| Chaosfear - One Step Behind Anger |
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| Por Guilherme Mitre | |
| 25 de fevereiro de 2008 | |
Fundado em 1999, os paulistas do Chaosfear só vieram a lançar um álbum
sete anos depois, em 2006, apesar da demo independente “Inside the
Extreme World” ter surgido no meio do caminho.
Mudanças na formação e alguns contratempos fizeram com que “One Step Behind Anger”, o disco de estréia, demorasse a sair, mas o trio composto por Fernando Boccomino (vocal e guitarra), Anderson de França (baixo) e Danilo de Freitas (bateria) quer manter a chama constantemente acesa de agora em diante.
Tocando um Thrash Metal de primeira, o Chaosfear tem a brasilidade de influências como Sepultura e Krisiun aliada a outros grandes nomes como Exodus e Slayer. A mistura, agregada às individualidades da banda, parece ter dado bem certo. Nada melhor do que abrir um disco de Thrash Metal com um petardo! E Hard Time for the Wrong Man assim o faz. Inconscientemente o ouvinte, ainda que de leve, começa a headbangear. Mesmo com determinadas variações rítmicas, algumas até mais cadenciadas, o casamento do riff acelerado com a bateria, também veloz, mantém o vigor da música vivo. Em Incongruous Possession, os timbres da guitarra, tanto nos riffs como no solo, lembram a fase “Arise”, do Sepultura, mas com vários elementos contemporâneos e próprios do Chaosfear. Nessa faixa, a bateria chama atenção. Danilo de Freitas trabalha bem com bumbos velozes e variados, dando uma interessante versatilidade ao seu arranjo. A composição que carrega o nome do álbum pega mais leve na velocidade, mas nem por isso é menos agressiva. O peso extremo do vocal, guitarra, baixo e bateria ainda estão lá, tão vivos como nas duas músicas anteriores. Muitas alternâncias de ritmo e levada estão na faixa One Step Behind Anger e apontam toda a criatividade do trio paulista. O lado técnico é mostrado de forma mais evidente, em Driven by Hate. Todos os instrumentos estão bem individualmente e, na medida que a música transcorre, o coletivo também se destaca. Algumas passagens da faixa remetem a bandas como Death, isso devido ao fato de Driven by Hate ser uma das composições mais técnicas do trabalho. Denied Rights é a típica faixa que tem potencial para se destacar em shows ao vivo, por exemplo. Os arranjos são mais melódicos e têm elementos para cativar os ouvintes, dentre eles, aqueles que não são necessariamente fãs de Metal extremo. A cozinha de Anderson de França, no baixo e Danilo de Freitas, na bateria faz um belo trabalho. A única ressalva é o encerramento da faixa em fade-out. Talvez encaixasse melhor um trabalho mais criterioso. Apesar disso, o detalhe em nada tira o brilho dessa que é uma das melhores composições do álbum. Retomando a pegada acelerada da banda, Minds Temptation é cheia de riffs dignos de quebrar pescoços. A faixa tem características como a objetividade (ou até simplicidade) magistral que consagrou o Sepultura. Fernando Boccomino se realça tanto em sua performance na guitarra como no timbre de sua voz que lembra bem a de Max Cavalera, em seus áureos tempos. Para os apreciadores de detalhes ou simplesmente curiosos, Dust Structure começa com o som de uma voz numa gravação ao contrário. Aqui, a técnica mais apurada retorna juntamente com variações de ritmo e tempo, tornando a faixa bem rica. A velocidade também dá as caras e torna a composição uma das mais dinâmicas de “One Step Behind Anger”. Responsável por encerrar o álbum, Detestation Inc. é outra faixa cheia de detalhes. Ela começa lenta, bem arrastada e aos poucos vai ganhando peso. A velocidade também chega gradativamente, na medida que a música se desenrola e, em um riff de Fernando Boccomino, a pancadaria caótica se apresenta. A bateria de Danilo de Freitas pareceu ter guardado toda sua ira para o final, já que seu arranjo é dos mais agressivos. Tudo isso acompanhado pela marcação fiel e não menos nervosa de Anderson de França, no baixo. Após cinco minutos de música, um silêncio insinua que o disco acabou, mas logo é interrompido por alguns ruídos e uma pequena música “escondida” aparece e, aí sim, encerra o trabalho. O disco satisfaz e se junta a outros trabalhos de qualidade lançados atualmente na cena Metal do Brasil. Se levarmos em conta o estilo, o mercado atual e o país em que vivemos, a produção de “One Step Behind Anger”, que saiu pela Corrosive Musik, atende de maneira bastante positiva. A arte gráfica da capa e do encarte, apesar de simples, é muito boa e objetiva. Aprimoramentos na sonoridade, por exemplo, poderiam ser feitos, é verdade. Mas nada que não possa ser superado e corrigido ao longo do tempo. Se o que importa é boa música, isso tem.
Chaosfear - One Step Behind Anger (2006)
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