal Clube – Você também é reconhecido pelo trabalho com a banda Tempestt, grupo na qual tocava antes de entrar para o Shaman. Foi anunciado recentemente que a banda retornou com sua formação original. De fato, uma interessante surpresa para aqueles que já conheciam o trabalho de seu antigo grupo. Conte-nos detalhes sobre esse retorno. Como foi para você voltar a tocar em uma das principais bandas de sua carreira? Léo – O Tempestt é o meu lar. Coloquei nessa banda composições da minha vida inteira. Várias partes das músicas do “Bring ‘em On” são trechos das minhas músicas instrumentais antigas, todas as letras são minhas e em algumas delas tive colaboração dos meus companheiros de banda. Voltar para o Tempestt é uma retomada da minha vida musical na sua essência mais pura. Estamos compondo, mas com muita calma e naturalidade. Tenho certeza que o próximo trabalho será muito bom! Metal Clube - No site oficial do Tempestt, existe uma declaração sua dizendo que você havia pensado nos últimos meses, e “concluiu que quer fazer músicas que expressem realmente o que se sente, sem manipulação, e sem pensar no mercado". Esses anseios não acontecem no Shaman? Consegue nos explicar um pouco melhor essa declaração? Léo – Em toda a minha carreira como músico e produtor atuei e atuo em várias áreas da música. Sempre que eu falo alguma coisa sobre o mercado não falo de uma forma segmentada, quero dizer na música como um todo. Tudo que a gente escuta nas rádios, todas as fórmulas de como se fazer um hit, fazer música pra ganhar dinheiro. Na verdade eu quero fazer um som que me traga realização pessoal e reconhecimento artístico. O dinheiro se vier será muito bem vindo e merecido. Para ajudar nas finanças eu posso produzir, lecionar, fazer um free-lance de músico, etc. Farei qualquer trabalho com a música com o maior prazer e sem preconceito. Mas o meu som vai ser “intocável”. Como disse anteriormente, o Immortal foi feito com muita liberdade e por isso teve o destaque merecido. Metal Clube – E como ficará a divisão de tempo entre o Shaman e o Tempestt? Léo – As turnês das duas bandas são em épocas diferentes. Esta tudo esquematizado e não haverá conflito de datas. Vou trabalhar um pouco mais, mas tudo certo. Estou em gravação do novo trabalho da banda Wizards. Termino as gravações de guitarra nesse mês. O Christian Passos me convidou no ano passado e começamos a desenvolver as composições do próprio Christian e do Charles Dalla. Trabalhar com o Charles, que é um dos melhores músicos na área erudita/metal, e com o Christian, um dos melhores vocais que eu já ouvi, tem sido um grande aprendizado para mim. As composições estão surpreendentes. Aguardem.... Metal Clube – Recentemente foi anunciado o retorno do baterista Ricardo Confessori ao Angra, paralelamente você também está de volta ao Tempestt. Quais seriam suas palavras para aqueles que, por acaso, já tenham pensado sobre uma possível “parada” nas atividades do Shaman? Léo – O DVD do Shaman está pronto e será lançado em breve, temos datas em reserva aqui no Brasil e América Latina, temos uma tour européia previamente agendada para Julho, quer dizer, estamos na ativa. Só temos que estar sempre consultando a agenda para não comprometer ninguém. O bom disso e que vou ter bastante trabalho pela frente... (risos) Metal Clube - Aproveitando a oportunidade, podemos lembrar que já há alguns anos, o Metal Nacional vem passando por grandes alterações nas principais formações de forte nomes “brazucas”. Para lembrar alguns exemplos, temos a própria alteração no Shaman, a criação da banda solo de André Matos, a saída do baterista Aquiles Priester do Angra, banda que ficou em torno de dois anos parada, o anúncio que Nando Fernandes não faz mais parte do Hangar, dentre outros. Há quais fatores você atribui essa série de mudanças entre os grandes grupos do metal nacional? Até que ponto essas mudanças podem ser negativas ou positivas na carreira dessas bandas? Léo – Todos temos uma escolha. Podemos escolher o que tocar, para que tocar e com quem tocar. Cada um tem um jeito de ser, uma forma de pensar e uma forma de agir. Não é de uma hora para outra que a gente conhece uma pessoa muito menos companheiros de banda. A banda é uma família que funciona quando todos estão satisfeitos e quando as diferenças são resolvidas por todos. O melhor para o bem da banda e estar em paz, poder olhar para o companheiro sem mágoas e sem máscaras. Várias bandas trabalham, são super profissionais, sem se olhar na cara no backstage, sobem no palco, arrebentam, se abraçam no final do show e vão para o camarim sem se falar. Tudo é uma questão de escolha. Se a separação foi o melhor para o bem estar pessoal de todos acredito que o trabalho deva fluir melhor na “santa paz”. Se o som continuar de boa qualidade e as pessoas abrirem suas mentes para os novos trabalhos, acho que essas bandas e seus ex-membros continuarão detonando por ai. Metal Clube - Outra coisa que vem acontecendo bastante no Metal Nacional, são as “investidas” em trabalhos próprios e/ou paralelos. Grandes músicos nacionais já possuem seus trabalhos solos, como Kiko Loureiro, Edu Ardanuy, Andréas Kisser, Rafael Bittencourt e até mesmo Edu Falaschi, com o Almah. O que você tem a dizer sobre esses trabalhos paralelos de alguns artistas? É algo que você almeja para o futuro, um disco solo? Léo – Para quem não sabe eu também vou lançar um trabalho solo. Sempre adorei fazer versões acústicas de hits dos anos 80 e 90. Um dia,uns oito anos atrás, recebi o convite para gravar um CD acústico cantando e tocando mas recusei pois queria seguir a carreira de guitarrista. No ano passado eu recebi de outra gravadora o mesmo convite e acabei aceitando . O CD esta pronto para ser lançado em breve pela Thurbo Music. Eu acho que trabalhos solo são complementos na nossa vida musical . No meu caso, é uma coisa que eu sempre fiz, alguém gostou e apostou. Mais uma vez eu não fui atrás, simplesmente aconteceu . Por isso eu digo, quando você faz um trabalho que vem da alma , sem regras e restrições as coisas acontecem. Fiquei muito realizado pelo reconhecimento artístico e pelo convite. Se for recompensado financeiramente pelo trabalho será muito bem vindo e agradecido. Metal Clube – O Brasil possui guitarristas já bastante conhecidos e consagrados, como Kiko Loureiro, Andréas Kisser, além de outros nomes que levaram o Metal nacional para o exterior. Na atualidade, novas opções e novos grupos vêm surgindo. Como você avalia a nova geração de guitarristas no país? Poderia nos citar alguns nomes que acompanha? Léo – A nova geração de guitarristas no pais é muito grande. Na sua grande maioria são muito técnicos e virtuosos. Poucos deles realmente me chamam atenção. Mas esses poucos são extremamente bons e eu curto muito ouvi-los. Curto muito os guitarristas musicais, com pegada e boas composições. Lembrei alguns nomes, não são todos mas foram os que lembrei de bate - pronto: Teo Dornellas, Roger Benet , Carlos Eduardo (Circuladô de fulô) . Bom, são os caras que eu ouvi ultimamente e que me chamaram muita atenção. Metal Clube – Após uma rápida análise sobre seu período atual, consegue dizer que está vivendo o melhor momento em sua carreira? Conte-nos detalhes sobre o que pensa de sua participação no Heavy Metal nacional. Léo – O melhor momento na carreira é sempre fazer o que gosta e o que estiver afim. Muitas vezes fiz coisas por fazer e que me trouxeram péssimos momentos, agora já estou calejado. Nunca mais faço algo por fazer. Não sei o que pensar da minha participação no metal nacional. Todo o meu trabalho no Tempestt e no Shaman foi feito com muita dedicação e verdade. Sinto-me muito gratificado com o reconhecimento dos fãs e elogios de companheiros do meio. Espero que o meu trabalho possa influenciar novos músicos. Uma das melhores coisas para mim é quando estou no palco olhando para alguém na platéia e essa pessoa esta se divertindo, pulando, esquecendo de um eventual problema e trocando energia com a banda. Nada melhor do que proporcionar bons momentos com nossa música. Acho que essa é a minha contribuição para a Heavy Metal nacional e para a música em geral. Metal Clube – Valeu Léo. Foi um prazer! Toda nossa equipe deseja sucesso! Léo - Curti muito a entrevista, muito bom poder dividir tudo isso com vocês. Um grande abraço pra todos no Metal Clube e outro grande abraço pra galera que vem acompanhando o meu trabalho. Tudo de bom pra vocês !!! Valeu !!!
Matheus Clr
said:
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| Seu trabalho esta muito bom leo.eu sou fã de metal e os guitarras citados,são bons... Curto de montão o trabalho do Téo dornellas.. |

| Concordo muito não, acho que um dos nomes que chama muito atenção é Gustavo Guerra Ozielzinho e outros.. Tadeu Dornellas é bom, só bom... Pouco conhecido |

| Olha cara ..... sou muito fã do Teo esse cara toka muiiiiiito!!! |

| Valeu meu brother por ter citado meu nome entre os guitarristas que mais te chamaram atenção...fico extremamente honrado com isso...ainda mais vindo de um dos melhores e mais competentes guitarritas que o Brasil tem...você merece todo esse sucesso...!!! Grande Abraço. EDU* |

| ^^ Leo, como sempre muito sincero! ^^ A entrevista ficou muito boa! Sou fã desse cara! (Y) Obrigado por tudo Leo, e boa sorte em sua carreira! |

| É isso ae!!!! Parabens Leo, pelo trabalho no Shaman!!! vamos ver como ficará o ANGRA, com o Confessori de volta nas baquetas! Teo Dornellas realmente manda mto bem!!! Tem um Projeto de Bateria do LUFE, em que o Teo faz participação, e toca musicas classicas em Metal Progressivo... Massa!!!! |