 Nem sempre concordamos com a linha editorial de algum órgão de imprensa, mas devemos ter em mente que divergência de opinião é algo absolutamente saudável e, em uma democracia, todo jornal, revista, rádio, tv, site ou mesmo qualquer pessoa tem todo o direito de expressar a sua própria opinião.
Contudo, é impossível concordar com determinadas matérias publicadas quando estas confundem o direito de opinião com o mero julgamento de valores que, invariavelmente trazem mas preconceito que informação. Em sua edição 2040, a revista Veja publicou, a pretexto de comentar o filme "Metal, uma Jornada pelo Mundo do Heavy Metal" recentemente exibido nos cinemas brasileiros, artigo cujo conteúdo expressa opiniões absurdas baseadas única e exclusivamente na opinião de uma pessoa evidentemente desinformada e disposta a usar as páginas da revista para destilar seu preconceito contra um grupo social em particular. A matéria sobre o filme e os fãs de heavy metal assinada pelo Sr. Sergio Martins, sob pretexto de comentar o documentário, trata todo e qualquer fã de heavy metal como possuidores de um modelo único de comportamento que sua mente distorcida idealiza. Entre outras agressões aos headbangers (fãs de metal) a revista alega que estes seriam frustrados, pouco habilidosos com as mulheres, agressivos e especialmente desprovidos de inteligência alegando que o headbanger "usa sua cabeça para fazer outras coisas". Poucas vezes li imbecilidades tão grandes quanto a que este colunista escreveu sobre a tribo "metaleira". Para fins de esclarecimentos: gostar de heavy metal, como diz o termo é tão somente gostar de um gênero musical como qualquer outro. Isto não implica em qualquer atitude nem modelo de comportamente estereotipizado como quis fazer acreditar o colunista. O heavy metal possui um público fidelíssimo e muitos de nós que passamos pela juventude ouvindo este tipo de música, vivemos vidas absolutamente normais como qualquer outro cidadão sem apresentar o comportamento anti-social ou idiota como quer fazer acreditar a revista. Movimentamos uma economia não muito pujante é verdade mas extremamente honesta pois nosso público é reconhecidamente o mais fiel, sendo extremamente raro um "metaleiro" comprar um cd pirata por exemplo. Possuímos lojas especializadas, geramos empregos, tocamos e cantamos, levando alegria para milhares de pessoas. Crescemos, constituímos família, arrumamos emprego. Enfim levamos uma vida normal e esperamos que os órgãos de imprensa, conceituados ou não, abra espaço para a retratação que nossa "tribo" merece e repudie a opinião como as daquele jornalista que, por preconceituoso, envergonha sua classe.
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