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Megadeth - BH/MG Imprimir E-mail
Avaliação do Leitor: / 36
PiorMelhor 
Por Guilherme Mitre   
09 de junho de 2008
A seqüência interminável dos grandes shows de Rock/Metal assinalou mais um registro no último dia 8 de junho, em Belo Horizonte. Dave Mustaine e o Megadeth foram, dessa vez, os responsáveis por fazer ainda mais inesquecível esse ano de 2008 repleto de ricas atrações. 
E mesmo com tantos shows em intervalos tão curtos, os mineiros novamente surpreenderam e tomaram quase todo o Chevrolet Hall, casa que recebeu os norte-americanos. 

Com toda a história que o Megadeth carrega – uma carreira consistente, sempre fiel ao Heavy / Thrash Metal, grandes discos, músicos excelentes -, o clima que se notava era de muita ansiedade, principalmente porque a última passagem da banda por BH aconteceu em um distante 1997.

O Chevrolet Hall já estava com suas dependências praticamente lotadas quando, às 19h10 – horário bem pontual, já que a programação apontava que o show começaria às 19h -, Dave Mustaine, acompanhado de James LoMenzo (baixo), Chris Broderick (guitarra) e Shawn Drover (bateria) subiu ao palco dedilhando a introdução de “Sleepwalker”, faixa que abre o show e o último disco da banda, “United Abominations”, de 2007. Impossível não pontuar o som da casa, que estava simplesmente abaixo da crítica. Não havia condições de identificar a voz de Mustaine – que já não é das mais potentes – com definição ou escutar qualquer instrumento de forma clara. A bateria de Shawn Drover, por exemplo, parecia sequer estar com os microfones ligados. Apesar de toda a polêmica que a acústica do Chevrolet Hall carrega, dessa vez o problema não foi – ao menos, unicamente – da casa. No show do Megadeth de sexta feira, em São Paulo, Mustaine saiu do palco por problemas de som para retornar quase vinte minutos depois. O músico chegou a postar uma mensagem no fórum oficial da banda explicando que muitos técnicos de som vêm passando pela equipe técnica do Megadeth “graças a vistos, mortes e outros problemas”, deixando claro que o problema era de ordem interna.

Foto: Ângelo PettinatiEmendada em “Sleepwalker”, veio a clássica “Wake Up Dead”, do álbum “Peace Sells... But Who’s Buying”, de 1986, com um som ainda, no mínimo, emboladíssimo. Novamente sem pausas, a banda executou outra grande música prejudicada pelo áudio. Mesmo assim, “Take No Prisoners”, do antológico “Rust In Peace”, de 1990, arrancou bons gritos e aplausos da platéia.

Outro sucesso, dessa vez do disco “Countdown To Extinction”, de 1993, veio na veloz “Skin O’ My Teeth”. Mustaine nunca foi um exemplo de carisma no palco, já que seu estilo é naturalmente mais sério, mas dessa vez sua postura parecia estar carrancuda por demais. Foi quando o inevitável aconteceu. Logo após terminar “Skin O’ My Teeth”, o músico, em sua primeira interação com a platéia, foi ao microfone anunciar que a banda faria uma pausa “para consertar algum problema em sua guitarra”. Talvez essa tenha sido a forma mais simpática de poupar as mancadas de seu técnico de som, tendo em vista que sua guitarra parecia não ter nenhuma falha. Curioso que, segundo o próprio Mustaine, o show de sexta feira, em São Paulo, foi o segundo em toda sua carreira em que a banda teve de sair do palco. O primeiro havia sido em Toronto, no Canadá, em 2006. Belo Horizonte, então, acabou de anotar o terceiro em seu currículo que tem tudo para ser bem vasto, no que depender de sua equipe de som.

Depois de pouco mais de dez minutos, o frontman retornou ao palco se desculpando e pedindo que o público o ajudasse no resto do show. Foi quando “Washington Is Next”, outra faixa de “United Abominations”, foi anunciada. O som apresentou uma ligeira melhora, ainda longe do que se esperava, mas já trouxe mais esperanças a todos. Destaque para o novo guitarrista Chris Broderick (ex-Jag Panzer e Nevermore), que além de assumir os solos da música, agitou bastante junto do baixista James LoMenzo (ex-White Lion e Black Label Society).

A potente “Kick The Chair”, de “The System Has Failed”, de 2004, continuou mantendo o pique da platéia, agora, bem mais confiante tanto no som como no show, de uma forma geral. “In My Darkest Hour”, do álbum “So Far, So Good... So What!”, de 1988, foi um dos momentos mais emocionantes do show. A faixa, escrita em homenagem a Cliff Burton – ex-baixista do Metallica falecido em 1986 e contemporâneo de Mustaine na banda – é uma ótima opção ao vivo e foi cantada por grande parte dos presentes. O hino “Hangar 18”, também de “Rust In Peace”, surpreendeu pela sua fidelidade à versão original de estúdio. Chris Broderick, responsável pela maioria dos solos da música, não deveu em nada à performance de Marty Friedman , aclamado guitarrista que gravou grande parte dos discos e compôs muitos solos tidos como “clássicos” no Megadeth.

Do disco “Cryptic Writings”, de 1997, veio a excelente “She Wolf”. Mustaine impressiona ao cantar e tocar tantos riffs ao mesmo, além de, ainda que timidamente, bater cabeça nos trechos instrumentais. O dueto de guitarras que encerra a faixa foi simplesmente maravilhoso e, o melhor, bem audível – o que já era uma vitória levando em conta as condições do som.

Foto: Ângelo PettinatiEm uma seqüência para emocionar a platéia, a linda “A Tout Le Monde”, de “Youthanasia”, de 1994, foi das mais cantadas pelos mineiros. A banda, inclusive, fez uma parada no segundo refrão deixando apenas o público cantar – de arrepiar! Ao final da música, um cidadão invadiu o palco e tentou agarrar o baixista James LoMenzo. O segurança até que tentou detê-lo antes, mas não conseguiu. Mesmo assim, logo o rapaz foi pego e a música, encerrada.

Com tudo normalizado novamente, a banda sai do palco, com exceção do guitarrista Chris Broderick, que faz um curto (mas, poderoso) solo. Usando a técnica do two hands – velocíssimo, por sinal -, o músico acendeu a chama para outro petardo do disco “Rust In Peace”, “Tornado Of Souls”. A banda deu um exemplo de sincronia, principalmente a cozinha formada pelo baterista Shawn Drover e o baixista James LoMenzo. Chris Broderick brilhou nos solos de novo, tocando-os nota a nota e fidelíssimos aos gravados por Marty Friedman.

Talvez o maior hino do Megadeth, “Symphony Of Destruction”, também do álbum “Countdown To Extinction” foi também muito “comprometida” pelo som. Mas dessa vez, não pelos técnicos e sim pela platéia que cantava de maneira totalmente ensurdecedora. Os graves riffs da faixa fizeram todos baterem cabeça e praticamente esquecerem, ao menos por um momento, qualquer problema anterior do show.

“Peace Sells”, outra faixa do disco “Peace Sells... But Who’s Buying”, foi outra música que fez o público cantar junto, mas também, deixou os mais atentos bastante assustados. Em praticamente toda a turnê atual do Megadeth, “Peace Sells” encerrava o set normal que voltava apenas para tocar “Holy Wars... The Punishment Due” como bis. Dito e feito. A banda se retirou do palco e depois de um pequeno intervalo, Mustaine voltou, apresentou rapidamente seus companheiros e tocou um dos maiores clássicos de “Rust In Peace”, “Holy Wars... The Punishment Due”. Sob aplausos, mas também sob expressões duvidosas e assustadas dos presentes, o quarteto saiu do palco definitivamente, após aproximadamente 1h25 de show (se desconsiderarmos a pausa de dez minutos, o tempo cai para 1h15).

O Metal Clube teve acesso ao set list oficial do show e constatou o óbvio. De fato, foram cortadas músicas do set, mais precisamente, três delas: “Ashes In Your Mouth”, “Burnt Ice” e “Sweating Bullets” – todas presentes nos shows anteriores em Goiânia (03/06), Curitiba (05/06), São Paulo (06/06) e Rio de Janeiro (07/06). Uma perda considerável para os mineiros que, comparada ao set de Buenos Aires, no dia 29/05, foi ainda maior. Os argentinos tiveram seis músicas a mais – além das três anteriormente citadas, a banda tocou também “Trust”, “Gears Of War” e “Mechanix”. Isso sem contar que Chris Broderick tocou até o hino da Argentina na guitarra.

Em meio a tantos shows de sucesso acontecendo em BH, cedo ou tarde um deles poderia decepcionar o povo mineiro e o responsável “pelas honras” foi o Megadeth. O que tinha tudo para ser um show histórico pelo ponto de vista positivo, ficará marcado como uma apresentação comprometida, mas mesmo assim, morna e comum, para não dizer fraca. Apesar da relevância de um evento de tal porte, “tapar o sol com a peneira” é inevitável. As comunidades do orkut e os fóruns de fãs comprovam isso. É praticamente unânime o ponto de vista: som péssimo e um Dave Mustaine desmotivado além do normal. Tecnicamente falando, a banda saiu-se praticamente impecável, já que todas as músicas, sem exceção, ficaram extremamente fiéis ao original. Mas um show não é feito apenas por técnica. É feito, dentre outras coisas, por um som de qualidade, por um frontman carismático (ao menos, um pouco mais) e, principalmente, por um set list mais justo e coerente com o carinho que os headbangers mineiros têm com cada artista que pisa por aqui.
 
Fotos: Ângelo Pettinati e Reynaldo Trombini

Set List:

  • Sleepwalker
  • Wake Up Dead
  • Take No Prisoners
  • Skin O’ My Teeth
  • Washington Is Next
  • Kick The Chair
  • In My Darkest Hour
  • Hangar 18
  • She Wolf
  • A Tout Le Monde
  • Tornado Of Souls
  • Symphony Of Destruction
  • Peace Sells

Bis
  • Holy Wars... The Punishment Due
 
 
Comentarios (16) >>

Deivid said: _

  Dave Mustaine acha o maximo superar Metallica mais o que eu ve no chevrollet hall naum foi isso que aconteceu... Ingresso poderia ser mais barato e a banda mostrar mais vontande, nenhuma das musica que tocaram foram igual o megashow que eles fizeram em lisboa, mais vlw Megadeth em BH!
junho 17, 2008

Thrasher said: _

  No Brasil existem bandas de Thrash que tocam com mais vontade, basta ver os vídeos do CHAKAL no youtube para comprovar. Que saudades da formação clássica do Rust in Peace.
junho 16, 2008

só lamento said: _

  foi uma pena o show ter sido tão fraco, pois foi muitos esperavam por este show. Foi o pior show que fui até hoje na minha vida, espeva muito + muito mais mesmo.
FIASCO TOTAL
junho 16, 2008

muito chato said: _

  não confundam simpatia com energia e vontade de tocar.
nunca quis beijos nem de bon jovi e nem de dave mustaine por mim podem entrar no palco mudo e sair calado mas pelo menos toque com vontade e energia.
o show foi muito fraco e nao é só pelo som não, parecia uma banda cover de megadeth tocando em um lugar bacana.
na verdade acho que se fosse uma banda cover os caras iriam tocar com mais vontade.
obs: o pessoal ta com mania de falar que os shows estão cheios mas na realidade estes shows se muito dão 3000 para um lugar que cabe 5.800 se cheio for um pouco mais que a metade então realmente estão cheios.
mas no slayer tinha mais de 4000.
obs: o ingresso do slayer foi muito mais barato.
será que nao vale a pena abaixar um pouco e ter mais gente?
junho 12, 2008

Diêgo said: _

  O Show foi bom. O ponto negativo foi o corte das músicas pelo Mustaine. Concordo com a galera, se querem beijos vão assistir ao show do "Pessímo" Jovi. Só para comparar, o de 1997 eu estava presente. E foi bem melhor que o de 2008; e o comportamento do Mustaine foi o mesmo, não rolou "interação" nenhuma com a galera. Normal da parte dele. Tomara que voltem outras vezes.
junho 11, 2008

Quinho said: _

  O Queensrÿche é que merecia ter esse público.
Enquanto o Megadeth tocou pra um Chevrolet Hall cheio como se estivesse tocando pra ninguém, o Queensrÿche tocou pro mesmo Chevrolet Hall vazio como se estivesem tocando pra uma multidão.
Queensrÿche continua a ser o show do ano em BH.
junho 11, 2008

Ricardo Luiz said: _

  falar que ele ta tocando até hj por dinheiro acho estupidez, um cara que organiza um evento como a Gigan tour, uma banda que ja vendeu 20 milhoes de discos, acho que nao precisa fazer show no Brasil pra ganha dinheiro...
E falar que ele foi frio de mais??? Eu concordo com o amigo abaixo, se querem beijinhos vao ao show do Bon Jovi, pq o mustaine é aquilo ali mesmo, achei ele um poco desanimado no inicio do show apenas, mas nada anormal também
junho 10, 2008

Ricardo Luiz said: _

  Faltou profissionalismo da organização do evento, faltou competencia dos responsáveis pelo som e faltou competencia da equipe de seguranças, como que deixam um cara invadir o palco e chegar no baixista? o LoMenzo ficou branco, parecia que ia desmaiar auHAeAHEuheAUueA foi la pra trás respirar e se acalmar AHEhEAhehuEAH
Com certeza todos esses aspectos fizeram com que o Dave Mustaine cortasse parte do set-list oque foi uma pena, pq queria muito ver Trust e Mechanix
Mas Megadeth é Megadeth, to feliz por ter visto o Dave Mustaine tocar guitarra na minha frente, até ele entrar no palco eu ainda nao acreditava que eles iriam tocar!!!
junho 10, 2008

RMCJR said: _

  Boa resenha, bem fiel ao que foi o show, realmente o megadeth foi o responsável pelas honras do ano como primeiro show decepcionante em BH em 2008. Faltou profissionalismo da banda e muito...
junho 10, 2008

Carlos said: _

  O show poderia ter sido maior FATO. Mas se querem beijos dos caras vão assitir Bon Jovi!
junho 10, 2008

Fo|Da said: _

  |Pior show do ano, com cerveja...
junho 10, 2008

CLENIO RUSSI said: _

  O show começou em hora certa, aplausos, o que é muito dificil, excelente o set list dos caras, mas agora o decepcionante ficou por conta da qualidade do som, que estava horrível, juntamente com os preços das bebidas e infelizmente o grilo dos músicos por causa do som! Muito bom só faltou a qualidade por parte dos organizadores, que pena, um shou desses mereceria muito mais atenção!
junho 10, 2008

Euzin said: _

  para mim ele estava desmotivado com esses engenheiros de som e roadies.Ficar varios dias tocando com um som horrivel deve entediar qualquer um.
junho 10, 2008

RafaHell said: _

  www.rafahell666.blogspot.com
junho 10, 2008

RafaHell said: _

  Metal é pra poucos, ainda mais quando esta n movimento a muito tempo ou principalmente e membro de banda,alguns mantem com todo gas mesmo apos mais de 20 anos de banda mas alguns nao e so se mantem pela grana que o propoe...Dave Mustaine, é um fato vivo do que falo pois hj o que fala mais alto pra ele e o seu lado cristao (declarado por ele mesmo) e o que o mantem no meio do metal e o dinheiro.
junho 10, 2008

Eleutera said: _

  Apesar de conhecer toda a fama do Mr. Mustaine, não esperava tanta frieza da parte do frontman... simplesmente decepcionante!!! Mas ainda sim Broderick e LoMenzo foram surpreendentes...Já o Drover, achei a pegada muito leve para o Megadeth(nem estava suado ao fim do show...rsrsrsrs). Mas ainda sim valeu a pena ver uma das maiores bandas , ao menos em minha opinião, da atualidade!!!
junho 09, 2008
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