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Buchanan - O Mago das Sombras Imprimir E-mail
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Por Rafael Santos   
14 de maio de 2006
Uma mostra exclusiva do livro "Roy Buchanan: American Axe"

No mundo enclausurado de Buchanan, a primavera de 1968 trouxe notícias intrigantes: Jimi Hendrix estava voltando para a cidade. Hendrix havia acabado de lançar seu segundo álbum, Axis: Bold as Love, e estava com dois shows marcados no salão do Washington Hilton, no dia 10 de março. John Gossage, um fotógrafo e gerente de uma loja de discos perto da Universidade de Georgetown, estava planejando cobrir o evento conhecido como Quicksilver Times.

O fotógrafo queria fazer seu portfólio de rock and roll para uma proposta de emprego e saiu de um dia de trabalho com um importante arquivo fotográfico com Hendrix em ação.

Gossage havia pego alguns shows de Hendrix no Teatro Ambassador no mês de agosto anterior e queria que Buchanan também visse o guitarrista. Quando Buchanan passou pela loja de discos, Gossage deu a ele um ingresso para o primeiro dia dos dois shows no Hilton. Parecia uma rara oportunidade para expor Buchanan ao músico mais famoso da cena de shows, mas a missão secreta de Gossard era apresentar Buchanan a Hendrix. A esposa de Buchanan estava para ter seu quarto filho a qualquer dia e, mesmo assim, o guitarrista expressou interesse em ver Hendrix.

“Roy tinha ficado impressionado com Are You Experienced? quando foi lançado em agosto”, diz Gossage. “Aquilo foi importante para ele. As pessoas estavam sempre lhe dizendo coisas como ‘você tem de ouvir Jeff Beck’. Roy não prestava atenção em nada disso. Mas Hendrix era importante.”

“Hendrix havia dado um pulo na maneira de tocar guitarra que Roy também estava investigando”, diz Gossage. “Ele havia achado coisas que Roy não encontrou. Creio que Roy invejava a habilidade de Hendrix para composição. O único comentário que me lembro de Roy foi que ‘Hendrix tinha uma coisa que produzia um timbre gordo e distorcido’. Esta era a competição. Uma vez Roy me disse, ‘Clapton é um bom guitarista’. E pronto. Roy estava a par desses caras já naquela época. Acho que ele havia visto o show de Hendrix com atenção – os amps Marshall, os movimentos, a voz, as músicas – e pensou: ‘Não posso competir com isso’. Esse entendimento trouxe Roy de volta às suas raízes. Ele poderia ter sido inspirado a tornar seu som mais contemporâneo, mas ver Hendrix fez Roy perceber que ele era uma pessoa e Hendrix era outra. Depois de ver Jimi, Roy voltou para o seu puro timbre de Telecaster pelo qual era conhecido. E foi maravilhoso. O som de Roy não estava nos amps. Estava em suas mãos.”

Trecho retirado da revista Guitar player, Veja matéria completa na edição nº 72
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