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Pois é, pessoal. Mais uma vez estamos desfalcados – e por isso, decidi falar esse mês sobre um dos maiores problemas que uma banda pode enfrentar – seja pequena e underground como a minha, seja gigante como Megadeth, AC/DC, Iron Maiden etc.

 

iron maiden 250315

 

A saída de um membro, especialmente quando é talentoso e tem compromisso de tirar músicas e comparecer a ensaios, é o terror de qualquer banda.  Falando especialmente do underground e de bandas que são a principal diversão de um grupo de amigos e que faz show aqui e ali como a minha, é igual com seu time de futebol de salão ensaiadinho desde o colegial ou com seu grupo de RPG, que joga toda semana religiosamente – é terrível. Um belo balde de água fria.

 

Repertório pronto (ou muitas músicas prontas), pessoal afinado entre si, músicos muito bons e de repente, não mais que de repente, alguém chuta o balde – seja por motivos válidos, fortes; seja por alguma besteira. Na verdade, para a banda em si, importa pouco o que levou alguém a sair porque o resultado é o mesmo: o preguinho volta para a estaca zero.

 

Porque significa que não importa quantas músicas haja no repertório, não importa o quanto vocês tenham trabalhado as músicas próprias – nada importa: porque tudo começará praticamente do zero com uma nova pessoa, novas ideias, novas influências. Novo tudo.

 

Minha banda existe desde 2005 e nunca teve a pretensão de sair do fim de semana e da sala da minha casa – mas somos um bando de chatos e, mesmo que haja quem torça o nariz para covers, adoramos tocá-los e bem. E é difícil.

 

E conseguir quem consiga fazê-lo de maneira precisa é complicado. Se o necessário for o baixista ou o baterista, piorou: é dificílimo de encontrar.

Tive a sorte de ser casada com o baterista – o que nos poupa grandes problemas (exceto no caso de um divórcio *risos*). Mas agora, novamente, estamos sem baixista. Que nem chegou a esquentar o lugar – mas cujo talento e compromisso eram promissores.

 

A situação me trouxe à mente as muitas vezes, ao longo destes dez anos, em que passamos aperto por causa de músicos que pularam fora. Nossa formação sempre variou entre quatro e cinco membros – mas mais que o triplo disso já estiveram entre nossas fileiras. Tantos nomes que fica difícil de uma soprada lembrar de todos. No baixo: Christopher, Esvaber, Marlon, Poia, Mário, Rodrigo, Pedro... Na guitarra: Chris, Rafa, Diogo, Luciano, Nilson, Ícaro, Luiz Paulo... E por aí vai...

Mas a pergunta permanece: o que fazer quando isto acontece?

 

100 riffs de baixo

 

Bom, novamente falando do nosso caso. Nunca estivemos dispostos a desistir. Pensar nisso, pensamos, confesso. Porque dá uma preguiça infinita começar tudo de novo.

 

Mas passados alguns poucos dias de luto e desânimo, sempre juntamos as cabeças e colocamos a procura “na praça”. E é bom saber que quanto mais complexo o que você tocar, mais difícil será encontrar quem se encaixe.

 

Recentemente, descobrimos um guitarrista muito talentoso – é a coisa boa que veio da coisa ruim. Sai um guitarrista ótimo, que já toca com você há anos e você consegue alguém talentoso para colocar no lugar.

 

Mas o oposto também acontece: a pessoa se vende como a sétima maravilha do mundo, jura que tirou todas as músicas perfeitamente, e ao pegar na guitarra, no primeiro ensaio, não tem pegada, não tem afinação, não tem ritmo – e se acha o “foda”. E você ter que dizer para a pessoa que ela não se encaixa é complicado – porque tenha a certeza, ela ainda falará que o chato é você que não soube reconhecer seu talento.

 

Então como resolve o caso e conseguir mais de uma opção (se você tiver sorte)?

 

Grandes baixistas do Rock/Metal

 

Frequente shows e renove sua networking musical – mesmo quando não precisar de músicos. Lembre-se que o underground precisa de público também. Se você não está disposto, primeiramente, a ser público das bandas existentes, não poderá reclamar de falta de público para a sua própria banda.

Usar de seus contatos pessoais – músicos, bandas etc, ajuda. Coloque a palavra na praça: acione o maior número de pessoas que você conseguir – porque um fala para o outro e quando você menos assustar, estará recebendo mensagens de interessados.

 

Outra dica também: aprenda a utilizar os anúncios em grupos especializados nas redes sociais. Faça uma chamada bacana, com formas de contato claras com quem se responsabiliza pela admissão de novos membros na banda. No caso da Achilles, minha banda, mesmo que eu selecione as pessoas, a banda dá a palavra final depois do primeiro ensaio (e depois que a pessoa foi embora). Seja legalzinho e evite constrangimentos desnecessários.

E claro, dê preferência para quem toca bem, possui disposição e disponibilidade – mas alguém que se encaixe no perfil da banda e na convivência com os outros membros. E mais – alguém com quem seja fácil de falar, porque ficar batendo cabeça tentando falar com uma pessoa sobre o ensaio e não conseguir resposta alguma estressa qualquer cidadão.

 

O principal, seja qual forma você escolher para tornar conhecida a necessidade da sua banda de um novo músico, elabore uma fala (seja escrita para os anúncios, seja oral para quando for conversar com as pessoas) deixando muito claros os objetivos da sua banda: ela visa o quê? Há pretensões de fazer shows na cidade? Fora dela? Gravar CDs? Ou a banda é apenas para diversão mesmo, como a minha? Qual a frequência de ensaios? Quantas músicas é preciso tirar por semana? Etc – Deixe absolutamente tudo às claras: isto evita que a pessoa se desaponte e queira sair por incompatibilidade de objetivos.

Enfim nunca é fácil.

 

Porém, mesmo com todas as dificuldades, o que posso dizer é que vale a pena ter a paciência de procurar músico novo, recompor o repertório – porque não é justo que quem entrou agora não dê opinião alguma –, de passar para o novato as músicas próprias, entrosar de novo e tudo mais.

 

Afinal, enquanto alguns se distraem com o futebol, nós preferimos a música pesada.

 

Steve Harris - This Is My God

 

Nota: O Nilson Lima, guitarrista exímio que já tivemos na Achilles, retornou à cidade e voltou à banda, agora no baixo. Alvíssaras!! Posso parar de procurar músico (até a próxima vez).

 

*Risos* - porque o bom humor é tudo!

About the Author

Érica Araújo e Castro

Érica Araújo e Castro

Érica Araújo e Castro é professora de inglês, cronista, contista e tem um romance erótico/pornográfico publicado (Rainha Sarah - Um). Ainda canta na Achilles, uma banda de Heavy Metal Tradicional, nos fins de semana. Sim, que toca covers também. Sim, eu adoro cantar covers. Me crucifique.

 

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