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Metal Clube - Olá Fábio. Desde já agradecemos pelo tempo concedido a nossa equipe. Fábio Bloody – Valeu pela oportunidade de falarmos um pouco mais sobre o trabalho do Bloody. Metal Clube – Já são seis anos na estrada, uma demo e dois trabalhos oficiais, com apresentações ao lado de grandes nomes, como Krisiun e mais recentemente o Sodom. Uma carreira relativamente estável e com reconhecimento maior a cada empreitada. Parece que as coisas estão dando cada vez mais certo, não é? Fábio Bloody – Para quem começou pivetinho só brincando de tocar no porão de casa com mais três pivetes, parece que as coisas estão mesmo dando certo. (risos). Brincadeiras à parte, estamos muito contentes com o momento do Bloody, estamos batalhando duro durante esses seis anos atrás do nosso reconhecimento e aos poucos as coisas vão acontecendo. Metal Clube – O disco “Engine of Sins” já circula por todo o Brasil e vem sendo visto com bastante atenção pelos amantes da sonoridade do grupo. O material também conseguiu excelente repercussão nos veículos de comunicação especializados e principalmente em vários web-zines. Como você avalia o trabalho desses veículos em termos de divulgação, qualidade nas matérias publicadas e até que ponto os veículos de divulgação pela internet podem ajudar o grupo? Fábio Bloody – Essa é uma pergunta muito boa, porque há tempos tenho uma opinião e gostaria de compartilhar com todos. Eu acho muito importante o trabalho dos web-zines. São eles que movimentam a cena underground no Brasil. Acho válida qualquer iniciativa para tentar ajudar a cena e as bandas, principalmente quando os zines tem respeito pelo público e pelas bandas. Isso é fundamental. Mas por outro lado, os zines, revistas e todos os meios de comunicação voltados ao metal e ao underground têm uma responsabilidade enorme na formação de opinião dos bangers e muitas vezes eles pisam na bola com as bandas, falando mal em uma resenha ou outra situação qualquer. As bandas estão trabalhando sério e qualquer coisa que se diga pode atrapalhar a jornada dessa banda. Vou dar um exemplo que eu vi muitas vezes em revistas grandes: uma banda manda uma demo pra ser resenhada, o cara que vai resenhar não gosta da demo e “desce o pau” no trabalho, acho isso uma total falta de respeito, no mínimo, acho que a pessoa não deveria divulgar a resenha e entrar em contato com a banda para dizer as razões que o levaram a tomar essa decisão. O underground é feito pelas bandas e pelo publico, daqui a pouco a molecada não quer mais saber de montar uma banda e acreditar nesse sonho e o underground vai enfraquecendo cada vez mais. Metal Clube - A sonoridade da banda é quase sempre focada em um Thrash Metal veloz, com bom trabalho das guitarras e influências como Sepultura, Slayer e Metallica, dentre outros. Podemos dizer, também, que a produção de “Engine of Sins” é um pouco superior se comparado com o álbum de estréia, ‘Slow Death”, lançado em 2005. Explique como a banda avalia as diferenças entre os dois trabalhos. Fábio Bloody – Você foi legal falando que a diferença é “um pouco superior” (Risos). Acho a diferença muito grande, tanto nas composições quanto na produção. Não estou dizendo que eu não gosto do Slow Death, muito pelo contrário, esse é um CD muito importante para nós, pois ele abriu muitas portas e nos deu uma enorme experiência, e justamente por isso eu acho os trabalhos muito diferentes. Conseguimos absorver tudo o que essa experiência nos trouxe, levar para dentro do estúdio e descarregar tudo nas novas composições e na excelente produção que o Ciero fez no “Engines of Sins”. Metal Clube - A banda já participou de algumas coletâneas em anos anteriores. Vocês consideram essa participação nas coletâneas como o principal fator de reconhecimento do Bloody, ou preferem dizer que toda a abrangência veio mesmo com os trabalhos oficiais? Fábio Bloody – Acho que é uma mescla de tudo. As coletâneas são muito importantes para as bandas, assim como lançar uma demo bem feita, com boa gravação. Acho que o principal para uma banda que está começando é gravar uma demo de forma profissional, isso dá uma outra percepção ao trabalho, mesmo que a banda não seja madura ainda, o que na maioria das vezes não é. Uma demo bem feita abre muitas portas, porque muitas pessoas visualizam primeiro as qualidades do que os defeitos da banda. A demo bem feita é como um bom alicerce, ela dá a base pra todo o seu trabalho depois, por isso acho que o passo mais importante é o primeiro, a demo, mas é claro que o que vem depois deve ser igual ou até melhor do que o que já foi feito. Metal Clube – Outro fator interessante que rodeia o novo lançamento é o preço. No próprio site oficial, a banda disponibiliza o disco por R$5,00. Um valor relativamente baixo se comparado com outros materiais e/ou com o nível obtido em “Engine of Sins”. Existe algum motivo especial por esse baixo preço ou apenas o desejo que todos possam adquirir o disco sem muito esforço? Fábio Bloody – O principal motivo desse preço é justamente fazer o CD chegar de forma acessível a todos os bangers do Brasil. O cara que compra pelo nosso site, paga R$ 10,00 já com as despesas de correio. Essa é a realidade do nosso underground. O pessoal quer comprar CD, mas não da para pagar 30, 40 reais em um CD, é absurdo. Por esse motivo fizemos essa opção que tem se mostrado acertada, já que em três meses, vendemos mais de 600 CDs. Metal Clube – A banda postou recentemente em seu site uma nota de agradecimento para todos que compareceram na apresentação do grupo ao lado dos alemães do Sodom, que vieram se apresentar em algumas localidades brasileiras. Na nota, a banda julga a ocasião como uma “noite inesquecível”. Conte-nos os principais detalhes sobre toda a apresentação e quais eram as expectativas da banda para aquela noite. Fábio Bloody – Esse show era um sonho de moleque que se tornou realidade. O Sodom sempre esteve muito presente na historia do Bloody, sempre tocamos sons deles nos shows, tivemos a honra da participação do Frank Blackfire no Slow Death e fazer esse show ao lado deles foi realmente inesquecível, ficou pra historia. Falando do show, foi tudo perfeito. O local era perfeito e os bangers estavam sedentos por Thrash Metal. A energia que rolava entre público e banda fez com que o show fosse destruidor, e no final ainda ficamos conversando com os caras do Sodom, que por sinal são muito cordiais, com certeza essa a noite foi sensacional! (Risos) Metal Clube - Uma banda que para muitos é referência no underground nacional é o Torture Squad. A banda colhe os frutos de grandes trabalhos e muita dedicação. Frutos que renderam ao grupo uma apresentação no conhecido Wacken Metal. Um show que, sem dúvida, foi um marco para o Torture Squad e é desejo de muitas bandas atualmente. Creio que com o Bloody não é diferente. Não é? Fábio Bloody – Para começar, não tenho nem o que falar do Torture. Os caras merecem tudo o que estão colhendo agora, são caras humildes e batalhadores, sem contar que o som deles é excelente. E é claro que queremos chegar nesse patamar, é o sonho de toda banda que está na estrada batalhando, mas acho que tudo tem sua hora, tem muita banda na nossa frente ainda que merece esse reconhecimento, vamos trabalhando sério e com objetivo que as coisas vão acontecendo aos poucos. Metal Clube – Como está a agenda e os projetos da banda até o fim de 2008? Fábio Bloody – Os shows estão começando a pintar agora. Até então tínhamos muitos contatos e sondagens, mas nada definitivo, agora a coisa começou a esquentar. Uma quentinha é que recebemos um convite pra fazer a abertura do show do Destruction em São Paulo, esse vai ser incrível! Fora esse show que será muito especial para a banda, para esse ano, queremos fazer shows por cidades mais perto. Estamos também em um esquema de uma revista que se chama MP3 World, eles colocam vinte bandas com o CD inteiro em formato mp3 e a revista é vendida nas bancas. Para o ano que vem, vamos continuar na Engines of Sins Tour 2009 e provavelmente faremos uma tour pelo Norte/Nordeste do Brasil. Metal Clube – Fábio, mais uma vez obrigado. Parabéns pelo último disco! Já estamos aguardando o próximo. Deixe um abraço para nossos leitores. Fábio Bloody – Mais uma vez agradeço a oportunidade de falarmos sobre nosso trabalho e parabenizo toda a equipe do Metal Clube pelo excelente zine, continuem com o profissionalismo e com o apoio ao underground nacional. Um grande abraço a todos! Stay Bloody Fuckin’ Rules!
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