Skip to content
Classificados!
Link atual: Home arrow Reviews arrow Shows e Festivais arrow Rockfellas: Belo Horizonte
Rockfellas: Belo Horizonte Imprimir E-mail
Avaliação do Leitor: / 18
PiorMelhor 
Por Rafael Almeida e Reynaldo Trombini   
20 de agosto de 2008
Não apenas um show, uma grande festa. O razoável público que compareceu ao Freegells Music na noite do dia 15 de agosto pôde acompanhar uma avalanche de clássicos do Heavy Metal mundial. Com um set caprichado composto por nomes como Kiss, Black Sabbath e Iron Maiden, o Rockfellas abriu com o pé direito a seqüência de shows que fará daqui para frente.

Assim que anunciada a união dos músicos Paul Di'anno (vocalista, ex-Iron Maiden), Jean Dolabella (baterista do Sepultura), Canisso (baixista dos Raimundos) e Marcão (guitarrista, ex-Charlie Brown Jr.), o projeto acabou dividindo as opiniões e para os mais pessimistas, a idéia é de tentar ressurgir carreiras, já que, com exceção de Jean Dolabella, o restante do line-up nem de longe vive o ápice de seus trabalhos.
 
Tanto que o público compareceu de forma apenas razoável ao festival, que ainda contou com dois nomes já conhecidos antes da atração principal. Após algumas discotecagens, com direito a Aerosmith e Led Zeppelin, estava no palco a banda de garotos Pleiades. Em mais uma oportunidade, o grupo formado por Cynthia Mara (vocal), André Bastos (bateria), André Mendonça (guitarra) e Marcos Garcia (baixo) conseguiu mostrar bastante de sua peculiar energia e trazer o público para junto da banda em toda a apresentação.

Merecido, tanto que a banda também resolveu aderir à moda dos covers e logo após a canção própria 'Demons and Snakes', os jovens executaram a clássica 'Whole Lotta Love' do Led Zeppelin, causando logo nos primeiros minutos, bastante agitação vinda do público. O quarteto mais uma vez mostrou alguns pontos já habituais em todas as suas apresentações: a vocalista Cynthia Mara teve uma noite inspirada em termos de agitação, falando o tempo todo com a platéia e ainda  se movimentando muito pelo palco.

Foto: Reynaldo TrombiniO número de covers nas apresentações do Pleiades vem diminuindo a cada dia, então, após a euforia proporcionada pelo clássico 'Whole Lotta Love' surge uma sequência de duas canções próprias. Trata-se da balada 'Freedom' e 'Fire, Fire', ambas sendo traçadas dentro das características do Metal tradicional, com boas frases da bateria de André Bastos, marcação precisa do baixo de Marcos Garcia e alguns solos do guitarrista André Mendonça. Pena que o instrumento deste último não apresentou uma boa sonoridade, soando aguda demais e até mesmo um pouco baixa em várias ocasiões.

Mas até o mais detalhista deixou de lado esse fator. Estava na pauta 'Enter Sandman', do Metallica. A música foi um dos grandes momentos da apresentação, com muita animação da galera, que cantou boa parte da canção e ainda acompanhou um arranjo animado nas mãos dos garotos. A apresentação do grupo não chamou a atenção apenas do público da pista. Até um dos grandes astros da noite ficou atento ao show da molecada. Bem posicionado ao lado do palco, estava o vocalista Paul Di'anno, que também acompanhava atentamente a performance do grupo. (Veja foto).
 
O show ainda contou com uns brindes. Após alguns agradecimentos, a organização do festival distribuiu algumas camisas da loja Túnel do Rock, que foram arremessadas para a platéia. Merchandising à parte, o show ainda contou com um cover mais do que justo na noite. A furiosa 'Eu quero ver o Oco', dos Raimundos, foi bem executada pelos meninos e conseguiu abrir alguns moshs, além de manifestações por toda a pista. Feliz deve ter ficado mesmo o baixista Canisso, que acompanhou a canção bem ao canto do palco.

Após quase uma hora de apresentação, o quarteto sai de cena após a execução da faixa que leva o nome da banda. Destaque para a regularidade do grupo. Sempre que eles tocam em BH as manifestações vindas da platéia são cada vez mais satisfatórias e animadoras. Com certeza eles não demoram a retornar.Foto: Reynaldo Trombini
 
Um pequeno intervalo e sobe ao palco o Seu Madruga (AC/DC Cover). Banda de tradição e competência já conhecidos pela maioria do público que curte Rock em Minas Gerais, o quarteto de Leo Calango (bateria), Helder Araújo (guitarra), Pedro Motta (baixo) e do caracterizado Alexandre da Mata (vocal e guitarra) não decepcionou.
 
Tocando o set mais curto da noite, os rapazes iniciaram o show com “Thunderstruck”. Imediatamente se nota a fidelidade e carisma da banda, que, atenta aos mínimos detalhes, deixa o público eufórico desde o começo até o final do show. As músicas seguem com “Shoot to Thrill” e “Whole Lotta Rosie”. Só então o vocalista Alexandre, talvez um pouco apressado com restrições de tempo, fala com a platéia pela primeira vez. 
 
A banda parte então para mais uma dupla de sucessos, executando “Hells Bells” (sem os sinos da versão original, algo completamente perdoável, pois a banda parece preferir dar conta de todos os elementos possíveis das músicas usando tão somente a habilidade dos integrantes, sem contar com samplers), “What Do You Do For Money Honey”, e mais uma breve interação com o público, terminando com uma pista sobre o título da próxima música (“Vamos falar de dinheiro, disse o vocalista e guitarrista Alexandre da Mata”), antecipando “Money Talks”, do álbum “Razor’s Edge”.
 
Em um show de bandas que fazem cover, é natural que os grandes sucessos homenageados fiquem para o final, de modo a encerrar o show deixando um sorriso no rosto dos presentes. No show do Seu Madruga, essa responsabilidade ficou por conta de “TNT”, já tocada em clima de encore. Ao final da música, antes de uma quase despedida, a produção comunica à banda que havia tempo para mais uma música, e os conhecidíssimos acordes iniciais de “Back In Black”, saudados com entusiasmo pela platéia, marcaram o começo do que seria, de fato, a última música da apresentação. Novamente um grande show do Seu Madruga, confirmando o que a maioria já sabe: que são uma banda de nível técnico, competência e profissionalismo realmente elevados.

É chegado o grande momento da noite: realmente a galera parecia ansiosa para acompanhar o desempenho dos recém companheiros de banda, tanto que assim que pisaram ao palco, os músicos do Rockfellas foram ovacionados quase que por unanimidade. E o quarteto não perdeu tempo, abrindo o show com 'Detroit Rock City' do Kiss. A canção foi apenas um aperitivo, afinal,  conforme já divulgado nas semanas que antecederam ao show, o grupo executaria grandes clássicos do Heavy Metal e do Rock. Promessa é divida, e o set era de fato caprichado!

Foto: Reynaldo TrombiniApós a boa impressão em 'Detroit Rock City' e alguns cumprimentos a platéia, o grupo "manda bala" agora com uma canção do The Police, a alegre 'Message in a Bottle'. Outra também que ganhou bons arranjos nas mãos dos rapazes. Correto dizer que a linha vocal de Paul Di'anno talvez não seja a mais adequada para uma canção popularizada na voz aguda de Sting, mas não houve espaço para avaliações muito detalhadas: a galera parecia mais preocupada em cantar uma canção imortal na história do Rock. O baixo de Canisso tratou de abrir uma veloz versão para 'Ace of Spades'.  Por onde passa, o clássico incendeia, agita e deixa eufórico quem o acompanha.
 
Na versão do Rockfellas, melhor ainda, pois a banda parece ter se dedicado muito nos ensaios. Era notório o bom desempenho dos músicos, que trouxeram para BH bastante entusiasmo e interação com a platéia. Paul Di'anno é um deles, o front-man é carismático, abre diversos sorrisos e demonstra que realmente está se divertindo com o projeto, mesmo não estando 100% em condições de arcar com uma turnê, talvez pelo passar dos anos que lhe trouxeram certa debilitação e uns quilinhos a mais. E foi o próprio Paul Di'anno que anunciou a próxima canção. Nem era necessário, afinal, outra banda clássica estava em cena. Dessa vez o conhecido riff de 'Symphony of Destruction', do Megadeth, foi executado de forma fiel por Marcão. Outro fator interessante também visto em 'Anarchy in the UK' do Sex Pistols era a tradicional e potente participação de Jean Dolabella. O atual batera do Sepultura não fez questão de deixar de lado toda a ferocidade usada em canções de sua atual banda. Se por um lado muitos já chegaram a cogitar o final da carreira de Di'anno, vemos que com Dolabella acontece o contrário. Não é exagero dizer que o músico vive o melhor momento de sua carreira.

Difícil imaginar um show com clássicos do rock sem algo do Black Sabbath. Não seria o Rockfellas um grupo para quebrar essa escrita e 'Paranoid'  foi um dos grandes momentos do show. A canção cantada em coro prova também um certo ecletismo no set, que viajou por diversas fases e gêneros do rock. Tanto que a sequência se deu com canções que voltaram bastante no tempo. 'I Love Rock'n'Roll', originalmente gravada por Joan Jett, também conseguiu um bom reconhecimento em um set recheado de clássicos. Tudo porque a banda soou (de novo) extremamente entrosada, e ainda teve durante todo o tempo a ajuda de uma excelente infra-estrutura da casa. O som era limpo e audível.
 
Após serem lembradas as bandas ‘The Kinks’ (com ‘You Really Got Me, popularizada pelo Van Halen) e os californianos do 'Dead Kennedys' (com ‘Kill the Poor’), aparece de forma marcante 'School's Out', de Alice Cooper. O reconhecimento positivo e a euforia pareciam maiores a cada canção, tanto que alguns mais "animados" tentaram subir ao palco, logo sendo contidos pela equipe de seguranças da casa. Equipe que não poupou em rispidez na hora de agir e conter quaisquer que fossem as situações desagradáveis proporcionadas pela platéia. Di’anno, que pareceu mais preocupado do que honrado, fazendo uma clara expressão de ‘sai pra lá’ para o “invasor” que tentou se aproximar dele, chegou a comentar depois: ‘Parem de bater no meu pessoal ou eu desço aí e espanco o traseiro de vocês’, traduzido em seguida (apenas aproximadamente) por Canisso. Mal imaginavam os engravatados que a apresentação estava apenas em sua metade.
 
A avalanche de clássicos continuava impecável, com uma dobradinha que deixou os amantes do punk orgulhosos. Não é para menos, porque o quarteto trouxe na bagagem 'I Fought the Law' do The Clash e a conhecida 'Blitzkrieg Bop' dos Ramones. Em ambas, a prova que todos estavam em uma inspirada noite, principalmente o guitarrista Marcão. A cada solo executado, o músico levantava a platéia, sem contar os momentos de pura interação se aproximando bem à frente do palco e ainda disponibilizando sua guitarra para que o público a tocasse. O clima de festa imperou por todo o show!

A noite era especial também para os fãs do AC/DC, afinal, tinha acabado de passar por ali uma banda exclusiva de covers dos australianos. Mas faltou 'Highway to Hell'. Ainda bem que o Rockfellas se deu conta disso! Coincidência ou não, não importa. Ecoava por todo o Freegells Music a clássica canção do AC/DC. Dizer que o animado refrão foi acompanhado com firmeza pelo público é "chover no molhado". Mais interessante se tornou a sequência, com uma turbinada versão para 'Breaking the Law' do Judas Priest, seguida da animada 'Ain't Talkin' About Love' do Van Halen.
 
Mesmo após quinze canções, nem menções de um encerramento. Muitos clássicos estariam por vir! Não há como negar, estava no ar a pergunta:  "Vai rolar Iron Maiden?".  A vontade do público era evidente, tanto que por vários momentos ouviam-se gritos de "Iron! Iron". Mas não foi dessa vez que o grupo resolveu atender a "necessidade" dos presentes. Mesmo assim, valeu à pena aguardar 'Jumping Jack Flash', que homenageou o Rolling Stones, enquanto 'Gimme All Your Loving' tratou de relembrar os blues/rockers do ZZ TOP. A madrugada de sábado se estendia, quando o grupo se retira do palco, após as execuções de 'Born to be Wild' (muito esperada!) e uma versão não tão eletrizante de 'Rock n' Roll', clássico imortal do Led Zeppelin. Para muitos, estaria na volta dos músicos a execução de algo relacionado ao Maiden.
 
Não demorou para que os gritos ensaiados de "Iron! Iron" tomassem novamente toda a casa. E a platéia errou de novo! O quarteto voltou agora para um interessante medley que contou com trechos de canções de cada banda dos músicos que compõem o Rockfellas. Por início, Marcão tratou de relembrar momentos de sua época com o Charlie Brown Jr., Canisso escolheu um trecho de 'Eu quero ver o Oco', enquanto Dolabella esbanjou fúria em 'Refuse/Resist'. Apenas uma brincadeira, bem aceita pela galera, que ainda ouviu atenta o penúltimo "petardo" do evento, a antiga 'Sunshine of Your Love' do Cream. Na verdade a faixa serviu mesmo para atrasar o que realmente era esperado pela galera.  

Já dizia o ditado: “Tarda, mas não falha!".  E como ele ganhou clareza no show do Rockfellas. Para delírio geral da platéia, o já cansado Paul Di'anno anuncia que estava na hora de Iron Maiden. A canção escolhida compõe o disco Killers, segundo álbum da Donzela de Ferro. Seria a faixa 'Killers'?, 'Murders in the Rue Morgue'? 'Wrathchild'?. Acertou quem apostou na última opção. Não é justo dizer que a versão do Rockfellas foi a mais eletrizante possível. Talvez todo o cansaço de uma grande maratona sob o palco tenha afetado os músicos. Paul Di'anno com certeza era o mais desgastado. Mas tudo era festa e nada parecia estragar o grande clima imposto pelo evento, que ainda teve animação de sobra do público em 'Wratchild', que encerrou o show. Pronto, agora parecia não faltar mais nada!
 
Ao todo foram 25 canções e inúmeras viagens no tempo, entre nomes que variam do Punk ao Metal. Quase duas horas de pura música pesada marcaram a primeira apresentação do Rockfellas. Vale lembrar que o grupo ainda se apresentará por várias localidades brasileiras. Um projeto diferente e até certo ponto audacioso. Mas os músicos já não precisam provar mais nada para ninguém. Parece que a idéia era mesmo se divertir e relembrar grandes nomes do Rock mundial. Parabéns! Missão cumprida!
 
Set Rockfellas:

  • Detroit Rock City - Kiss
  • Message in a Bottle - The Police
  • Ace of Spades - Motorhead
  • Symphony of Destruction - Megadeth
  • Anarchy in the UK - Sex Pistols
  • Sweet Leaf - Paranoid - Black Sabath
  • I Love Rock'n'Roll - Joan Jett
  • You Really Got me - The Kinks
  • Kill the Poor - Dead Kennedys    
  • School's Out - Alice Copper
  • I Fought the Law - The Clash
  • Blitzkrieg Bop - Ramones
  • Highway to Hell - AC/DC
  • Breaking the Law- Judas Priest
  • Ain't Talkin' About Love - Van Halen
  • Superstition - Stevie Wonder
  • Jumping Jack Flash - Rollings Stones
  • Gimme All Your Loving - ZZ Top
  • Search And Destroy - Iggy Pop and the Stooges
  • Seven Nation Army - White Stripes
  • Born To Be Wild – Steppenwolf
  • Rock n' Roll -  Led Zeppelin

Bis:
  • Charlie Brown Jr./ Raimundos / Sepultura
  • Sunshine of Your Love - Cream
  • Wrathchild - Iron Maiden
 
 
Comentarios (1) >>

elefante said: _

  devia ter ido nesse show... :(
setembro 11, 2008
Escreva seu Comentario


Escreva os caracteres mostrados


busy
 
Caro leitor, o Metal Clube se reserva o direito de retirar mensagens ofensivas, abusivas, publicitárias ou fora dos temas publicados. O Metal Clube não se responsabiliza pelo conteúdo das mensagens enviadas pelos visitantes, sendo que o limite por comentário é de 1000 letras. Alguns comentários poderão não ser publicados imediatamente por algum motivo incomum ou por haver palavras censuradas, Caso ache necessário entre em contato com nossa equipe pelo e-mail Este endereço de e-mail está sendo protegido de spam, você precisa de Javascript habilitado para vê-lo


28 visitantes online
 
| Colaborar | Orkut | YouTube | Galeria de Fotos | Equipe | Anúncios | Contato |
 
Colaborar!