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BH Metal Alliance - BH/MG Imprimir E-mail
Avaliação do Leitor: / 15
PiorMelhor 
Por Reynaldo Trombini e Rafael Almeida   
04 de junho de 2008
Uma noite de sábado para banger mineiro nenhum botar defeito. A edição do BH METAL ALLIANCE foi responsável  por trazer ao palco do Matriz, em BH, alguns tradicionais nomes do underground de Minas Gerais, além de angariar um fervoroso público que não poupou esforços para conferir de perto as bandas Avoid the Pain, Silvercrow, Ansata, Helltown e Oculto.

O ano de 2008 tem sido extremamente agitado em relação a shows na capital mineira, visto que grandes nomes já pisaram em território belorizontino nessa temporada, fazendo  a alegria de boa parte da ‘massa’ roqueira de BH. O cenário underground também precisava de movimentação similar a dos grandes shows que passaram por aqui. Há alguns meses faltava algo mais bombástico e chamativo que pudesse agitar ainda mais os fiéis acompanhantes da música pesada. Então, nada melhor que suprir a citada ausência com nomes de qualidade já conhecida e, de ‘quebra’, algumas boas novidades.

Com divulgação extensa e de forma organizada, o evento já dava menções que traria retorno. Dito e feito! Por volta de 21h, já se via uma boa movimentação do lado de fora da casa, mas não tardou e de forma lenta as dependências do Matriz foram sendo tomadas.  Lentidão essa que resultou em um fato corriqueiro (infelizmente!): já estava no palco a banda Avoid the Pain mesmo com boa parte do público ainda do lado de fora.

Ruim mesmo foi para quem não acompanhou desde o inicio a apresentação dos músicos Pedro Leão (bateria), João Marques (bateria), Lucas Oliveira (guitarra) e Rodrigo Arruda (vocal e guitarra).  O quarteto responsável pelo Avoid the Pain apresentou, do início ao fim, canções oriundas de seu recente EP, trabalho voltado para o mais puro Death Metal, com variações também direcionadas ao Thrash em algumas canções. Formado em 2006, o grupo trabalha firme com o intuito de divulgar suas composições que se encontram no EP ‘About Blades and Graves’. Sorte do público que teve a chance de acompanhar uma vibrante apresentação de abertura, que se iniciou com a pesada “Eternal Lay”, seguida por “Corrupted Mind”.

Já com um público satisfatório para uma banda de abertura, o show seguia firme com boa resposta da galera que parecia admirar a banda sob o palco. Para quem já conhece o trabalho dos rapazes não é novidade nenhuma a grande qualidade de todo o grupo. O vocalista Rodrigo, por exemplo, é dono de características produtivas que adicionam imensa qualidade às faixas do Avoid the Pain. Prova disso é a trabalhada e elétrica “Enigma of Nightfall”, que trouxe à tona todo o entrosamento que a banda possui. Quem agradece dessa vez é o público.

Talvez pela tamanha concentração dos músicos sob o palco seja responsável por uma leve ausência quando falamos de presença de palco. Muitas foram as vezes que até o mais desatento notou que faltava uma dose maior de agitação dos músicos ao decorrer do show, mas vamos relevar, pois qualquer defeito ou falha foi deixado de lado com a execução de um grande clássico. “Troops of Doom” incendiou o Matriz, principalmente os fãs da fase mais antiga do Sepultura.

Em um dos raros momentos de interação entre banda e público, o vocalista Rodrigo Arruda fez questão de apresentar a banda, arrancando gritos de saudação e bastante aplausos. É inegável a qualidade do material do Avoid the Pain. As faixas têm a dose certa de peso e melodia e soam de forma voraz ao vivo. Após sete canções surge “Hounds” para fechar a primeira atração, que foi agitada e contou com muito peso. Que mais apresentações do Avoid the Pain possam povoar a agenda do segundo semestre de 2008.

Em seguida, um dos principais nomes da cena mineira chegou com novidades para a platéia. O Silvercrow trazia sua nova formação, com Bernardo Silveira (ex-Twisland, Fóllen) nos vocais acompanhando as caras já conhecidas de André Milagres (guitarras), Bruno Arantes (baixo), Joanes dos Santos (bateria) e Paulo Henrique (guitarras). A banda mostrou grande animação, entrosamento, técnica, presença e qualidade apresentando um repertório basicamente de músicas próprias, com direito a inéditas.

A banda abriu o show com a inédita ‘Why’, música do novo álbum, prometido para o segundo semestre. A faixa  não abandona o Metal rápido e enérgico do debut, mas agora está ligeiramente mais pesada e mais direta, sem teclados. Em seguida, vieram ‘Circle of Minds’, do primeiro CD, e ‘Taking Lives’, outra inédita. Para brindar da melhor forma possível a apresentação, surge um grande clássico. Antes de ‘Heaven and Hell’ (Black Sabbath), o estreante Bernardo dedica a música para um ícone da cena underground mineira: a carismática Ismar, clássica senhora que marca presença em praticamente todos os eventos de Rock/Metal de BH, e que fazia aniversário naquela data. O novo front-man mostrou durante todo o show grande carisma e versatilidade, dando sua interpretação pessoal sobre músicas do primeiro CD.

Os outros membros da banda, além de fazerem as músicas tecnicamente complicadas da banda parecerem fáceis, também mostraram excelentes performances individuais, como era esperado: Paulo, guitarrista já muito conhecido na capital, dava seu espetáculo particular com suas linhas de guitarra de atitude, tanto musical quanto visual, além de backing vocals muito bem executados. O jovem André não fica atrás e também mostra grande intimidade com as seis cordas. O baixista Bruno não segue o estereótipo introspectivo dos baixistas e participa do show tanto quanto os outros membros. Até mesmo o baterista Joanes, escondido atrás de seu instrumento, não deixa de participar diretamente das interações com a platéia: vez ou outra se levanta e puxa os gritos da platéia empolgada, o que pode lembrar alguns fãs de Mike Portnoy, do Dream Theater.

O show seguiu com a pesada ‘Betrayer’, do primeiro CD e ‘Fly’, outra inédita que também chegou para mostrar que o novo material será de nível satisfatório. O vocalista Bernardo toma novamente a palavra e apresenta a banda antes de ser apresentado pelo baixista Bruno. Para não perder o clima é anunciado mais um cover, que “representa bem essa nova fase da banda”: ‘Brave New World’, do Iron Maiden. O quinteto encerra o show com a também inédita auto-intitulada ‘Silvercrow’. Após um set bem abrangente, a banda volta à ativa com toda força, mostrando um nível de evolução e amadurecimento invejável. As músicas novas prometem. Pela agitação da platéia, a aprovação parece ser grande.

O Ansata Cross (mais conhecido apenas como Ansata) entrou no palco deixando clara sua identidade: praticamente todos os membros da banda se encontravam vestidos e/ou maquiados em uma atmosfera egípcia, principalmente com a Cruz Ansata (também conhecida como Ankh) que empresta seu nome à banda. O sexteto formado por Aline Hrah Maat (vocais líricos/rasgados), Marco Seth (guitarras/vocais rasgados/vocais guturais), De La Vega Tjati (baixo), Ricardo Heru-sa-Aset (guitarras), Nayara Sat-Ra (teclados) e Danilo Amon-Ra (bateria) apresentou várias músicas de composição própria e três covers.

A apresentação foi iniciada com “Egyptian Arcani”, que pode ser considerada a composição mais conhecida da banda até então. Um momento interessante se deu com a saída de Aline e Nayara, que deixaram o palco por alguns momentos. Com a retirada provisória da dupla feminina a banda adquiriu uma cara bem Death Metal com a apresentação de “Slave New World”, dos conterrâneos do Sepultura. Um cover que foi bem executado e agitou do inicio ao fim a maioria dos presentes. Após a volta das duas, a banda apresentou “Anguish Eagle”, seguida por “Devil & The Deep Dark Ocean”, do Nightwish, escolhida para a apresentação muito provavelmente por seu peso e sonoridade oriental. Ouvimos então “To The Mystic Island of Avalon”, uma composição também recente da banda, e outro cover: “Swamped”, do Lacuna Coil, que também apresenta sonoridade oriental e peso destacados.

Se em caracterização e temática o Ansata Cross transpira egiptologia, na parte musical essa responsabilidade recai quase exclusivamente sobre os teclados e os vocais. A banda poderia facilmente ser confundida com um grupo de Death Metal se considerarmos apenas os outros instrumentos. Devido ao fato de, pelo menos em alguns pontos da casa, o som dos teclados se apresentar muito baixo em relação aos outros instrumentos, um ouvinte desavisado talvez não percebesse a temática egípcia da banda se julgasse apenas pelo som dos outros instrumentos. Na parte técnica, se destacaram principalmente os vocais de Aline (os líricos), que mostraram força e clareza na execução das linhas mais orientais e o baixo de De La Vega, que mostrou técnica e limpeza em seu solo a two-hands. Após o padrão de tempo usado para cada atração, a banda encerrou o show com “Implicit Dawn” e “As A Lonely Sand Rose”, duas composições de autoria própria que só vieram a deixar firme o recado que o grupo pretende mostrar em suas canções.

Uma banda de certo modo nova no cenário da capital, o Ansata Cross vem angariando fãs e evoluindo seus trabalhos na tentativa de se destacar em um segmento praticamente inexplorado no Brasil, ainda mais em Belo Horizonte.

Após o fim do terceiro show, quem esperava pelo Helltown já começou a ficar mais atento e se posicionar mais à frente do palco. Também não é para menos. A banda passou uma grande jornada de mudanças e sumiu dos palcos de BH. Foram dez meses sem shows por aqui. Mas é fato; a volta foi triunfante e resultou em um show excelente. A noite era mesmo de novidades. O grupo estreou nada menos que três novos integrantes e acabou de vez com o mistério sobre sua nova vocalista, que mostrou ter agarrado com unhas e dentes a oportunidade.

Logo após a breve introdução que compõe o disco ‘Lead to Hell’, surge “Higher Than You” e traz para o palco os remanescentes Freddy Daniels (baixo), B. Holv (guitarra), além do trio de estreantes Léo Lanny (guitarra), Luiz G. (bateria) e Kell Hell (vocalista). Como já é de costume, a banda vem ainda divulgando as canções de seu primeiro registro oficial, o disco “Lead to Hell”, gravado no final de 2006.

Parece que toda à espera pelo retorno valeu à pena. O público saudou os Hard Rockers do início ao fim, cantou boa parte das canções e aprovou quase que em sua totalidade a escolha dos novos integrantes. O novo quinteto se mostra de forma muito mais agressiva que as formações anteriores, fator que refletiu no público, pois bastou soar as primeiras notas de “Breaking the Times” para que a agitação fosse uniforme. Devidamente trajado com uma blusa do Judas Priest, o baixista Freddy Daniels mais uma vez assume a linha de frente da banda sob o palco e é referência quando o assunto é presença de palco e vibração.

Um cover que sempre está presente nos sets da banda mais uma vez chamou a atenção. A alegre ‘All We Are’, cover do Warlock, ditou o ritmo e comprovou o quanto os novos membros estão soltos nessa nova jornada com o Helltown. O guitarrista Léo Lanny tem categoria de sobra e já se mostra interagido não só ao executar as canções como também na presença de palco. Escolha 100% correta! Já a vocalista Kell Hell é dona de um carisma acima da média. A nova dona dos vocais do Helltown segue um estilo próprio, causa boa impressão e sela de vez o fim de toda a procura que atrasou os projetos do Helltown.

A sequência do show se deu com uma dobradinha que resultou em dois videoclipes. “Run for Action” e a balada “Alone in the Night”, que já têm seus clipes devidamente postados no Youtube, sacudiram mais uma vez a platéia. Uma pena que após quarenta minutos era chegada a hora do desfecho. Algo especial foi deixado para o fim. Eis que surge “Mr. Crowley”, de Ozzy Osbourne e surpreende quem esperava por um cover mais para o lado Hard Rock. Os versos da conhecida canção ganharam intensidade na voz da jovem Kell Hell, além de arranjos firmes e muita, muita vibração vinda da galera que durante todo o show permaneceu bem colada ao palco.

Uma apresentação que beirou o ápice do festival, com uma formação ainda não vista pelo público belorizontino. Um triunfo que faz com que a nova fase da banda traga ares positivos para o grupo e recoloque o Helltown no lugar que ele nunca deveria ter saído: um dos grandes destaques no cenário mineiro.

Para fechar o BH METAL ALLIANCE, surge uma banda dedicada exclusivamente a covers. O Oculto carrega na bagagem canções do Rammstein, dentre outros nomes já conhecidos. Seria injusto o grupo não usufruir da grande atmosfera e clima de festa proporcionados pelo público, que contribuiu muito com bastante empolgação e resposta direta após o término da cada canção. Melhor impossível! Boa parte da galera resolveu esperar a última atração, que é formada por Liara (vocal), Thalis (Guitarra e backing vocals), Gledson (Bateria), Adriano (Teclado), Breno (Guitarra), Lucas (sample) e Breno Panda (Baixo).

Para despontar da mesma forma que as outras atrações e com o intuito de jogar para longe qualquer sinal de cansaço, a banda aposta em um clássico: “The Beautiful People”. A famosa versão cantada por Marilyn Manson foi motivo para destacar de alguma forma o Oculto, que mostrou bom entrosamento e, mesmo executando apenas covers, conseguiu fazer bem a sua parte e manter o nível de toda a festa.

A segunda música também agradou os fãs de Marylin Manson. A pulsante “Sweet Dreams” é mais uma que figurou no repertório da banda. Dessa vez, a performance recheada de charme de Liara nos vocais marcou a faixa que serviu para deixar a galera bastante eufórica. Euforia que pareceu não ter contagiado um dos membros da banda. Durante a apresentação do Oculto, o baixista Bruno parecia tranqüilo e apenas se limitava a dar sua contribuição como músico, sem dar menções que poderia ser entregar um pouco mais ao show. Mas, se o rapaz passou em branco, outros atrativos ajudaram o Oculto  na empreitada. Os flyers mostravam que a banda também executa canções dos alemães do Rammstein, então  mais três canções apimentaram o set e agradaram o público que aguardou até o fim. A conhecida “Amerika” merece destaque. A canção também é bem conhecida para quem curte o estilo, logo, foi cantada pela maioria.

A escolhida para encerrar o show foi a pesada “Feuer Frei”. O fantasma de ser a última banda de um evento com cinco atrações não resumiu em resultados negativos a apresentação do Oculto. A banda conseguiu manter acessa a energia de boa parte do público e se adaptou bem a grande salada de estilos que rondou o palco do Matriz naquela noite.

Já era madrugada quando vem a conclusão que o BH METAL ALLIANCE  se tratou de um evento que mostrou a força da cena Metal em BH, com produção organizada, divulgação certeira, público inspirado e bandas de alta qualidade e que tem tudo para crescer ainda mais, pois não falta dedicação e talento. Quando dizem que Belo Horizonte é a terra do Metal, não considere exagero, afinal, a rotulação é merecida!
 
 
Comentarios (4) >>

Raphael- pato.... said: _

  muito bom...essas cara são ferass d+++ constumava irr..pelomenoss uma vez por ano no show deles... agora to meioo sumido..mas pretendo voltar... abraço pra turma aii e ate logo..!!!
junho 18, 2008

Avoid the Pain said: _

  Muito bacana o festival. Valeu pela presença do público e às bandas participantes. Deixo aqui uma correção relativa à formação da banda: Pedro Leão (bateria), João Marques (baixo), Lucas Oliveira (guitarra) e Rodrigo Arruda (vocal e guitarra)
junho 18, 2008

RafaHell said: _

  apesar de eu nao gostar do estilo da banda (instrumental) é impossivel deixar de assistir e elogiar a excelente qualidade tecnica demonstrada pela banda...quanto ao tema da banda...ja disseram no passado "o mundo odeia mudanca, porem é a unica coisa que traz progresso"
ha...e o baixista tem um p...baixo
junho 09, 2008

Banda Ansata said: _

  Realmente, o show foi muito bom! Infelizmente, alguns instrumentos não ficaram alinhados ao volume de todos os outros, devido aos problemas técnicos, e por não termos o tempo necessário para passar o som e deixá-lo mais nítido. Sobre o nosso estilo, realmente, os teclados e vocais ficam mais encarregados de passar o tema místico para as músicas, apesar das guitarras também utilizarem bastante a escala menor harmônica em nossas composições. No mais, agradecemos muito a força que o público nos dá, e agradecemos também ao Metal Club pela oportunidade de divulgação que oferece às bandas underground. Valeu! Ansata Cross
junho 05, 2008
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