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U-Ganga - Manu Henriques Imprimir E-mail
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Por Diego Ferreira   
02 de setembro de 2007
Tendo em vista a representatividade mundial do Sarcófago e posteriormente a crescente evolução que tem tido o U-Ganga no cenário nacional, o Metal Clube entrevistou Manu “Joker” Henriques, ex-baterista do Sarcófago e atual vocalista do U-Ganga. 
 
No meio da conversa, Christian Franco (guitarrista do U-Ganga), apareceu e também participou do bate-papo. Confiram:

Metal Clube - Manu, vamos começar. O Sarcófago alcançou um patamar de representatividade muito grande dentro do cenário mais extremo do metal e até hoje é aclamado por fãs e até pela crítica como principal referência quando o assunto é Black/Death Metal. Como é pra um garoto ainda adolescente absorver tudo isso? Como foi a aceitação da família e tudo mais quando viram que você fazia parte de um ícone do extremismo, posteriormente reconhecidos mundialmente?

uganga01.jpg MANU JOKER: Cara, minha família nunca se interessou pelas minhas bandas mas também nunca atrapalhou. Para eles, Sarcófago era só mais um grupo de moleques sem nada na cabeça, e eles não estavam totalmente errados (risos)... Com certeza, na época, meus pais ainda não tinham a visão que têm hoje e pensavam que esse lance de banda era algo passageiro, o que é normal, já que eu sou o filho mais velho e quando entrei no Sarcófago tinha somente 18 anos. Eu já tocava no Angel Butcher (www.myspace.com/angelbutcher) desde 86 e nosso som também era extremamente pesado e agressivo, o que facilitou um pouco mais a compreensão deles para esse tipo de som. Agora não me esqueço da primeira vez que mostrei a capa do Rotting pra minha mãe, foi um choque cara (risos). Entrar nessa banda foi algo muito louco pois o Sarcófago já tinha um nome muito forte na cena do metal nacional e foi uma grande responsa assumir um posto que tinha sido do D.D. Crazy. Porém antes de ser convidado a tocar com eles, nós já éramos amigos, saíamos juntos para beber, ir a shows etc... Esse fator com certeza foi decisivo para um bom entrosamento.

Metal Clube - Atualmente você é vocalista do U-Ganga que tem nas suas letras temáticas positivas. No passado você fez parte do outro lado da moeda, quando tocou no Sarcófago, que praticava um som extremo. Como foi essa passagem na sua vida e o que o influenciou pra que houvesse essa mudança?

M J: Antes de entrar no Sarcófago, ou seja, antes de 1989, eu já tinha a cabeça aberta em relação a esse lance de estilo musical, radicalismo etc... Minha formação inicial foi metal e hardcore/punk, mas no final dos anos 80 eu já curtia outros estilos musicais como por exemplo hip-hop e jazz  e estava pouco ligando pro que as pessoas achavam disso. O U-Ganga foi formado quatro anos após minha saída do Sarcófago e desde o começo nossa proposta foi unir o peso do metal e do hc com o groove da música negra. Bandas como Bad Brains, Faith No More, Anthrax, Mordred entre várias outras já faziam isso e nesses 13 anos o U-Ganga vem aprimorando seu estilo, mas sempre focado nessa proposta inicial.

Metal Clube - Você, melhor que ninguém, sabe que dentro do metal extremo existe muita hipocrisia, desde os tempos de Sarcófago, até os dias de hoje. Como é a sua visão a respeito de pessoas que usam da música extrema pra se auto-afirmar radicais, e que ao invés de somar com variedade musical, acabam dividindo e criando lacunas entre um público já disperso, que é o público do rock?

M J: Eu vejo isso da seguinte maneira, se você só curte um determinado tipo de som isso é problema seu, contanto que haja respeito com o gosto dos outros. Tenho vários amigos que só ouvem death/black, ou só punk/hc, ou só rap, e não vejo problema nenhum nisso, cada um cada um. O que não rola é essa molecada que fica preocupada com o que o outro está fazendo, ouvindo, vestindo, etc. Acho que esses caras deveriam  entrar numa faculdade de moda pois pra mim esse tipo de postura não tem nada a ver com música. (risos)

Metal Clube - Uma das rixas mais conhecidas na história do metal brasileiro é a que existiu entre o Sarcófago, Sepultura e Ratos de Porão. Qual a sua opinião pessoal hoje em dia a respeito dos protagonistas dessa história: Wagner e João Gordo, em especial?

M J: Cara, o Wagner foi do Sepultura no início e depois saiu num clima não muito amigável rompendo a amizade com os caras. Depois que entrou no Sarcófago rolou tipo uma rivalidade em BH entre as 2 bandas e pelo fato do Gordo em especial ser muito amigo dos caras do Sepultura, principalmente naquela época, essa rixa chegou até ele. O Gordo era um cara que adorava treta e quando fomos convidados pra abrir pro DxRxIx em sampa ele grilou de vez, resultando num princípio de briga no camarim após o show do primeiro dia. Da minha parte curto as 3 bandas desde as antigas, posso me considerar um amigo dos caras do Sarcófago e não tenho nada contra as outras bandas, até porque nunca tive problema com nenhum deles.

Metal Clube - O U-Ganga recentemente figurou numa edição da Rock Hard Valhalla, que é uma das maiores revistas do segmento de rock no Brasil. Depois de quatorze anos na estrada, o U-Ganga esse ano parece ter adquirido uma amplitude toda especial no cenário nacional, realizando shows em diversos estados e em festivais de maior porte. Fale-nos a respeito do momento que a banda está, quais são as expectativas, as novidades e peculiaridades que rondam o ambiente da banda?

M J: Realmente estamos vivendo um momento legal e acho que o motivo principal é a união que está rolando dentro da banda. Tivemos algumas formações que não foram benéficas para o U-G  e isso se refletiu no ambiente interno de maneira muito negativa. A partir do momento que as coisas começam a andar de forma mais satisfatória dentro da banda, isso se reflete em melhores shows, músicas, discos e conseqüentemente numa melhor aceitação do público. Estamos terminando a tour de divulgação do “Na Trilha Do Homem De Bem” e até o final de setembro começaremos a pré-produção do novo cd juntamente com nosso produtor Riti Santiago. Também estamos correndo pra terminar o primeiro dvd da banda, só não sabemos se ele sairá junto com o cd ou em separado, isso será resolvido em conjunto com nosso selo (Incêndio Discos).

CHRISTIAN FRANCO: Estamos colhendo os frutos da correria que fizemos e estamos sempre fazendo mais pra levar adiante uma coisa que a gente acredita muito, que é a música de coração, feita sem nenhum tipo de barreira a não ser aquilo que a gente realmente gosta.

Metal Clube - Durante todo esse tempo que o U-Ganga está na luta, existiram diversos obstáculos no caminho da banda. Mudanças de formação e até mesmo do nome da banda. Qual o segredo pra superar tantas dificuldades e seguir em frente?

M J:  Eu diria que são vários fatores mas o principal é gostar do que está fazendo e fazê-lo sem cobrar nada em troca. Toco em bandas há vinte anos por amor à música e não por dinheiro. Lógico que trabalhamos pesado para ver o U-G reconhecido e sempre será dessa maneira, porém antes de tudo está o amor à música. Tem uma frase do mestre Bon Scott (AC/DC) que pra mim define tudo: “It´s a long way to the top if you wanna rock´n´roll”…

C F:  Realmente a estrada é longa mesmo, cheia de obstáculos mas com muito prazer e diversão. É que quando se gosta é impossível ficar sem, esse é o segredo, camaradagem e gostar da ralação (risos)...

Metal Clube - Agora, uma pergunta mais pessoal: qual som vocês definiriam como mais marcante nas suas vidas? Aquele que vocês nunca deixaram de escutar e recomendam pra toda a galera ouvir.

M J: Black Sabbath cara, em especial o Vol 4., acho um disco fenomenal, perfeito, insuperável... Metal na essência!!!

C F: The Real Thing do Faith No More, que foi a coisa mais impactante que ouvi na minha vida e me faz ter vontade de ter uma banda.

Metal Clube - Manu, no ano passado, você tocou no Tributo ao Sarcófago em BH, no Warfare Noise Fest e se prepara pra mais uma apresentação novamente em um tributo ao Sarcófago, dessa vez na cidade de Uberaba. O que se pode esperar deste evento que acontecerá no dia 13 de outubro e promete trazer a tona, além de 3 ex-membros do Sarcófago, bandas como o Kreddo (primeira banda de rock pesado do Triângulo Mineiro), Stormbringer (banda formada por ex-integrantes da Silent Hunter) e o Tormenta (revelação de Ribeirão Preto, que inclusive participou do Araraquara Rock)?

M J: Cara, essa parada do Tributo rolou de maneira muito natural, eu não falava com os caras do Sarcófago a uns 16 anos, mas parece que foi ontem que tocamos juntos. O U-Ganga continua sendo minha prioridade mas sempre que der estaremos fazendo alguma coisa juntos. Esse lance em Uberaba será muito bom, não só pelo Tributo mas por todas as outras bandas, em especial o Kreddo, de quem sempre fui muito fã. O primeiro show de rock pesado que fui na vida foi em 1986, com Kreddo, Reticências (Araguari) e Nosferatu (Uberlândia) e nunca mais vou me esquecer do poderio dessas 3 bandas clássicas da cena do Triângulo. Fora essa apresentação em Uberaba iremos tocar no Chile com os mestres Possessed e Ancient Rites (EUA) dia 20 de outubro e em novembro tocamos em sampa junto com o Genocídio.

Metal Clube - 2007 marca 18 anos desde o lançamento do álbum que de certa forma representa sua história no Sarcófago. O álbum Rotting é tido com um dos mais polêmicos álbuns lançados até hoje e ainda nos tempos atuais tem uma sonoridade exclusiva e contemporânea. Depois de tanto tempo, você volta a tocar as músicas deste álbum agora com o Tributo ao Sarcófago e vai dividir palco no Chile com as bandas Possessed e Ancient Rites, que com certeza tem o Sarcófago com uma influência também. Qual a sensação de saber que mesmo tanto tempo depois, ainda tem gente no mundo inteiro que escuta e faz referência às músicas como Nightmare, Sex, Drinks & Metal, entre outras?

M J: Eu diria que o Possessed também foi uma grande influência pra toda a cena mineira, mas ainda não conheço o som do Ancient Rites. Sei que eles são a banda de apoio do Jeff Becerra nesse retorno do Possessed e espero poder conferir todos os shows. Sobre o Rotting, realmente as vezes me espanto com a representatividade desse trabalho pro metal extremo mundial. Pô, eu tinha 18 anos, cara! Foi talvez o disco mais direto do Sarcófago, feito como trio, e diria que uma das maiores características deste trabalho foi ter mostrado que o Wagner já era um grande compositor, mesmo que naquela época estivesse ainda aprendendo a tocar guitarra. Adoro esse trampo e suas referências ao Death, Thrash, Hardcore... É só ouvir com atenção (risos).

Metal Clube - Além da música, sabe-se também que você é um apaixonado por arquitetura e paisagismo. Você se vê mais como um músico que trabalha de arquiteto ou como um arquiteto que toca em bandas? E tem mais alguma atividade pessoal que você destacaria como essencial no seu dia-a-dia?

M J: Olha cara, o que me garante o sustento é a arquitetura, algo de que também gosto muito, mas com certeza minha maior paixão é a música e não me vejo fora desse meio. Além dessa duas atividades, também estou terminando minha pós-graduação em gestão ambiental, outra área que me interessa bastante, e sou viciado em praticar esportes.

Metal Clube - De tempos em tempos são lançadas edições do Zine “Páginas Vazias”, que é um excelente trabalho, idealizado pelo seu irmão e baterista do U-Ganga, Marco Paulo Henriques. Extremamente informativo e bem disposto, o zine traz sempre alguma crônica sua e até mesmo uma espécie de diário sobre sua fase no Sarcófago e demais fatos curiosos sobre sua vida. Como surgiu essa oportunidade de escrever para o zine?  

M J: Cara, o André “Mantena” foi quem fundou o zine e uns tempos depois meu irmão e o Guilherme (ambos da Incêndio Discos) se juntaram a ele. De umas edições pra cá comecei a colaborar com entrevistas, textos, etc, e tem sido muito legal. Tenho uma coluna fixa chamada “O Som Do Bico Da Galinha” que é minha visão pessoal sobre a cena rock em nossa região do início dos anos 80 até hoje. A idéia é juntar tudo em um livro que deve ser lançado no ano que vem pela Incêndio em parceria com alguma editora. Também fiz uma entrevista com o Pavilhão Nove e na próxima sairá uma matéria que fiz com o Ácido Groove daqui de Uberaba. Acho esse zine excelente, é um trampo feito por amigos, sem rabo preso à tribos, estilos etc... Estamos tendo uma ótima aceitação do trabalho e acho que até o final do ano teremos novidades referentes a formato, tiragem etc...  

Metal Clube - Bem, finalizando aqui nosso papo, o Metal Clube agradece a receptividade e deseja muito boa sorte a você e ao U-Ganga. Fique a vontade para deixar uma última mensagem a todos. Um grande abraço, Manu!

M J: Cara eu que agradeço o apoio e a confiança, a parceria não é de hoje e com certeza ainda temos muita coisa pela frente. Um salve a todos do Metal Clube e vamo que vamo!!!!

Mais informações: www.myspace.com/uganga | www.uganga.com.br
Comentarios (4) >>

Luis said: _

  Grande pessoa o Manu.Musico de verdade é assim,sem estrelismo e mente aberta,parabens e sucesso
fevereiro 06, 2008

linhos(statik majik) said: _

  grande banda e o manu é um grande cara, super competente no q faz e muito gena boa, sucesso total pra eles (u-ganga), uma banda muito legal car !!!
janeiro 25, 2008

MANU said: _

  é verdade irmão eu troquei as bolas na hora hehehehe...é o sadistic intent mesmo, inclusive eles que são a banda de apoio do Becerra...foi mal serjão...
outubro 08, 2007

Sérgio Vilhena said: _

  Ancient Rites é uma banda belga de folk/viking metal.
Não seria Sadistic Intent?
setembro 26, 2007
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