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Blaze Bayley, forte e versátil Imprimir E-mail
Avaliação do Leitor: / 11
PiorMelhor 
Por Reynaldo Trombini   
08 de março de 2008
No meio musical, é normal associarmos alguns nomes de artistas a antigas bandas e trabalhos gravados em anos anteriores. É como associar Ian Gillan ao Deep Purple e Rob Halford ao Judas Priest, por exemplo. Para muitos, o fato de viver na sombra de antigos trabalhos não é a melhor forma de sobrevivência no mercado e parece, na maioria das vezes, não funcionar.

Ao citarmos o nome de Blaze Bayley logo nos vem à cabeça o Iron Maiden e seus contestados álbuns gravados a frente dos vocais da Donzela de Ferro. Porém o esforçado vocalista tem motivos de sobra para apagar sua imagem negativa criada na sua época de Iron Maiden e fazer com que os rigorosos fãs do aclamado heavy metal, apreciem mesmo alguns anos depois a qualidade de seu trabalho.

Bem no começo da década de 90, Blaze já tentava se despontar a frente do Wolfsbane, sua banda anterior ao Maiden e a tentativa também não foi muito satisfatória. O grupo não conseguiu muita repercussão e alguns até desconhecem o trabalho do Wolfsbane, que nunca conseguiu se desvencilhar do termo ”underground” e até mesmo se colocar dentre o primeiro escalão do metal mundial.
Blaze com o Wolfsbane

Após assumir os vocais do Maiden depois da saída de Dickinson, é notório e necessário pouco esforço para concluir que toda a “ira” de alguns fãs contra os álbuns “Virtual XI” e “The X-Factor” não vêm por acaso. Esses trabalhos surgiram com uma responsabilidade de manter o alto nível de álbuns anteriores do Maiden, superar a desconfiança dos fãs e ainda para Blaze a difícil e quase impossível missão de suprir a ausência de Bruce Dickinson nos vocais. A receita não deu muito certo pois as composições não conseguiram o mesmo impacto dos grandes clássicos, deixando de lado esses trabalhos e fazendo com que os fãs continuem dando mais atenção aos famosos discos “The Number of the Beast”, “Piece of Mind”, “Powerslave”, dentre outros.

Após sua fase pouco badalada no Wolfsbane e sua contestada passagem pelo Iron Maiden, fica a pergunta: “Qual rumo tomaria a instável carreira de Blaze Bayley?”
 

A aposta ficou dessa vez em uma carreira solo, assim como um dia já fez Paul Di`anno, Rob Halford, Ozzy Osbourne e até mesmo o próprio Bruce Dickinson. Outro fator logo vem á tona se analisado a carreira de Blaze: “Qual seria a receita de sucesso para um vocalista que não conseguiu cair nas graças dos fãs de umas das maiores bandas do planeta?”

A resposta vem com trabalho, criatividade, ótima produção e composições que nada ficam devendo a grandes bandas que hoje conseguiram bons resultados no mercado fonográfico. Tudo se iniciou com o disco “Sillicon Messiah”, gravado em 2000. Um trabalho fincado no heavy metal e com características bem diversas de sua antiga banda, no caso o Iron Maiden.

Em suas 13 faixas, o trabalho é simplesmente impecável, apresenta excelentes músicos, composições recheada de bons atrativos e pontos positivos, e o melhor, um Blaze mais à vontade e disposto a mostrar que os fãs podem esquecer anos anteriores de pouca badalação e algumas criticas da mídia. O disco tem como destaque faixas como “Ghost in the Machine”, a bela “Stare at the Machine”, além da fulminante e pesadíssima “Evolution”. Com o lançamento de “Sillicon Messiah”, Blaze consegue provar na ocasião que é capaz de produzir um trabalho satisfatório e ainda aproveita para fazer os fãs esquecerem “Futureal” ou até mesmo a trabalhada “The Sign of the Cross”- antigas canções que conseguiram razoável repercussão em sua passagem pelo Iron Maiden.

Após uma excelente impressão de seu primeiro trabalho solo é a vez agora do disco batizado de “Tenth Dimension” chamar a atenção. Lançado no ano de 2002, o trabalho conta com 12 faixas e a exemplo de seu antecessor tem atrativos de sobra, fortes composições e é rotulado por alguns como o melhor de toda carreira do vocalista. Uma das canções mais conhecidas de seus trabalhos e figurinha carimbada nas apresentações ao vivo faz parte desse material, trata-se de “Kill and Destroy”, composição recheada de riffs que lembram o thrash metal. Outro destaque de “Tenth Dimension” fica por conta de “End Dream” que apresenta ótimo trabalho não só de Blaze mas também dos músicos que o acompanham nessa jornada. Para comprovar o sucesso desse material, “Speed of Light” é mais uma unanimidade para os que já conhecem o trabalho do vocalista.

Depois de aproximados três anos de trabalho dedicado a sua carreira solo nada melhor que um registro ao vivo contendo seus hits, lembranças do passado e ainda boas novidades para apimentar sua breve discografia. Tudo isso é encontrado no disco duplo “As Live As It Gets” gravado no ano de 2003. O trabalho tem produção e mixagem produtivas, mostra que as composições de Blaze também causam ótimo impacto ao vivo. Além de trazer o cover de “Dazed And Confused” do Led, o cd ainda é motivo de alegria para os fãs do Maiden, que podem acompanhar algumas surpresas nesse CD: a canção Vírus, exclusiva da coletânea Best of the Beast do Maiden, aparece ocupando a primeira faixa do segundo disco. Também figura no registro “When Two World Collide”, mais uma de sua época ao lado do Maiden, agora relembrando o disco “Virtual XI”. Claro, não poderia passar em branco algumas canções que conseguiram boa repercussão em sua empreitada. Mais uma boa opção!
DVD Alive in Poland (2007) – Speed of Light    

Em 2004 temos o último álbum de estúdio gravado por Blaze, o ainda mais pesado “Blood & Belief”. O disco presenteia o público com 10 faixas, acrescenta mais peso e confirma o bom potencial dos músicos que acompanham o ex-maiden. Em aproximadamente 1 hora de puro heavy metal, o mais atual trabalho tem canções que retratam com fidelidade as características próprias dos músicos e faz do último trabalho, um álbum digno de destaque. Em relação à Blaze, podemos dizer que sua participação em “Blood & Belief” é superior a qualquer trabalho gravado ao lado de Steve Harris, Dave Murray e Cia.

Já em 2007, tudo já visto até agora foi registrado em imagens. O DVD “Alive in Poland” é mais um material de qualidade no acervo de Blaze. Trata-se de um registro gravado no mês de agosto, com 15 canções dentre elas boas velharias como “Man On The Edge”, “Virus” e “Sign Of The Cross, além de trazer várias de seus três discos antecessores. O DVD consegue suprir qualquer ausência na carreira solo de Blaze Bayley e ainda serve como oportunidade para os fãs do Maiden, matarem ao menos a curiosidade sobre a performance de Blaze sob o palco.

Se por um lado o também ex-maiden Paul Di`anno teve fraca passagem pelo Brasil e nunca conseguiu resultado satisfatório em álbuns como “Menace To Society”, por exemplo, Blaze mostra que está mais vivo do que nunca, esbanja vigor nas apresentações ao vivo e faz com que quem um dia já rotulou como fraco seu trabalho, dê a mão a palmatória. A maratona ainda não chegou ao fim: está previsto para maio o lançamento de mais um disco, além do que, já surgem rumores de uma provável vinda a America. É aguardar!

Para os que não conhecem uma dose a mais de curiosidade vai valer à pena. É ouvir e tirar sua própria conclusão!
 
Comentarios (4) >>

ALEXANDRE SANTOS said: _

  BOA MATÉRIO MESMO!!! BLAZE SIMPLISMENTE INCRIVEL!
março 13, 2008

ZiDaL said: _

  "Trombone" como sempre fazendo grandes materias...
março 11, 2008

Bruno said: _

  Grande matéria, Reynaldo!
março 11, 2008

horacio said: _

  ótima matéria sobre o blaze, discordo apenas com o autor e com outros milhares de fãs que os 2 discos de blaze com o maiden não possuem impacto. o X FACTOR e o Virtual XI - são excelentes albuns e possuem músicas maravilhosas. o disco do IRON MAIDEN que deveria ser criticado na minha opinião por ser um disco frio sem emoção nenhuma é o DANCE OF THE DEATH. o blaze ao vivo no maiden quando cantava as músicas da era bruce ficava muito a dever isto é um fato, ele não tinha o pique para cantá-las bem. sou fã do maiden desde os 13 anos, hoje tenho 38, ou seja, 25 anos que acompanho a banda e inclusive vi 7 shows, desde 85 até 2008, com 4 formações diferentes.
março 09, 2008
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