O jogo Guitar Hero chega em sua quarta edição e já não sabemos quem se beneficia mais com isso. De um lado estão os fanáticos por games que podem tocar as músicas de seus ídolos com um repertório gigante. Por outro lado, as bandas conseguem mais uma forma de adentrar na cabeça dos jovens e conquistar um novo ramo no mercado de consumo.
“O Guitar Hero é um jogo de simulação de guitarra, aonde o jogador passa a ser o único herói dos palcos”, diz a definição segundo os fãs do jogo. Para o ministério da cultura, o game é mais do que uma diversão para os fãs, mas também ajudam músicos e gravadoras. Para o professor Sérgio Nesteriuk, que ensina design de games na Anhembi Morumbi e tecnologia e mídias digitais na PUC-SP, “Os ouvintes saíram do estado passivo de apenas escutar e viraram agente da música, já que nos games ela só acaba quando se termina de tocá-la”.
Atualmente o game atinge um alto grau de popularidade, e já atingiu a marca de US$ 1 bilhão em vendas. O Guitar Hero consegue trazer a proximidade dos estilos musicais aos fãs. O jogo traz aos jovens a possibilidade de fazer o que os monstros do Heavy fazem. Todos se tornam capazes de realizar solos de Slash ou do Zakk Wiilde.

A questão vai além da polêmica da democratização das culturas, por ser ambivalente. Ao mesmo tempo em que todos têm acesso mínimo ao domínio de um instrumento musical, a referência de grandes bandas passa a ser desprezada. Pode ser que uma banda “perca a graça” se não têm seus hits disponíveis pelo jogo.
Um episódio da série americana “South Park” fez uma crítica de que os jovens achem mais emocionante o barulho do jogo do que ao solo de um grande guitarrista. Pesquisas mostram que os jovens conseguem assimilar a situação de prazer, quando eles são capazes de realizar as atitudes que admiram. Talvez ouvir música já não tenha mais graça se elas não poderem ser tocadas por quem ouve.
O problema é que as bandas se venderam e ainda vão se vender mais à essa indústria que “vicia”. Recentemente o Aerosmith ganhou seu primeiro Guitar Hero. O jogo tem sido visto com bons olhos pelos executivos da indústria da música como uma forma de contornar a crise de vendas de discos e as perdas com a pirataria.
A banda The Romantics entrou com uma ação contra a Activision, que produz a série de games Guitar Hero, sob a alegação de que o game infringe os direitos do grupo sobre a música "'What I Like About You", lançada em 1980. O grupo reclama, na verdade, que a versão do Guitar Hero ficou parecida demais com o original. A conclusão que se pode tirar é que ainda há quem defenda com unhas e dentes o trabalho que tanto lhe custa um “dom” pra fazer, ainda que vivam com o constante e interminável problema da venda de discos não autorizada.
Será que a solução contra a pirataria é fazer com que todas as bandas virem jogos de Guitar Hero? E o que fazer com os grandes concertos e bate-cabeça que conquistou gerações passadas? Enquanto a polêmica e a pirataria rolam, as bandas tentam sobreviver disponibilizando seus hits para que os game maniácos se divirtam e que de uma forma ou de outra, nunca deixem de ouvir seus grandes trabalhos.
E eu que pensava que as bandas poderiam só vender músicas...