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Shows e Festivais
Dream Theater: BH/MG | Dream Theater: BH/MG |
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| Por Guilherme Mitre | |||||||||||||||||||||||||||||||||
| 11 de março de 2008 | |||||||||||||||||||||||||||||||||
Uma das primeiras grandes surpresas para os mineiros em 2008 aconteceu
quando se confirmou o show de uma das maiores bandas de Prog Metal de
todos os tempos, o Dream Theater. Belo Horizonte foi uma das cidades
que recebeu o Dream Theater na “Chaos In Motion Tour”, turnê de
divulgação do álbum “Systematic Chaos”.
Após uma estafante agenda, tocando dia 7 de março no Rio de Janeiro e dia 8 em São Paulo, um dos quintetos mais impressionantes do mundo da música desembarcou em BH dia 9, justamente para encerrar a parte brasileira da tour, que ainda tem mais dois shows da perna sul-americana, Bogotá, na Colômbia, dia 12 e Caracas, na Venezuela, dia 14.
A última passagem da banda pelo Brasil, em 2005, mostrou que os norte americanos fazem, de fato, um espetáculo: três horas de show e, em uma das apresentações em São Paulo, a execução completa de um dos seus maiores álbuns, “Metropolis Part II: Scenes From a Memory”.Apesar de agora, em 2008, serem outros tempos, outras idéias, como um show menor, com banda de abertura, a expectativa não foi menor. O Chevrolet Hall, casa que recebeu o show, já tinha uma considerável fila desde 9h, para portões que se abririam 16h30. Quem pretendia ir ao clássico Atlético X Cruzeiro, realizado no mesmo dia, só tinha uma alternativa: correr muito. E assim, às 18h, o Deventter, banda responsável por abrir o show de Belo Horizonte, sobe ao palco. Os paulistas foram escolhidos por nada menos que Mike Portnoy, baterista do Dream Theater, através de uma espécie de concurso em que bandas mandariam seus materiais para o músico escolher quem seria agraciado. Fazendo um Prog Metal com diversos elementos eletrônicos e ‘modernosos’, o Deventter segurou bem a perigosa tarefa de abrir o evento. Músicas como “The Secret Of Your Power” e “Depression”, do álbum “The 7th Dimension” mantiveram boa parte da galera atenta, apesar de estática. Às 18h30, a versão de “Eleanor Rigby”, dos Beatles, que dividiu opiniões, encerrou de forma positiva a apresentação do Deventter. Pouco depois das 19h, as luzes se apagaram e os berros para recepcionar o Dream Theater ecoaram em todo o Chevrolet Hall. O semáforo que o grupo vem utilizando para adornar o cenário mudou sua cor de vermelho para laranja quando um vídeo com cenas de toda a carreira da banda passou nos telões. Estava aberto o terreno para subir ao palco cinco peritos representantes não somente dos seus instrumentos, mas do Prog Metal, da música. Com a luz do semáforo agora verde, Mike Portnoy trouxe aos palcos sua paixão pelo cinema quando a banda adaptou, para a introdução, a música “An Ant Odyssey”, do filme “2001 – Uma Odisséia no Espaço”, de Stanley Kubrick. Sob berros e mais berros, “Constant Motion”, um dos carros-chefe de “Systematic Chaos” começa e incendeia a mineirada. A versatilidade da música fez a platéia balançar cabeças e admirar os atos instrumentais, em que os teclados de Jordan Rudess e as guitarras de John Petrucci se destacam. Antes da segunda música, o vocalista James LaBrie cumprimentou Belo Horizonte e anunciou uma das surpresas do set list. Quando John Myung dedilhou no baixo as já clássicas notas de “Panic Attack”, o público novamente enlouqueceu. Apesar de o som estar meio confuso, dava para perceber que a evolução de Mike Portnoy nos backing vocals continua, com o perdão do trocadilho, em constante movimento. Em seu suntuoso novo kit transparente, o baterista mostrou que sua técnica e simpatia em cima do palco continuam cada vez melhores. Como em 2005, a bateria (na ocasião, o kit branco “Albino Monster”) também veio reduzida em algumas peças como ‘somente’ dois bumbos e não três, tal qual é em sua forma original. Mas, obviamente, nada que atrapalhasse o show. Outra surpresa, não menos maravilhosa, foi Endless Sacrifice que, para chocar ainda mais, surgiu sem qualquer anúncio – simplesmente com a introdução na guitarra. A faixa é um dos pontos mais altos de “Train of Though”, de 2004 e ao vivo, consegue ser ainda melhor. James LaBrie vem mostrando cada vez mais suas qualidades como cantor. O canadense destruiu durante todo o show, tanto no fator técnico, como em feeling e até em presença. Voltando ao novo trabalho, “The Dark Eternal Night” agitou bem a platéia que, tal qual em “Constant Motion”, parou para admirar a porção instrumental do meio da composição. Como cada hora se destaca um (ou todos), quem leva o prêmio dessa vez é John Myung. Em seu bom e velho estilo tranquilo, o baixista continua surpreendendo quando acompanha, em seu instrumento, cada nota da guitarra.
O sumiço de LaBrie dos microfones e do palco derramou na galera uma ansiedade que, sem dúvida, compensou. “Erotamania”, um dos maiores registros instrumentais da carreira do Dream Theater, brindou o público com o legítimo Prog Metal que consagrou os norte americanos. John Petrucci e sua guitarra trouxeram lágrimas para alguns, estado de choque para outros, catarse para todos. Mas falaremos mais de sua atuação depois...Na dobradinha de “Awake”, veio outro petardo: “Voices”. O conjunto da obra é tão impressionante que joga por terra toda teoria leviana de que o Dream Theater é exaltação técnica. Os arranjos, harmonia, melodia e até letra fazem com que a música esteja mais viva do que qualquer outra característica pejorativa. Só fica a ressalva de “The Silent Man” não ter entrado para compor a trinca de “A Mind Beside Itself” (Erotomania, Voices, The Silent Man) e a sequência, além de ter mais sentido, ficar perfeita. Mas queixas de repertório sempre irão acontecer... Outro ponto não exatamente negativo, mas curioso, foi o fato da banda ter tocado grande parte do set em um andamento mais lento, talvez pelo cansaço ou até por opção, já que o Dream Theater não precisa provar mais nada para ninguém. Para infelicidade de alguns conservadores, outra música de “Octavarium” foi “I Walk Beside You”, que, queiram eles ou não, foi cantada por toda a platéia. A composição já recebeu algumas críticas pelo seu formato mais “Pop” que praticamente suprime elementos “Prog”, mas mesmo assim, não se pode negar seu poder ao vivo. É a típica faixa para se cantar junto e foi isso que os mineiros fizeram, dando também seu espetáculo. Depois da baladinha, outra paulada que, apesar de mais recente, já recebe algum status de ‘clássica’. A pesadíssima “As I Am” foi uma das mais cantadas pelo público que, a tiracolo, ainda bateu muita cabeça. Petrucci foi ovacionado assim que seu solo terminou; o mesmo aconteceu com Portnoy nas suas sequenciadas frases na bateria. Emendando com o final apoteótico de “As I Am”, veio a impactante “The Ministry of Lost Souls”, também do novo álbum “Systematic Chaos”. Na bela introdução, o que se via eram mãos para cima e coros acompanhando o teclado de Jordan Rudess, mas na variação para o peso, cabeças balançavam de novo. Dentre as composições do último disco, “The Ministry of Lost Souls” é uma das que apresenta mais doses de virtuosismo tanto individuais como coletivos e, obviamente, ao vivo todos se saíram perfeitos, principalmente o dueto de guitarra e teclado entre John Petrucci e Jordan Rudess. Para a felicidade dos presentes, o clássico-mor da noite veio direto do álbum “Images and Words”, de 1992: “Take the Time”. Em uma versão com algumas pitadas de improviso, a música emocionou a todos, mesmo pecando ao cortar um dos versos e um dos refrões. Uma pena... Jordan Rudess usou um teclado portátil com visual psicodélico que o possibilitou interagir com a galera, dando um atrativo a mais a sua atuação. Na saída tradicional para o bis, a expectativa era grande para alguma surpresa, já que era a despedida dos shows do Brasil. E ela veio, não em música, mas em performance! O medley que o Dream Theater vem tocando como bis se repetiu em Belo Horizonte, porém, com adicionais simplesmente hilários, para não dizer, inesquecíveis. John Petrucci, na primeira parte do medley que é aberto por “Trial of Tears”, do disco “Falling into Infinity”, despejou um solo literalmente insano! O guitarrista se ajoelhou e ficou tão envolvido com o momento que simplesmente caiu no palco. E, pasmem, continuou solando sem parar. John Petrucci, que há muitos anos, preferiu adotar uma postura mais contida (por muitos, fria) no palco, deixou-se tombar e ainda rolou no chão. Isso sem sequer interromper o solo para se recompor. Mike Portnoy, gargalhando, invadiu o palco sob os olhares de Jordan Rudess e John Myung, ambos rindo (sim, amigos, o Myung riu – histórico!), para reerguer Petrucci a condições mais ‘normais’ para se tocar. Para quem achava que as surpresas pararam por aí, outro momento, esse sim, memorável, aconteceu. Petrucci e Portnoy trocaram de postos, com o primeiro assumindo a bateria e o segundo, a guitarra. Enquanto John Petrucci, mesmo demonstrando alguma intimidade com a bateria, fazia barulhos, Mike Portnoy arranhou “Eruption”, do Van Halen! Precisa dizer mais alguma coisa? Depois dessa overdose de momentos, para muitos, inesquecíveis, o medley seguiu com inserções de “Finally Free” (infelizmente, a única menção de “Scenes From a Memory”), “Learning to Live” (interrompida em um dos seus melhores momentos, o solo de guitarra com efeito de violão), In the Name of God (que teve uma grande parte, incluindo, o maravilhoso dueto ultra virtuoso de guitarra e teclado) e o lindíssimo ato “Razor’s Edge”, de “Octavarium”. Como muitos medleys, com o Dream Theater não é diferente e a vontade de que muitas dessas músicas fossem tocadas em sua totalidade ficou no ar. Enquanto a banda encerrava o show, James LaBrie agradecia toda a platéia, acenando para ela de todos os cantos do palco. Despedindo-se dos mineiros e do Brasil, o quinteto se colocava para a clássica saudação de agradecimento, enquanto Mike Portnoy (sempre ele...) fazia ‘peripécias sexuais’ com uma formiga que enfeitava o palco. Depois da farra, o adeus... O triste e inevitável adeus. Após pouco mais que duas horas, a realidade começava a voltar e o estado catatônico em que muitos se encontravam começava a ir embora. O Dream Theater continua sendo a maior banda do gênero e uma das maiores do Heavy Metal contemporâneo. Dessa vez, o som do Chevrolet Hall não estava exatamente ruim, mas excessivamente alto. Por vezes foi necessário que se tapassem os ouvidos e, nessas horas, se ouvia a banda com muito mais definição e clareza. Fica o toque para próximas apresentações... Independentemente disso, o que aconteceu no último dia 9 de março foi histórico, antológico. Além dos elementos inusitados do show, a apresentação do Dream Theater em Belo Horizonte foi considerada pela maioria como a melhor da tour brasileira de 2008, inclusive pelo set list. De acordo com diversos comentários como o das comunidades da banda no Orkut, por exemplo, Belo Horizonte teve a melhor performance da banda, os momentos mais históricos (isso é inquestionável, sem bairrismos) e a melhor seleção de músicas. Absolutamente fantástico! O show do Dream Theater iniciou a temporada de shows dos sonhos em Belo Horizonte. Apesar de não terem se esgotado os ingressos, a presença dos mineiros foi bem maciça e tomou praticamente 70% do Chevrolet Hall. Saldo bem positivo, mas não o melhor. É importante deixar claro que ainda é cedo para falar que BH entrou na rota das cidades que receberão grandes shows. Ainda falta muito! A overdose de grandes apresentações que virão em 2008 se deve, principalmente, ao valor baixo do dólar. Vide Manaus que nesse ano receberá os maiores shows de sua história, como Scorpions, Whitesnake e Nightwish. Dá para afirmar que a capital amazonense se consolidou como uma nova São Paulo ou Rio de Janeiro? Em BH, a situação é mais ou menos a mesma e para que ela se torne um novo pólo no caminho dos produtores cabe ao público mostrar isso. Não será nada interessante jamais ver um Dream Theater em Belo Horizonte de novo e os mineiros têm potencial para mostrar que idéias como essa dos produtores podem muito bem continuar. Que o “adeus” do Teatro dos Sonhos se transforme em um “até breve”. Set List:
---ENCORE---
Thaynã Henrique R
said:
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| Excelente resenha do show, esse foi o melhor show q já fui. Como vcs já disseram, tomará q esse "adeus" se transforme em um “até breve”. |

| Excelente resenha do show, sem contar q foi o melhor que fui na minha vida. mas como vcs já disseram tomara q esse "adeus" se transforme em um "até breve" |

| que deixar bem claro que dream theater e a melhor banda do mundo queria que vcs tivessem entrevistado john myung... |

| Grande resenha!!! O show foi doido demais!!! A expectativa antes de começar, então, nem se fala. Só queria saber uma coisa. Qual foi a quantidade de pessoas presentes no Chev. Hall? Alguém sabe me dizer? Abraços. m/ |

| É isso aí, Gui... ADOREI a SUA resenha e o show mais ainda! Valeu a pena o suor, o tumulto até a segunda música, ficar perto de um mané que só foi pra brigar e até ter ficado surda... O total conhecimento sobre a banda só conta positivamente para o sucesso do texto. Uma pena vc não ter podido entrevistá-los. Era a pessoa mais indicada para a tarefa, com certeza. Você é o meu jornalista preferido! |

| Excelente resenha do show. Foi o melhor show da minha vida. Totalmente inesquecível!!!! |

| Gui, Fantástico o relato do show... Parabéns pelo texto! Relembrei, com perfeição, cada momento desse show inesquecível! Forte abraço! |

| vim aqui no RJ fui em SP, como jah eh de praxe subestimei BH levei um consolo desconcertante, quando vi o set list perto da meia noite de domingo pra segunda se arrependimento matasse long live DT |

| Estou chorando só de lembrar... |

| Eu perdi! :( |

| Review do show tá muito bom... Foi isso tudo aí mesmo!!! |

| Grande Mitre, em sp tremeu tudo!!!! |

| Sensacional...Maravilhoso!! Review sensacional, narrou tudo!! |

| Parabenizo ao Metal Clube pela excelente resenha e pelas fotos. A concorrência não conseguiu fazer o mesmo bom serviço... O show foi incrível, 100% audível (ouvia-se cada detalhe), com momentos únicos para quem estava presente e fatos marcantes até mesmo na história da banda. Só quem estava lá entende qual é a sensação. Viva os 5 magos da música. Viva o Dream Theater! |

| Melhor show que já fui, de longe!! |
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