| Centenário Japão-Brasil |
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| Por Ariane Ferreira | |
| 20 de junho de 2008 | |
Em 18 de junho de 2008 o Brasil celebra cem anos da imigração japonesa, o que deixa os dois países em festa, já que no decorrer destes anos as duas culturas puderam realizar trocas enriquecedoras em todos os âmbitos culturais.
Um pouco de história: em 18 de junho de 1908, o navio Kasato Maru aportou no porto de Santos - SP e deixou em terras tupiniquins os primeiros japoneses, isseis, que construiriam aqui a maior colônia japonesa no mundo, mudando de vez a forma do brasileiro de ver e fazer as coisas. As influências vão da culinária passando pelas formas mais diversas de arte como música, artesanato e arquitetura, chegando até a religião. Ao mesmo tempo que os primeiros isseis chegavam ao Brasil, o Japão abriu suas fronteiras para o mundo. Era hora do país receber e influenciar o mundo. Destas trocas, surgiram coisas novas, meios para tecnologias e, principalmente, um novo olhar para a vida. No Rock / Heavy Metal não podia ser diferente. O japonês precisava ouvir o que vinha de fora, mas precisava colocar seus olhinhos puxados a frente de um grande projeto, um som com sua cara e que ao mesmo tempo não fugisse das suas raízes. Foi então que em 1976 o Wow Wow foi criado, banda de Hard Rock com composições em inglês que ficou conhecida mundialmente. O grupo foi o primeiro de todo o oriente a alcançar os holofotes na Europa e Estados Unidos e segue encantando o público do gênero até os dias de hoje. Um geração depois, em 1989, estourava mundo afora com o álbum "Blue Blood", o X-Japan, banda de Power / Speed Metal formada em 1982, que durante 25 anos de carreira (a banda havia encerrado suas atividades em 1997) exibiu ao mundo seu Metal único, alegre e cheio de estilo, como o "Visual Kei" (cabelos coloridos e roupas extravagantes). Suas baladas também se tornaram grandes sucessos, como "Endless Rain" e "Kurenai". No ano passado, o lendário grupo anunciou seu retorno, para alegria dos fãs. Seguindo passos dos grandes destaques, bandas como Animetal – banda que regrava em versão Metal os clássicos do Anime; Area 51 – banda de Classic Metal que faz sucesso na Europa -; e Aphasia – banda de Heavy Metal formada por mulheres sucesso nos países asiáticos - continuam o legado deixado por seus mestres. Em contrapartida ao jeito próprio de fazer Metal, o público japonês segue sua máxima de conceder importância à coisas boas que vêm de fora e consolidam-se cada dia mais como um dos mais exigentes e importantes públicos metálicos no globo. Tão importante que as bandas se preocupam com faixas bônus, digipacks e lançamentos exclusivos para o público nipônico. E caminhando lado a lado da exigência, existe também o ecletismo. Os japoneses são reconhecidamente fãs exponenciais tanto de Heavy Metal Melódico (vide Angra), como de Prog Metal (Dream Theater), bandas americanas de Hard Rock dos anos 1980 (Mötley Crue), Death Metal (Morbid Angel) e Metal com voz feminina (Nightwish). O japonês conheceu a produção tupiniquim através do trabalho do Sepultura e recebeu de braços abertos e com muitos gritos o Metal de bandas como Angra, Shaman, Andre Matos e Hangar. Estas, com uma linha mais agressiva no Progressivo / Power Metal que sacia a sede local por barulho, técnica, musicalidade e talento. Além disso, a paixão japonesa por misturas explica o sucesso alcançado pelo álbum "Holy Land" (1996) do Angra, que vendeu mais de 100 mil cópias só no ano de lançamento e tem como motivo de seu sucesso a mistura de elementos da cultura musical brasileira na receita de suas canções. Outros álbuns como “Temple of Shadows”, do próprio Angra, “Arise” do Sepultura e “Reason” do Shaman agradaram e muito os japoneses. A paixão é tamanha que muitas bandas grandes, médias ou pequenas no cenário tupiniquim são muito bem recepcionadas por lá. Temos exemplo claros de bandas como o Liar Symphony, Eyes Of Shiva, Tuatha de Danann, Krisiun e Torture Squad. Além da própria música, os músicos brasileiros também são muito admirados, independente do estilo e servem como inspiração para estudantes e admiradores em geral. A imprensa local é também adepta deste pensamento e não é muito difícil ver o nome de um músico brasileiro na lista de melhores do mundo de sua categoria e/ou em especiais que reúnam o que há de melhor no cenário. Kiko Loureiro, por exemplo, foi considerado o melhor guitarrista do mundo no especial dos melhores de 2006 da conceituadíssima revista ‘Burrn! Magazine’, além disso, o músico “vira e mexe” ilustra alguma matéria de revista bem conceituada, a ‘Young Guitar’ e tem uma guitarra no modelo “signature” da marca Stafford, vendida somente no Japão. Da listas de músicos brasileiros conceituados na “Terra do Sol Nascente” estão nomes como Andre Matos, Andreas Kisser, Aquiles Priester, Edu Falaschi, Fábio Laguna, Fábio Ribeiro, Felipe Andreolli, Hugo Mariutti, Iggor Cavalera, Maurício Nogueira, Max Cavalera, Luiz Mariutti, Rafael Bittencourt e Ricardo Confessori, sem contar nomes da MPB. O sucesso brasileiro por lá é tão grande e apreciado como a cultura deles é por aqui. Basta olhar em cada rosto nissei ou sansei que passeia pelas ruas brasileiras e perceber o quanto nos tornamos semelhantes e não foi por culpa da mistura de raças somente. O que coloca Brasil e Japão, guardadas as proporções, na rota do cenário da boa música e em igualdade com um toque de irmandade é o respeito e a absorção pelo que há de melhor por parte do outro. Que este centenário seja o primeiro de muitos. |
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